sábado, 31 de maio de 2008

Coletiva: por um mundo sem tabaco


Não é novidade nenhuma o tabagismo ser um ato mal visto pela sociedade de uma forma geral, ainda que grande parte da população mundial seja optante pelo fumo. Muitas empresas têm como condição de contratação o indivíduo não ser fumante. Pais e mães praticantes do fumo, na maioria das vezes, evitam fazê-lo na presença dos filhos. É sempre um problema quando um adolescente começa a fumar. Ele esconde a situação dos pais, dos professores e de amigos mais velhos, pois essas pessoas, ainda que sejam fumantes, vão incitá-lo a parar com a prática.

Mas, por que toda essa preocupação com o hábito de fumar?

Vamos, então, entender o que é o cigarro. Trata-se se uma porção de tabaco triturado e envolvido em papel especial. Após aceso, a substância é sorvida. Parece um procedimento simples e inofensivo, não fossem os agentes contidos nessa porção. O princípio ativo do tabaco é a nicotina, elemento considerado venenoso e altamente prejudicial ao pulmão. Muitos outros elementos tóxicos são encontrados no tabaco, entre eles: a terebentina, o formol, o monóxido de carbono, a amônia e a naftalina.

O tabaco já vem sendo utilizado há séculos para diversos fins. Originário da América do sul, era utilizado pelos indígenas em suas cerimônias. Pensava-se que possuía características medicinais, mas, aos poucos, foi-se notando sua nocividade à saúde, além da capacidade viciadora da erva. Muitos países proibiram ou impuseram difíceis condições à comercialização do tabaco, mas, observando-se o lucro que o mesmo proporcionava, as proibições foram sendo reconsideradas.

A verdade é que fumar é altamente prejudicial à saúde. O corpo do indivíduo, ao fumar um cigarro, emite sinais claros de que algo não vai bem. Há aumento dos batimentos cardíacos, alterações da pressão arterial, da freqüência respiratória e das atividades motoras, diminuição das contrações do estômago, irritação dos brônquios e insônia. O uso freqüente do tabaco, proporcionando continuamente as reações citadas, pode causar ao fumante, doenças como infarto do miocárdio, bronquite crônica, enfisema pulmonar, derrame cerebral, úlcera digestiva, entre outras.

É inacreditável que, mesmo sabendo de todos esses males causados pelo cigarro, tantas pessoas no mundo inteiro estejam dispostas a arriscar no seu uso. Há uma ilusão de glamour, poder, sucesso e sensualidade que envolve o ato de fumar e isso atrai as pessoas, principalmente adolescentes, em detrimento das conseqüências desastrosas desse ato. O maior problema, no entanto, é a dependência química que muitos desenvolvem. Para estes, deixar o cigarro quando tomam consciência do mal que estão causando a si mesmos, é, muitas vezes, impossível. Dessa forma, é imprescindível conscientizar as pessoas para que não dêem a primeira tragada, pois isso pode ser um caminho sem volta.

Hoje é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco, data criada pela Organização Mundial da Saúde. A blogosfera aproveita essa data para dar o seu grito: O cigarro pode matar! Ame a sua vida, não fume!

Blogagem coletiva proposta pelo Nando Damásio, por um mundo mais limpo e respirável, não apenas para quem é fumante, mas principalmente para quem não é.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Meninas dos olhos de Deus


Há algumas quartas-feiras atrás eu fui ao culto na minha igreja, como de costume. Nesse dia foi-nos visitar uma missionária que estava passando férias no Brasil, em casa de sua família. Há dois anos, seus campos de ação são o Nepal e Camboja, na Ásia. Seu relato aos poucos foi arrebatando os corações dos presentes e nos levou a uma grande comoção. Vocês entenderão por quê.

Em 1997 o senhor José Rodrigues, médico bem sucedido do estado de Goiás e dono de um patrimônio considerável, esteve na Índia pela primeira vez, em Mumbai, e tomou conhecimento de algo terrível que acontece por lá: a escravidão sexual de meninas vindas dos arredores, especialmente do Nepal. Sensibilizado pela situação, ele sentiu-se tocado por Deus para fazer alguma coisa. Sendo assim, retornou várias vezes àquele lugar, empreendendo ali um trabalho de pesquisa e traçando um plano de ação. No ano de 2000 mudava-se para o Nepal um seu parceiro nessa missão, o pastor Silvio e sua família, para organizarem ali uma casa de recuperação para as escravas prostitutas. Esse projeto, empreendido inicialmente com os recursos financeiros do senhor José Rodrigues, foi chamado Meninas dos olhos de Deus.

A realidade desse lugar é extremamente triste. Ouvir o relato do que acontece ali é de cortar o coração. Num país onde imperam a pobreza e a miséria, os próprios pais vendem suas filhas a homens que prometem dar a elas trabalho, roupa e comida. O “contrato” de venda é válido por um período de até 3 anos, quando elas serão devolvidas às suas famílias. O preço pago por uma menina é de aproximadamente 55 dólares e elas são levadas para trabalhar em supostos restaurantes com quartos camuflados nos fundos, onde são obrigadas a receber até 20 clientes por dia, todos os dias. Vocês imaginam a idade dessas meninas? Elas têm entre 10 e 13 anos.

Na verdade, elas nunca voltarão para casa. Quando chegam por volta dos 17 anos, seus “donos” as expulsam do local de trabalho, substituindo-as por meninas mais novas, mais lucrativas. Então elas passam a ser prostitutas de rua, as de pior categoria, as mais baratas. Ali são ainda mais maltratadas e humilhadas, muitas engravidam e seus filhos passam a ser abusados nas ruas ainda bebês. Quantas delas morrem na sarjeta, de doenças ou assassinadas. Conforme o hinduísmo, religião local, os mortos são cremados em templos e lugares sagrados. Essas meninas nem a isso têm direito. Seus corpos são incinerados nos depósitos de lixo da cidade.

Certo dia, o pastor Silvio entrou num táxi. O motorista, vendo que ele era estrangeiro, entregou-lhe um catálogo de meninas entre 15 e 17 anos, e disse: “se o senhor quiser meninas mais novas, tenho como levá-lo a elas”. Ele aceitou, e foi levado a uma casa onde, numa sala, foram enfileiradas diante dele meninas a partir de 10 anos de idade, cabeças baixas, com fisionomias de vergonha e medo. Obviamente ele não escolheu nenhuma delas, isso fazia parte do seu trabalho de “espionagem” e pesquisa. Saindo dali ele passou muito mal por causa do que havia presenciado e pela compaixão que tinha por aquelas crianças, e percebeu a dimensão do trabalho teria pela frente.

Oito anos se passaram desde a sua chegada ao Nepal e, hoje, moram na casa de recuperação 107 meninas entre as restauradas de suas antigas vidas de escravidão sexual e aquelas que estavam potencimente em risco e foram alvo de um trabalho de prevenção. Elas não são simplesmente levadas para aquela casa e deixadas lá. Essas meninas recebem acompanhamento médico e psicológico. A elas é dada a oportunidade de estudar em boas escolas, fazer cursos de sua preferência, são direcionadas profissionalmente (exigências do governo a estrageiros que se propõem a prestar serviço social no país), e tudo isso é custeado pela missão. E o mais importante, elas são levadas a conhecer a Deus, o Deus que as ama e fez brotar no coração do senhor José, do pastor Silvio e sua família, da missionária Roseane e de toda a equipe dessa missão, o Seu amor por elas, pois elas são "as meninas dos Seus olhos". Pude ver fotos de várias delas, garotas que foram jogadas no inferno da prostituição sem direito à escolha, mas que foram regatadas por Deus para viverem uma nova vida. Elas são a prova de que qualquer pessoa, por mais miserável que tenha sido a sua existência, pode ser restaurada por Deus e viver uma vida nova, plena de alegria, curada de todos os traumas, para a glória do Seu nome.

Se você quiser saber mais detalhes sobre o projeto Meninas dos olhos de Deus, visite o site da Missão Cristã Mundial, que o gere. Lá tem muito mais informações, relatos de experiências com o projeto, fotos e sugestões de como você pode contribuir para a continuidade e crescimento desse trabalho, seja financeiramente, seja em intercessão. Vale a pena se envolver nas causas do Reino de Deus.

Um ótimo feriadão a todos!
Update: Posteriormente à publicação deste texto, recebi um comentátio do próprio Pr. Silvio, missionário citado acima envolvido no projeto Meninas dos Olhos de Deus. Ele faz uma retificação sobre a visita que fez a um bordel em cuja situação teria presenciado meninas nuas. Segundo ele, as meninas estavam devidamente vestidas. Segundo suas palavras, faço a correção deste texto, apenas justificando que tudo que foi escrito acima é baseado na versão apresentada pela missionária que na ocasião trabalhava no projeto, durante um culto que eu mesma assisti.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Blogagem e novidades

A novidade é a minha participação, com uma postagem sobre livros, no blog http://www.elasestaolendo.blogspot.com/, que vocês poderão conferir no próximo DOMINGO. Não deixem de passar por lá. Quanto à blogagem, está logo aí em baixo. Vamos a ela.
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Ares de Europa


Assim é a serra capixaba. Basta olhar para seus habitantes de pele claríssima, rosada, e olhos azuis. As tradições culturais dos antepassados são preservadas e até a arquitetura nos remete a outros lugares, outros tempos...

Já falei várias vezes aqui sobre a região de montanhas do Espírito Santo, não é novidade nenhuma que sou apaixonada por aquelas bandas. Então, não poderia escolher outro lugar para usar como tema da blogagem de hoje que fala de cultura. E essa escolha tem um motivo especial: a imigração européia, especialmente a italiana, que influenciou tanto a cultura local, trazendo deliciosos costumes para essa região tão charmosa.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Os primeiros italianos chegaram aqui no ano de 1874, ainda na época do império, fugindo de uma Itália afetada pela miséria e pela fome. Pensavam ter encontrado o paraíso, mas sua chegada foi, como em todo o Brasil, norteada por muitas dificuldades, desilusões e trapaças. O principal motivo para que o governo imperial aceitasse a imigração, era a substituição da força de trabalho escrava, que já não existia devido à abolição da escravatura. Para tal, eram feitos acordos com os colonos italianos para que viessem trabalhar em troca de terras e favores políticos, porém esses acordos não eram cumpridos. E ainda sofriam maus-tratos e passavam por grandes dificuldades. Além disso, o impacto climático que essas pessoas sofriam era outro problema, e havia as doenças tropicais e a selva, situações com as quais não estavam familiarizados e que se tornavam verdadeiros obstáculos. É conhecida a história do fazendeiro Pietro Tabachi, que juntou cerca de 50 famílias (os primeiros italianos a imigrarem) de Trento, sua terra natal, e as trouxe para trabalhar em sua fazenda, a “Nova Trento”, na esperança de fazer fortuna com o trabalho dos coitados e prometendo a eles mundos e fundos. Ledo engano. A revolta dos colonos patrícios trouxe grandes prejuízos e muitas dores de cabeça para ele, que precisou até de proteção policial.

A primeira colônia Italiana formada aqui no Espírito Santo, a de Santa Teresa, é uma das mais belas cidades do Estado. Fica a 675 metros acima do nível do mar, sendo uma de nossas regiões mais frias, a temperatura média é de 15 graus. É um reduto maravilhoso envolvido pelas montanhas e cercada por grande parte da Mata Atlântica. Uma vista deslumbrante! Os primeiros colonizadores que chegaram, vieram das cidades italianas de Veneto e Trento e a população, hoje, é constituída em 85% de descendentes italianos, além de alguns suíços e alemães.

Apesar de Santa Tereza, assim como outras regiões do estado, ser uma cidade bem caracterizada pela cultura italiana, especialmente pela celebração de festas típicas, pela culinária e pela arquitetura, muito dessa cultura se perdeu. Estudiosos lamentam que a história da imigração não tenha sido documentada em sua totalidade e escrita como deveria, ficando, em vários aspectos, apenas registros populares desse evento. Até mesmo os nomes de muitas famílias se perderam no tempo. Alguns tiveram que trocar de identidade durante a ditadura militar, para driblar perseguições políticas. Uma grande perda para a memória cultural de um povo.

Deixo aqui algumas belíssimas imagens da Santa Tereza compartilhadas pelo site oficial da cidade e também minha homenagem ao povo italiano, que deixou sua terra para fazer a minha mais bonita!



Blogagem coletiva sobre as diversas culturas do Brasil, proposta por Andreia Motta

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O friozinho vem chegando! Obaaaaaaa!


Finalmente a temperatura deu uma caidinha por aqui. Os ventos começaram a soprar mais fortes e mais frios, apesar do sol brilhante e do céu lindamente azul, e o outono começa a mostrar sua cara. Já comecei a tirar alguns casacos leves do armário. Uma delícia esse tempinho! Que venha o frio!

Nada como ficar em casa envolvida num gostoso edredom tomando um mingau (amo!), um chocolate ou uma sopinha bem quentinha... Eta fim de semana que voa!...
E aí onde você mora, como é o clima nesta época do ano?

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Doenças ocupacionais

Nos últimos dez dias fiquei impossibilitada de escrever aqui no blog e também de fazer outras atividades devido ao agravamento da minha tendinite, como expliquei no último post. Na verdade, deveria ainda estar com o braço direito em repouso, mas isso torna-se impossível quando tenho tantas coisas para fazer e já me sinto um pouco melhor. Sendo assim, resolvi escrever sobre doenças ocupacionais, que pode ser a tendinite ou tantas outras “ite’s” que há por aí.

Vamos entender a tendinite. Pessoas que se ocupam de determinadas tarefas, sejam laborais ou de lazer, em que, continuamente, repetem os mesmos movimentos para desenvolvê-las, podem ser acometidas de inflamações nos tendões, ou seja, de tendinite. Da mesma forma pode ocorrer a bursite – inflamação da bursa, bolsa que contém um líquido lubrificante e amortecedor para os ossos nas articulações, para tecidos e tendões – e a artrite (não a reumatóide) – inflamação das próprias articulações. Há muitos exemplos de esportistas, operários, pianistas, dançarinos e até mesmo donas de casa que apresentam tais problemas devido à sua carga de exercícios e tarefas, sempre focados na repetição dos movimentos por horas a fio, diariamente. O principal sintoma é uma dor muito forte no local afetado, que chega impedir a pessoa de desenvolver suas tarefas. O inchaço também pode ocorrer em estágios mais avançados.

A tendinite, assim como as outras patologias, passou a ser considerada uma doença ocupacional a partir do momento em que a ocupação profissional do indivíduo começou a causar nele os sintomas relacionados a essas doenças. Na verdade, esse problema atinge as pessoas desde a época da Revolução Industrial. No entanto, somente muitos anos depois de Taylor e Fayol e seus conceitos administrativos obsoletos, já na segunda metade do século XX é que se começou a estudar a importância da saúde dos trabalhadores, relacionando-a à saúde da própria empresa, em termos de produtividade.

As doenças ocupacionais levam algumas siglas para serem melhor entendidas e classificadas. A conhecida LER – Lesão por Esforço Repetitivo – deixou de ser atribuída aos casos de maneira geral por ser muito ampla e não especificar a causa do problema como gerada pela atividade profissional. Qualquer pessoa pode ter LER: uma dona de casa, um esportista ou um trabalhador. Desta forma, as empresas poderiam encontrar alguma maneira de se isentar das suas responsabilidades. No caso de doença ocupacional, ou seja, gerada através da atividade profissional do indivíduo, a sigla adotada atualmente é DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho.

Os grandes causadores desse mal dentro das empresas são o stresse – sempre ele -, a linha de produção - onde os operários passam toda a sua jornada de trabalho ocupados com a mesma atividade física - e a área da informática – onde, igualmente, há esforço repetitivo durante toda a execução das tarefas. A digitação contínua e o uso constante do mouse causam grandes estragos nas articulações dos dedos, das mãos e dos braços. A partir da década de 90, com a invasão dos computadores por toda parte, essas doenças passaram a ser mais freqüentemente diagnosticadas. Foi assim que meu problema se desenvolveu.

Há 11 anos, comecei no meu primeiro emprego. Trabalhava na área de faturamento de uma pequena indústria de materiais higiênicos automotivos. Como em toda empresa despreparada para o crescimento e deslumbrada com ele, não havia qualquer preocupação com a saúde dos funcionários. Nesse caso, eu passava todo tempo diante do computador emitindo pilhas de notas fiscais para a entrega cada vez mais rápida das mercadorias vendidas. Lema da empresa: atendimento rápido e satisfação plena do cliente. Em cerca de 2 anos de atividades eu estava sendo submetida ao tratamento contra a tendinite, que, uma vez adquirida, não há cura. Já passei pelo tratamento pelo menos 3 vezes: gesso, injeções, antiinflamatórios, repouso, sessões de fisioterapia... Os resultados duram por um período de 3 anos, no máximo, depois recomeça-se a sentir os sintomas e tem-se que iniciar novo tratamento.

Mas nem todas as pessoas que trabalham em funções de risco estão condenadas ao mesmo fim que o meu. Há todo um trabalho de prevenção dessas doenças, como períodos de descanso e exercícios durante a jornada de trabalho. Uma empresa séria procura manter programas de saúde ocupacional dirigidos por profissionais capacitados da área de Medicina do Trabalho. Assim evitam-se situações desagradáveis para ambos os lados, como a reposição de funcionários doentes, processos trabalhistas e indenizações que poderiam ser evitadas.

É importante lembrar que a lesão que não é devidamente tratada pode ocasionar a invalidez da pessoa para suas atividades. Além de dores constantes, pode haver deformação do membro afetado e até a ruptura do tendão. Só não sei exatamente se esse lembrete é para vocês, caros leitores, ou para mim mesma.