quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Triste

Damaris era uma antiga amiga da época de adolescência. Morávamos no mesmo bairro e, por algum tempo, freqüentamos a mesma igreja. O tempo passou e nos afastamos bastante, naturalmente. Ela se casou, mudou para um bairro distante e então deixamos de nos ver com freqüência, aliás, nos víamos esporadicamente. Mas quando nos encontrávamos era sempre uma festa, ela era muito alegre e extrovertida.

Damaris era jovem, acho que cerca de dois anos mais velha que eu. Casou com um antigo namorado meu, hehe, e viviam muito bem. Tiveram duas filhas lindas e inteligentes. Certo dia eu soube que ela estava com câncer de mama. Foi um susto muito grande para todos. Então começou sua luta contra aquela doença terrível. Operou uma vez, submeteu-se ao doloroso tratamento de quimioterapia e radioterapia, teve depressão profunda. Dias negros ela viveu, mas soubemos que o problema tinha sido vencido. Superou a depressão. Foi aí que veio a segunda filha e recebeu o nome de Vitória.

Alguns anos se passaram e ela teve que operar de novo, a doença traiçoeira voltou com tudo. Depois dessa última cirurgia ela esteve em constante tratamento e a depressão voltou a atormentá-la também. A tristeza de se ver deixando suas duas filhas ainda crianças e seu marido tão jovem era demais para ela. Seu sofrimento era grande, mas ela tinha esperança de superar a doença definitivamente. Lembro da última vez que a visitei. Ela ainda conseguia sorrir palidamente, cabecinha sem um fio de cabelo.

Ontem Damaris se foi. Livrou-se de vez do maldito câncer. Descansou. O que nos conforta é a certeza de que agora ela está sã, curada e alegre nos braços do nosso Pai, desfrutando de uma vida muito melhor. Que Ele dê forças à sua família e aos seus amigos para suportarem a ausência e a saudade.

3 comentários:

Georgia disse...

É triste mesmo Célia tudo isso. É de partir o coracao. Conheci uma senhora assim na minha infância que se foi com esta doenca deixando o esposo que era peixeiro e seus 4 filhos. Somente ela era crente e ela vivia sorrindo. Nós, naquela época nao éramos salvos e minha mae em sua incredulidade perguntou a ela: E agora? Seus filhos como ficam? E ela com aquele mesmo sorriso respondeu: Eu sei em quem eu tenho crido. Nunca a esqueci. Os anos se passaram e um dia encontramos com ele e os filhos. Ele nao se casou novamente. Mas havia se convertido e os filhos também. As filhas casadas compastores e os filhos pastores. Nunca vi testemunho maior que este em toda a minha vida. Por isso, creio muito que tudo dará certo com esta familia.

Grande abraco

Amigo Anônimo disse...

Poxa Célia, que triste.
Mas que confortante ao mesmo tempo, né...digo isso em referencia ao sorriso palido que a damiris lhe direcionou e a flhinha dela, Vitória. Mas Deus permitiu que ela enfrentasse tudo isso por algum propásito, pode ter certeza.
A vida nos prega algumas peças, não entendemos, ou não aceitamos, em dados instantes até nos perguntamos: Porque DEUS ?
E Ele, com muito amor responde: Aquieta-te, acalma-te.
Há pouco mais de um mês perdí uma amiga e a mãe dela que havia sido minha professora, como dói...
Mas apesar de tanta dor, temos a certeza de que a Assim como minha amiga e sua mãe, a Damaris está sentada ao lado do Pai.

Mas mudando de assunto.
Gostaria de ler algo seu, sobre a luta desesperada do governo em conseguir a prorrogação da CPMF. Matéria cuja qual está sendo apreciada neste instante pela câmara.
Brinde-nos com seu comentário.

Saúde a Ti e aos seus.
Abraços.
Amigo Anonimo

Celia Rodrigues disse...

Geórgia, creio que situações como a da Damaris e a da senhora sua conhecida serve-nos de exemplo, como serviu para você, e também para o engrandecimento do nome do senhor, como foi com a família dela. Até em situações difíceis Deus sabe o que faz. Beijos!

Amigo Anônimo, como meros humanos que somos, muitas vezes é impossível para nós compreendermos os propósitos de Deus em nossas vidas e até nas vidas dos outros. Acho que só agora a Damaris e a tua amiga são capazes de compreender, pois estão ao lado dEle. Quanto ao assunto CPMF, vou tentar atender ao seu pedido. Na verdade, assuntos que dizem respeito à política brasileira me irritam bastante e eu acabo expressando isso tanto no falar quanto no escrever, mas vou elaborar um texto sobre o tema e tentar conter (um pouco) a minha indignação. Um abraço!