sexta-feira, 18 de abril de 2008

Analfabetismo: o que fazer?

No post de aniversário do blog contei a vocês sobre o meu desejo de escrever um livro. Esse é um grande desejo e já o acalento há alguns anos, mas ainda me sinto despreparada para tal. Quanto mais pesquisas eu faço, mais certeza eu tenho de que ainda preciso percorrer um longo caminho até conseguir escrever algo realmente bom.

Nas minhas pesquisas tenho lido muitas coisas interessantes, entre elas, questionamentos de grande relevância sobre por que escrever um livro. Então pensei: “para quem eu vou escrever se o Brasil não é um país de leitores”? Atualmente há muito mais livros sendo lançados do que leitores para os contemplar.

Uma das causas dessa ausência de público é o analfabetismo pleno que ainda existe por aqui. Enquanto em países da Europa como o Reino Unido, a taxa de analfabetismo chega apenas a 1%, no Brasil ela gira em torno de 11% e o país está classificado em penúltimo lugar entre os países latino-americanos em população alfabetizada. A região mais afetada é o Nordeste, onde 1 em cada 5 pessoas afirma não saber ler nem escrever. Somos prioridade para a UNESCO num programa para erradicação do analfabetismo até o ano de 2015.

No entanto, outra realidade é igualmente assustadora: o analfabetismo funcional. Numa pesquisa feita no fim do ano passado pela OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil ficou em 53º lugar num total de 55 países examinados. Foi reprovado em ciências, matemática e leitura. Essas são 3 disciplinas essenciais para o desenvolvimento da sociedade num contexto geral e o nosso país não conseguiu ser classificado nem mesmo como “bom” em nenhuma delas. Isso significa que o analfabetismo não é “privilégio” apenas de quem não freqüenta os bancos escolares. A maioria dos estudantes não consegue interpretar um texto simples ou resolver contas básicas. O vocabulário é escasso e o hábito da leitura não existe. Dessa forma, ler e não entender é quase a mesma coisa que não saber ler.

Ser alfabetizado não significa simplesmente saber ler e escrever, na teoria. A educação deve abranger toda a formação intelectual do aluno, levando-o à exploração do raciocínio, fazendo-o pensar e questionar. No entanto, as escolas públicas brasileiras – e muitas particulares também – estão muito longe de poder oferecer um ensino qualitativo. Não há investimento estrutural ou no próprio corpo docente - tanto em quantidade como em qualidade do mesmo - que viabilize uma educação decente.

No que se refere à escola pública, essa falta de investimento nos deixa, no mínimo, intrigados e nos remete a uma antiga questão não respondida: para onde vai a grande carga de impostos que pagamos? Constitucionalmente, a União deve destinar 18% de sua arrecadação anual à educação. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, 25%. Não é preciso fazer as contas para saber que, pela nossa carga tributária, haveria muito dinheiro para investir. Mas vamos a uma pequena demonstração. Em 2007 a arrecadação de todos os estados brasileiros, segundo a Receita Federal do Brasil, foi de R$ 448.884.202.245,00 (é isso mesmo, 448 bilhões!). Só esse montante nos daria uma participação de R$ 112.221.050.561,25 para investimento em educação pública, fora a participação da União. É muito dinheiro “disponível” em detrimento de situações como esta (veja a matéria, por favor!).

O que fazer?

Mais uma vez a sociedade tem que assumir o papel do governo, como em tantas outras áreas, e ajudar de alguma forma. Além de empresas que abraçam causas relacionadas à educação contribuindo financeiramente, podemos citar iniciativas que envolvem voluntários, como o projeto Amigos da Escola, da rede Globo e emissoras associadas. Esse projeto visa exclusivamente o voluntariado de pessoas comuns que utilizam suas horas vagas para ajudar no desenvolvimento da educação pública brasileira, conforme suas habilidades e conhecimentos. No site pode-se ter acesso a todas as informações de como participar do programa, tanto para as escolas como para os voluntários.

Outra iniciativa bacana são os festivais de contadores de histórias. Quando bem contadas ou bem lidas, as histórias podem despertar o interesse pelos livros. Assim, quem não sabe ler ou não tem o habito da leitura pode ser motivado a buscá-la a fim de poder, por si mesmo, apreciar as belas histórias contadas e outras mais. Quem falou sobre um desses festivais foi a Simone, contando sobre o evento Boca do Céu, em São Paulo.

Eu nunca estive envolvida com a área educacional. Não tenho muito tino para o ensino. Minha participação se restringe à contribuição tributária, como cidadã de bem que sou e agora tenho a oportunidade, com esta blogagem, de debater e pensar em estratégias de ajuda para erradicar o mal que é o analfabetismo, assim como estimular o trabalho voluntário e, quem sabe, encontrar uma forma de participar ativamente dele.

No entanto, depois dessa análise, percebi que também posso ser útil não desistindo do meu livro apenas por falta de público. Talvez o meu dever seja ir atrás desse público escrevendo algo que ajude a combater esse mal que é o analfabetismo funcional. Mas eu continuo ciente de que devo me preparar incansavelmente para isso. Não quero correr o risco de oferecer ao meu leitor, um produto do nível da educação que nosso país ainda nos oferece, infelizmente.


Este post faz parte da blogagem coletiva sobre o Analfabetismo no Brasil, proposta por Geórgia e Meire, por ocasião do Dia do Livro que é hoje. Se você não participou, ainda dá tempo. Publique seu texto analizando o assunto e dando sugestões sobre como combater esse mal, e passe por um dos blogs citados para informar sua participação na blogagem. Mas tem que ser ainda hoje!

14 comentários:

Andréia disse...

Olá! eu acho que o problema maior são os professores de ao inves de levarem a profissão de educadores a serio ficam lá esquentando banco para ganhar dinheio..

eu estudei a maior parte da minha vidae em escola publica e somento uma professora se preocupou em dispertar algo diferente nos alunos com leitura de jornais, revistas, debates de cidadania entre outras.. as outras iam lá com decorebas..

eu virei outra aluna depois que a conheci..



beijosss!!

Adri /Dri /Drika disse...

Olá Celia... se cada fizer sua parte e cobrar a outra do governo, acredito que podemos mudar essa situação... Obrigada por sua visita, Bju

Neemias Rodrigues disse...

Célia

Excelente o questionamento. Sabe que, como falamos anteriormente, não conseguimos mudar muita coisa naquela área que, por direito deveria ser quem cuida disso. Por outro lado, penso que cada um de nós pode fazer algo além de pagar os impostos. Acho que todos temos algo a ensinar e a aprender. Aliás, a vida pra mim tem sido isso: troca de conhecimentos, de cultura, de saber. Quanto ao analfabetismo camuflado, ao meu ver deve-se ao fato de o sistema educacional brasileiro estar ultrapassado. É como se o professor fosse o dono da verdade, e os alunos os telespectadores passivos, aqueles que não tem com que contribuir. Falta mesmo o incentivo ao questionamento, à pesquisa. Usa-se um sistema ditador: eu falo, você diz "sim, senhor professor". Sou professor de EBD, e em todas as aulas falo pros meus alunos, em outras palavras: não acreditem em somente no que digo, pesquisem, infomem-se! Já no ensino regular...fico abismado ao ver um cara que é formado em administração e que não sabe falar português.
Sobre o seu livro: pelos seus textos percebo que você já escreve muito bem.

Abraço

Georgia disse...

Querida consegui chegar até você e seu nominho já está na lista dos lidos,rs.

Mas você abordou bem esse tema. Os índices sao cada vez maiores infelizmente.
Mas nao aceito que você desista do seu sonho de escrever um livro. Quem sabe um livro infantil? Você escreve a história e o apresenta nas escolas e ainda por conta faz uma palestra falando da necessidade de se ler livros?

Eu também assisti o video da Simone, muito legal nao?

Muito obrigada por sua participacao.

Grande beijo

Andréa Motta disse...

Boa noite, Célia. Acredito que temos muitos leitores sim; falta, no entanto, um investimento na cultura de modo a favorecer a aquisição de livros e outros bens culturais.
Aproveito para agradecer sua visita ao meu blog e sua adesão à coletiva COISAS DO BRASIL. Já incluí seu blog na lista de participantes. Bom final de semana!

evipensieri disse...

Célia,

As escolas são mal cuidadas, os professores desvalorizados. É claro que as crianças não vêem incentivo nenhum em estudar.

Elvira

Meire disse...

Celia, fiquei super feliz com tua visita, com tuas palavras, com teu carinho.
Obrigada tambem por ter aceito nosso convite e por este post maravilhoso.
Qdo teu livro ficar pronto vc me avisa?
Um beijo
Meire

J u n i o r ● disse...

Muito obrigado pela visita
� bom msmo saber que tem sempre mais 1.
=)
t� = !

Jannine L'Amour disse...

Entendo você perfeitamente querida, eu gosto muitíssimo de ler, mas de quebra os livros aqui são caros demais...como um povo que mal tem dinheiro suficiente para se alimentar vai conseguir alimentar a cultura através de bons livros, que não saem por menos de R$30,00.Um cheiro.

Luis F disse...

Um belo texto que carece a reflexão de todos.

Um problema que continua a existir em pleno sec XXI e que muitos disfarçam a sua existência.

Parabéns pelo texto e a tomada de opinião.

Bj
Luis

simone corpo mente e artes disse...

Oi Célia,
consegui deixar um comentário.Gostei do seu texto realmente analfabeto não é só quem não saber ler vc. mostrou bem nossas deciciências em matemática e outras áreas.Mas ações como essas da Georgia e Meire ajudam minimizar o quadro.bjs.Simone
TÔ de blog novo http://mudando.wordpress.com

Taty disse...

Célia, adorei teu texto. Os links ajudaram muito a elucidar algumas questões. Ele foi de grande ajuda mesmo. E te apóio na idéia do livro, já sou sua leitora garantida.
Um beijo!!

Celia Rodrigues disse...

Pessoal, só agora consegui parar para responder aos comentários que estão super atrasados. Agradeço a todos que leram meu texto e deixaram sua opinião sobre esse assunto tão importante. Abraços!

Espaço Mensaleiro disse...

Célia, solicito autorização para linkar seu trabalho.
Espaço Mensaleiro é um blog político.
Por favor, visite e veja se está de acordo com seus pontos de vista.
Tive o prazer de conhecer seu trabalho na blogagem coletiva.
Um grande abraço.
Eliana Alves