terça-feira, 15 de abril de 2008

Que tipo de comunicação é essa?

Se tem uma coisa que me preocupa é a comunicação de forma correta, especialmente a escrita. Vivemos um tempo em que não é dada a mínima importância à grafia corretamente empregada, à concordância, à pontuação que faz toda a diferença num texto. Quando uma pontuação é utilizada incorretamente, o texto poderá adquirir significado totalmente inverso ao que o escritor se propôs a comunicar.

Os sistemas de conversação on-line têm contribuído grandemente para o “emburrecimento” das pessoas, especialmente de crianças e adolescentes, quanto à escrita. Entende-se que todas aquelas abreviações e atalhos da comunicação instantânea pode ser aplicada para qualquer outro fim. O problema é que as pessoas se acostumam a escrever dessa forma e se tornam passíveis de cometer gafes graves, como usar essas abreviações num e-mail de cunho profissional, por exemplo.

Outro problema são os vícios. Há algum tempo atrás fiz uma colocação aqui no blog sobre o “gerundismo” (aqui e aqui), ao que houve certa discordância nos comentários. Na ocasião esclareci que a utilização do gerúndio é correta, desde que utilizada para expressar uma ação simultânea, que ocorre no presente. De outra forma, torna-se um vício de linguagem. Esse, especialmente, tem-se alastrado como uma praga.

Vou contar um episódio que seria cômico se não fosse trágico - pelo menos no que diz respeito ao assassinato da língua portuguesa - que me levou a escrever sobre esse assunto. Eu e o Nil compramos uma lavadora de roupa, de uma marca líder no segmento, em janeiro passado. A máquina não apresenta um bom funcionamento e os resultados não são os esperados. Sendo assim, Nil entrou em contato via e-mail com a assistência técnica antes de solicitar a troca do equipamento e constataram que uma peça precisa ser substituída. Finalmente, ele recebeu um e-mail confirmando a data da troca da peça, o qual eu transcrevo abaixo, exatamente como foi editado pela pobre criatura da assistência técnica, exceto seu nome, claro:

“Boa Tarde
Vamos está retornando à residencia para está concluindo o reparo, vamos está trocando a placa eletrônica com chave fixa 64800254, irei está agendando atendimento para amanhã dia 11/04, teria alguma preferecia de horario??????

Att, Fulana”

Tem cabimento uma coisa dessas? Além da quantidade de “ando” e “indo” totalmente desnecessários, falta pontuação em alguns casos e sobra em outros. E aonde foram os acentos das palavras? Além disso, o verbo “estar” que deveria ser colocado no infinitivo para concordar com o gerúndio erroneamente empregado, foi usado (4 vezes!) na 3ª pessoa singular do indicativo. Nada a ver!

Diante de uma situação dessas entendemos porque o Brasil foi reprovado em leitura no exame da OCDE no ano passado. Quem tem o hábito da leitura escreve corretamente. Já quem não tem, causa indignação às pessoas enviando um e-mail desse tipo... Triste!

Aproveito esse gancho para lembrar a todos da blogagem coletiva sobre o analfabetismo no Brasil que acontecerá em 18/04. Passem lá no Saia Justa e vejam como participar.

12 comentários:

Bel disse...

Simplesmente desesperador!!!!

Georgia disse...

Eita, que você atacou em todas as direcoes.

Beijao

Casamento feliz disse...

Meu Deus !!! Que triste !!

Beijos

Adelino disse...

O pior, Célia, é que escrever assim é mais difícil do que escrever certo.
Se o "menino" foi consertar a sua máquina, menos mal, não é? Já imaginou, ruim de português e de palavra?
Beijos

Lou Mello disse...

vou estar lendo seus posts como sempre, mesmo que você não goste dos meus erros que vou estar fazendo. :)

Aninha Pontes disse...

Célia minha querida, que belo post, verdadeiro e assustador.
Me apavora ver o que escrevem, o que falam.
Estou com você. Uma pessoa que tem o hábito de ler, fala e escreve bem e corretamente.
Esta história do gerúndio, já vi de perto situações irritantes. Trabalhei numa central de atendimento, e via de perto situações que chegavam a ser constrangedoras.
Só tem uma saída, ler, ler e ler.
Aqui em casa, hoje, leio menos do que queria, mas todos lemos, o meu neto já começou, esta semana trouxe um livro da biblioteca da escola, e nós temos alguma coisa também que serve prá ele.
Beijos menina.

Juliana Caribé disse...

Oi, oi... Obrigada pela visita! Apareça mais vezes...

Pois é, o rumo que a escrita, principalmente, tem tomado também me preocupa. Sou professora de Português e, esses dias, deparei-me com uma situação que verdadeiramente me assustou. Alunos escrevendo "mi", em vez de "mim", e absurdos de todo jeito e tamanho.
Falta leitura, falta a prática da escrita, falta bom senso dos pais, e das próprias crianças (mas no caso delas isso é esperado).
E a internet, em algumas situações, colabora para pior. As pessoas perdem a noção do que é certo e errado, do que é Língua Portuguesa e do que é "internetês", ao escrever.
Verdadeiramente preocupante.

Beijos pra você.

Chris Rodrigues disse...

Pois é, vamos por a boca no trombone...bj

vivendo disse...

Me lembrei da música do Renato Russo:"Eu canto em português errado, acho que o imperfeito não participa do passado, troco as pessoas, troco os pronomes...".
E para completar, vou estar me despedindo, com o enigmático:"FUI".
beijo, Vivi

Meire disse...

Estou aqui para recordar que amanha 18 de Abril tem a Blogagem Coletiva “O que voce faz para acabar com o analfabetismo no Brasil?”
Meire

Edson Marques disse...

Célia,


gostei do teu artigo sobre o "Gerundismo"!

E esse texto de hoje está perfeito: temos que cuidar da língua, temos que ter cuidado na expressão dos pensamentos, sempre!


Respondi aos teus comentários do dia 15 logo em seguida a eles, no próprio blog Mude.

Abraços, flores, estrelas..

Celia Rodrigues disse...

Bel, põe desesperador nisso.

Geórgia, tem horas que não dá para segurar, rsrs. Beijo!

Pois é, Adelino. O pior é que o problema ainda não foi resolvido. Abraço!

Lou, contanto que leia, vou relevar os erros, kkk. Abraço!

Aninha, acho que essas centrais de atendimento são as grandes responsáveis por alastrar esse vício. Não tem um atendente que não use as frases típicas do gerundismo. Paciência! Beijo!

Juliana, acho que a participação dos pais é fundamental no desenvolvimento cultural dos filhos. Afinal é com eles que as crianças convivem, dialogam, ouvem falar todo o tempo. Pais desatentos ao português, filhos idem.

Chris, vamos que vamos! Rsrs! Beijo!

Vivi, muitos nem mesmo conseguem entender a letra de uma música assim. Beijo!

Meire, tô lembrando, rs.

Olá, Edson! Já passei por lá e conferi sua resposta. Que bom que você gostou deste texto. Realmente, além do cuidado com a gramática, devemos cuidar também sobre o que expressamos através dela. Abraço!