sexta-feira, 4 de abril de 2008

Só um pouquinho de consciência ambiental mal faz mal a ninguém

Minha cidade tem vivido um drama nos últimos anos. As mudanças climáticas ocorridas em todo o planeta têm trazido fortes chuvas aqui para o Espírito Santo, coisa que há algumas décadas não se via. O interior do estado tem sofrido com as enchentes e alagamentos enquanto a população sofre desabrigada. Aqui em Vila Velha a situação não chega a tanto, mas o tráfego se torna quase impossível em algumas regiões quando cai uma chuva mais forte. O Governo do Estado e a Prefeitura dizem tomar as providências para diminuir os estragos causados pelas chuvas, mas por enquanto não se vê nenhum resultado. A população cobra e reclama soluções políticas, mas é a principal causadora dessa situação.

Infelizmente, é comum vermos pessoas enchendo a via pública de lixo. É vergonhoso passear por nossas lindas praias e ver latas de refrigerante e cerveja, papéis e palitos de picolé, coco verde, entre outros detritos, “enfeitando” sua areia ou sendo levados e trazidos por suas ondas. Saboreia-se uma bala na rua e o papel que a envolvia é atirado na calçada, assim como guimbas de cigarro, sacolas de chips, guardanapos de papel, garrafas pet... ... ...

É intrigante ver como tantas pessoas sofrem as conseqüências dos seus atos e não conseguem mudá-los. Muitas campanhas são feitas para conscientizar a população quanto à limpeza urbana e a melhoria do meio ambiente, mas parece que o desleixo e o descaso pelo seu próprio bem-estar já faz parte da cultura.

Por outro lado, não sou inocente ao ponto de pensar que o fato de eu usar a lixeira, consumir papel reciclado ou ser ecologicamente correta de alguma maneira, vai salvar o planeta. Pasmem, mas não acredito na salvação do planeta! Muito do que se prega sobre consciência ambiental faz parte de modismos e fontes de lucro. Se captação de água da chuva não tivesse seus rendimentos, alguém estaria preocupado em aderir somente para que as próximas gerações tenham água? Alguns gatos pingados, talvez. Minha convicção é de que TUDO que tem um início tem um fim, e com a Terra não será diferente. O máximo que conseguiremos é retardar os efeitos.

Lutar contra Titãs é demasiadamente injusto. Enquanto fazemos a “nossa parte” para salvar o planeta, os Estados Unidos, maior poluidor industrial do momento, dá as costas para o Protocolo de Kyoto, fazendo assim a “sua parte” para acelerar o processo de destruição. Além dos States, a China, outro enorme emissor de gazes poluentes, já afirmou que não prejudicará seu crescimento econômico adequando-se a programas de proteção ao meio ambiente. O que está destruindo o mundo é a ambição dos homens e contra ela não há armas nem estratégias.

Ainda assim, defendo políticas justas e coerentes com a realidade, que visem melhor qualidade de vida aos cidadãos. Ser educado e engajado em conservar e manter limpo e agradável o ambiente onde vivemos, enquanto ele durar, é algo que eu aplaudo, e agradeceria muito a quem aderisse aos bons modos para que eu e todos os outros não nos víssemos ilhados pela cidade afora a cada vez que a chuvarada cair.

P.S. 1 – O assunto deste post foi uma sugestão do Flávio, um dos meus leitores.
P.S. 2 - Sei que este meu ponto de vista é meio contraditório, mas quem não o é de vez enquando?

9 comentários:

Aninha Pontes disse...

Pois é Célia, parece que querer educar a população, não dá tão certo ne´?
No fundo as pessoas sabem que são responsáveis por isso, mas acham que o "seu" lixo, individual não vai prejudicar em nada.
Esquecem que se todos pensarem assim, a soma do lixo, vai levar onde tem levado. Ao caos.
Acho que a punição ajudaria e muito.
Mas como punir, se as autoridades, o poder público não faz a sua parte?
É um emaranhado de coisas, que nos faz ver a solução cada vez mais longe.
Beijos meu bem.
Bom final de semana.

Georgia disse...

Eu sei que muita gente no RJ jogava lixo no rio, nao sei o que pensavam quem iria depois limpar esse mesmo rio. Com as fortes chuvas que as águas de marco trazem o resultado foram muitas enxentes. As mesmas pessoas que jogaram lixo no rio foram vitimadas por ele mesmo. Parecia castigo? Nao, simplesmente quando nao se faz certo desde o comeco a coisa nao funciona. Será que precisaríamos fazer uma outra blogagem para discutirmos esse assunto do lixo? Olha que eu já pensei a respeito, viu.

Grande beijo, texto excelente como sempre

Flávio Rod. disse...

Obrigado por postar um tema tão relevante como este! Ao contrário do que você diz, sua opinião não é contraditória! Faz sentido! É um sonho humanamente impossível, salvar o planeta! Mas podemos fazer a parte que nos cabe: alertar a humanidade sobre o grave erro que está cometendo! Se seremos ouvidos ou não, isso não importa! O que importa é que estaremos livres de desculpas pelo trabalho de conscientização que fizemos!
Parabéns pelo post!

vivendo disse...

OI, Celia!!
a possibilidade de fim do planeta existe, mas existe também a possibilidade de no caos a terra encontrar um outro meio para sobreviver de forma diferente do que é hoje..e talvez o fim seja esse,mesmo, o fim da humanidade.
Onde há vida há esperança, vamos batalhar pela consciência ambiental...Vivi Amorim.

Guhn disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Edson Marques disse...

Eu adoro o Espírito Santo! (O Estado e o Outro, também!).


A consicência ecológica deveria ser matéria obrigatória desde o primeiro dia de aula das crianças.

E do pai das crianças.


Voltei a falar de ciúmes: se puder, leia.

Abraços, flores, estrelas..

Chris Rodrigues disse...

Uma coisa é certa: Os lixos clamam mais rápido que as pedras, até mesmo pq exalam o mau cheiro.
Façamos nossa parte, sempre!!!

P.S. Amo Vila Velha e minha prima mora em Vitória...bj

simone corpo mente e arte disse...

Oi Célia,
hoje tb. blogei sobre ecologia , falando sobre lixo tb., mas um lixo específico o chiclete.Aguardo vc. lá.Agora já voltei de viagem e do Evento Internacional de Contação de Histórias q falarei o próximo post. bjs. Simone.

Celia Rodrigues disse...

Aninha, parece mesmo que estamos longe de uma solução. Educar o povo é uma missão quase impossível. Beijo!

Geórgia, acredita que cheguei a pensar numa blogagem quando escrevi esse post?
É isso mesmo que acontece, as pessoas sujam o meio ambiente e, quando vêm as conseqüências, cobram do governo uma solução, como se ele fosse o único responsável. É lamentável ver famílias inteiras desabrigadas, mas, muitas vezes, elas estão colhendo o que plantaram. Beijo!

Obrigada, Flávio. Na verdade, eu é que agradeço pela sugestão. Foi muito legal escrever sobre esse assunto. É mesmo uma utopia essa historia de salvar o planeta, mas ao menos cuidar bem dele e arrebanhar o máximo de adeptos possível é a realidade que nos cabe. Abraço!

Vivi, minha crença na restauração do planeta segue uma linha diferente dessas que estamos acostumados a ver na mídia. Tem a ver com minhas convicções religiosas, mas isso é assunto para outra ocasião. Beijo!

Edson, espero estar a contribuir para esse seu amor pelo Espírito Santo, rsrs!
Também acho que o desenvolvimento de uma consciência ambiental seria mais possível com as crianças. Mas lembremos que elas também seguem exemplos, talvez mais do que orientações. Daí, voltamos ao ponto inicial. Abraço!

Oi, Chris! Legal que você conhece minha terra!
Tem coisa mais desagradável do que lixo acumulado? Um nojo mesmo. Façamos a nossa parte! Beijo!

Oi Simone! Espero que sua viagem tenha sido ótima. Vou passar lá pelo seu blog sim. Coincidência falarmos sobre ecologia e lixo quase ao mesmo tempo, né? Beijo!