quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Meus medos

No meu perfil aqui no blog, eu me descrevi como uma pessoa que tem medo de tudo. Claro que isso é um exagero, ninguém te medo de TUDO. Mas, de fato, sou muito medrosa.

O medo é um sentimento muito difícil de lidar e está quase sempre ligado a situações vividas quando criança. Hoje consigo perceber que os meus medos, pelo menos a maioria deles, têm base na minha infância. Não quero que pensem que me sinto uma pobre traumatizada. Nada disso. Apenas quero compartilhar um pouco de mim e sugerir a pessoas responsáveis por crianças que não adotem certas posturas que foram adotadas comigo.

Pois bem. Não é nem um pouco fácil conviver com o medo. Ele não é um sentimento possível de se controlar. Muitas vezes ele nos deixa sem reação ou nos torna imprevisíveis. Diante de um cachorro, por exemplo, eu não consigo me mover, apenas grito. Esse é um dos meus maiores medos, o cachorro. Não importa o quanto ele seja pequeno, bonito, simpático, dito inofensivo, ele me causa pânico. As pessoas me perguntam se algum dia fui atacada. Graças a Deus, nunca aconteceu, mas quando criança, papai me proibia de tocar em qualquer animal, principalmente cachorro que ele detestava. Brigava mesmo comigo e ameaçava me bater, pois animais são sujos e perigosos, dizia ele. Então desenvolvi um pavor terrível, não só por cachorros, mas por qualquer outro animal. Não toco em nenhum e se encostarem em mim, sou capaz de ter um ataque. Não é nem um pouco agradável chegar à casa de alguém que tenha cachorro e não conseguir entrar enquanto ele não for preso, isso me deixa extremamente constrangida, pois muitas pessoas não entendem e pensam que é algum tipo de frescura. Gostaria que fosse, seria mais fácil de superar.

Outro dos meus medos (não riam, por favor) é o sobrenatural. Sei que fantasmas não existem e não chego a ser tão ridícula, mas sei também que o mundo espiritual existe e aprendi sobre isso de uma maneira terrível quando tinhas uns sete anos. Meu irmão mais velho já era casado e com filhos. Resolveram empregar uma menina adolescente para ajudar minha cunhada nos afazeres domésticos, era uma menina carente e sua família morava distante então ela praticamente moraria na casa do meu irmão. Acontece que a mãe da moça mexia com magia negra e a menina tinha problemas com possessão demoníaca. Algumas vezes presenciei a garota nesse estado e só posso dizer que é algo terrível de se ver. Lembro perfeitamente daquela situação horrorosa, da voz horrível, dos xingamentos, das tentativas de suicídio da menina para se livrar daquilo, enfim, de tudo. Nunca me convide para assistir a um filme de terror. Não consigo nem ao menos ouvir aquele som macabro das trilhas sonoras desse tipo de filme. Já cheguei a passar muitas noites sem dormir por causa disso, então resolvi não ter contato nenhum com qualquer coisa que me remeta a esses assuntos. Nem filmes, nem livros, nem mesmo conversas. Tem funcionado.

Sinto medo de muitas outras coisas, mas os dois principais são os que contei. Como todo mundo, tenho medo da violência. Jamais moraria numa casa com quintal, acho extremamente inseguro. Tenho medo do escuro, pois acho que qualquer tipo de mal está relacionado à falta de luz e também porque papai sempre mantinha as luzes apagadas enquanto assistíamos à TV. Eu odiava isso. Tenho muito, muito medo de sentir dor. Costumo dizer que não posso participar de nenhuma operação sigilosa, pois ao menor indício de tortura eu abro a boca e conto tudo, hahahaha! Como a maioria das pessoas (na verdade acho que todo mundo), também sinto medo da morte. Não por estar incerta do meu destino depois dela, mas pela forma como ela pode acontecer. Sofrimento físico é algo que me assusta profundamente, sempre fui uma manteiga derretida no que diz respeito a isso, então tenho receio sobre o método que a Dona Morte utilizará comigo, hehe.

É melhor parar de contar agora senão vão achar que sou uma neurótica, hehe. Mas quem não tem seus medos, não é? Ninguém pode negá-los. Um amigo me disse que só ficarei curada quando enfrentar meus medos. Ainda não criei coragem para isso, tenho medo...

3 comentários:

Flávio Rod. disse...

Interessante postagem! O medo faz parte da nossa vida. Não há como escapar. Por outro lado é algo positivo, pois nos inibe e nos impede de fazer o que não devemos. Quando, porém, se trata de fobia, emtão a coisa muda de figura. Passa a ser um incômodo. E não é fácil deixar o nosso conforto pessoal para nos livrarmos dele. É preciso um ato da nossa vontade, uma postura de determinação para enfrentá-lo. Só assim, enfrentando-o, é possível vencê-lo.
Boa sorte, caso queira tentar!

Daniel... disse...

Célia presenciei algmas situações do seu medo... rsrsrs. Desculpe o riso mas é só para descontrair. Mas esta temática do medo é bastante interessante porque a maioria deles de fato são gerados e desenvolvidos no decorrer das nossas experiências. Mas ao ler o seu texto pensaei numa música muito legal do Lenine intitulada de: MEDO. Dá uma olhada e se possível a escute. Faz a gente pensar um monte sobre os nossos medos. Bjão pra vc!

Celia Rodrigues disse...

Flávio, realmente enfrentar os medos exige muito esforço. Infelizmente eu ainda não consegui, quem sabe um dia eu tente... Até mais!

Daniel, lembro bem daquele mini-acampamento em que estávamos e a Lair apareceu com um cachorro que me deixou desconcertada, rsrs. Só rindo mesmo. Mas vou procurar a música sim, valeu. Grande abraço!