sexta-feira, 7 de março de 2008

Quem buscamos ser?

Em vez de fazer discursos inflamados em favor das mulheres e de demonstrar sentimentos feministas e antagônicos aos homens, prefiro lembrar o dia internacional da mulher e basear minha fala de hoje, compartilhando com vocês um “retrato escrito”. Segue transcrição:

"Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias. O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho. Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias de sua vida. Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos. É como navio mercante: de longe traz o seu pão. É ainda noite e já se levanta, dá mantimento à sua casa e tarefa às suas servas. Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho. Cinge os lombos e fortalece os braços. Ela percebe que o ganho é bom, a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca. Abre a mão ao aflito e a estende ao necessitado. No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate. Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura. Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra. Ela faz roupas de linho fino, vende-as e dá cintas aos mercadores. A força e a dignidade são os seus vestidos e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações. Fala com sabedoria e a instrução da bondade está na sua língua. Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça. Levatam-se seus filhos e lhe chamam: ditosa! Seu marido a louva dizendo: muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas! Enganosa é a graça e vã a formosura, mas a mulher que teme ao senhor, essa será louvada! Dai-lhe do fruto das suas mãos e de público a louvarão as suas obras." Provérbios 31:10-31

Este lindo texto foi escrito pelo rei Salomão milhares de anos atrás. Vocês notam alguma semelhança dessa mulher com as mulheres de hoje? Claro que há! Cada uma dentro do contexto de sua época, é bem verdade. Mas, assim como nós e outras mulheres que conhecemos, essa era uma mulher ativa, trabalhadora, cuidadosa com sua família. Uma mulher de negócios, que comprava e vendia, negociava propriedades, produzia para si, para sua família e para o seu comércio. Era uma mulher bem sucedida, que via seus esforços recompensados, pois acordava muito cedo e trabalhava até tarde da noite todos os dias. Tremenda empresária! Apesar de ter marido e família, ela não se dava ao luxo de ser sustentada, mas arregaçava as mangas e ia à luta. E apesar de estar sempre muito envolvida com seus afazeres, encontrava tempo para atender às aflições de quem necessitava de ajuda. Apesar de apresentar-se de forma elegante, não estava tão preocupada em ser bela, pois a beleza se vai e fica a essência. Nota-se que ela era uma pessoa reconhecida e respeitada, tanto pelos seus quanto pelos outros.

Acho que, basicamente, é isso que buscamos. Reconhecimento e respeito. Durante séculos as mulheres desempenharam um papel secundário na sociedade. E mesmo sendo responsáveis por administrar uma casa e criar os filhos, funções árduas e tão dignas como outra qualquer, não eram merecedoras de respeito, admiração e nem mesmo tinham voz ou poder de decisão. Claro que havia exceções, raríssimas, mas a regra era essa.

O queimar de sutiãs foi o grito pela independência. Esse ato proporcionou-nos assumir responsabilidades até então exclusivamente masculinas, como participar da renda familiar, por exemplo. A independência financeira nos fez ir além, nos deu o direito de ir e vir e o poder para tomarmos nossas próprias decisões. Isentou-nos de continuarmos subjugadas a pais e maridos.

Vantagens à parte, não sou adepta do feminismo, nem mesmo simpatizo com muito da filosofia defendida por esse movimento. Acredito que, enveredando por esse caminho de grandes protestos, a maioria das mulheres, ao longo do tempo, foi além daquilo pelo que as pioneiras pretendiam brigar. Em prol da liberdade e da independência, perdeu-se muito de valores fundamentais, como a crença na instituição familiar, por exemplo. A sociedade tem mudado. Surgem novos modelos de família e, em contrapartida, o modelo antigo se desestruturou. Menos casamentos, mais divórcios. As mulheres tornaram-se tão auto-suficientes que os relacionamentos abertos e a produção independente de filhos passaram a ser suas opções de vida. A mulher brasileira adquiriu uma conotação de sensualidade tão grande que, no exterior, passou a ser vista como objeto de desejo e alvo do tráfico humano para a prostituição. Acho louvável que muitas heroínas tenham se sacrificado para que as mulheres de grande parte do mundo pudessem chegar ao nível de independência em que estamos hoje, mas acho também que muitas de nós se perderam pelo caminho e precisam encontrar um meio termo para todo esse processo evolutivo. Para isso, necessitamos de um novo posicionamento das autoridades, do comércio, da mídia, de nossas próprias famílias.

Por outro lado, já existem indícios daquelas que estão insatisfeitas com sua situação de “quase” igualdade com o sexo forte, preferindo voltar à antiga situação de “Amélia, a mulher de verdade”. Mas devemos confessar que seria impossível voltar a esse estilo de vida. Chego a dizer, um retrocesso. Apesar das divergências de opiniões sobre o comportamento feminista, não podemos dizer que ele não nos tenha beneficiado, e muito. Eu não me imagino, de forma nenhuma, passando meus dias em casa, arrumando, lavando, passando e cozinhando e pedindo ao meu marido que me compre um vestido. Nasci num outro cenário, e minha maneira de ver as coisas é diferente desse conceito. Mas há mulheres que se sentem realizadas, obtém respeito e admiração vivendo dessa forma e se sentem felizes assim. Quem as pode menosprezar por isso?

Creio que a mulher de provérbios é um interessante modelo a ser seguido. Reconhecimento, respeito e admiração são adquiridos mediante um bom caráter, trabalho árduo e temor a Deus, sem precisar abrir mão dos seus valores para mostrar-se especial. Essas virtudes, ela nos mostra que tem de sobra. Sejamos as Mulheres Virtuosas do nosso tempo e façamos a diferença no meio em que estamos inseridas. Sejamos autênticas, e não levadas por ondas de modismos. Acima de tudo, estarmos felizes e com a certeza termos desempenhado bem o nosso papel é o que realmente importa.

Este post faz parte da blogagem coletiva sobre a luta pelos direitos da mulher brasileira, proposta pela Liz e pela Meire.

5 comentários:

vivendo disse...

Oi, Celia!!
Bem interessante seu post!!
Eu busco ser uma mulher feliz e realizada. Trabalho fora e dentro de casa e procuro sempre me motivar no que faço.Gosto de cuidar da minha casa e da família.E também gosto de ser cuidada.
E desejo que homens e mulheres se respeitem sempre.Um beijo querida, Vivi

Raphael Rap disse...

Muito bom o post... uma mulher independente hoje é uma realidade não ideal mas que deve ser pesada nas avaliações dos movimentos feministas...

Bom texto!

Adelino disse...

Célia, bonito post.
Um abraço pelo DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
Que as conquistas almejadas sejam realmente conquistas.
Beijo

simone corpomente e arte disse...

Oi Célia, feliz dia da mulher é interessante seu ponto de vista.bjs. Simone.

Celia Rodrigues disse...

Vivi, acho que a motivação e o bom grado são as chaves para darmos conta de uma rotina tão cansativa como a nossa. E é muito legal termos ao nosso lado pessoas que nos respeitam e nos completam. Beijo, amiga!

Raphael, ser independente é maravilhoso! Achar-se auto-suficiente é que não é legal. Um abraço!

Obrigada, Adelino!

Oi, Simone! Apesar de o dia já ter passado, agora que respondo seu comentário, desejos muitos dias felizes a você também! Abraços!