quinta-feira, 26 de junho de 2008

Desabafo

Há momentos em que gostaríamos de sumir. Sumir mesmo. Desaparecer deste mundo e surgir em outro lugar onde tudo que nos incomoda não exista. E que esse sumiço também gere em nós uma profunda amnésia das coisas que nos trazem tristeza, raiva e desconforto. Ou dormir. Dormir profundamente, um sono sem sonhos, e acordar apenas quando a noite tiver passado e o sol estiver a raiar outra vez.

Há momentos que gostaríamos de não vivê-los. Quem nos dera amadurecer sem ter que passar por eles! Quem nos dera a vida nos oferecesse uma escola que não fosse ela própria, onde sentássemos em seus bancos e aprendêssemos todas as lições na teoria, sem recorrer à prática. Então faríamos provas escritas sobre dor, perda, tristeza, ilusão, irresponsabilidade, sucesso, autoconfiança, escolhas... E assim estaríamos prontos a viver a vida sem desencontros, erros ou preocupações.

Há momentos em que o mundo parece pesar nas nossas costas e isso nos impede de gritar a plenos pulmões, a única coisa que gostaríamos de fazer, como se o grito, sendo expelido, levasse com ele tudo que nos assola o coração. Então, lembramos dos dias em que o que nos cerca não existia em nossas vidas e não fomos capazes de aproveitar tudo que aquele momento nos proporcionava. Como gostaríamos de voltar lá e resgatar os instantes de prazer e despreocupação, em que “éramos felizes e não sabíamos”! Como gostaríamos de desfazer o que foi feito, dizer o que não foi dito, ver o que não foi visto...

Haverá momentos em que tudo ficará para trás e, talvez, consigamos até nos divertir com algumas lembranças ou suspirar de alívio com outras que, enfim, foram superadas. Essa certeza é o que nos impulsiona a ir adiante encarando o que hoje se agiganta diante de nós. Não sei se felizmente ou infelizmente, não há teorias que ensinem algumas lições que só a prática é capaz de fazê-lo, e há situações que precisam ser vividas, pois fazem parte do curso natural da vida.

Este é o momento de viver o que a vida nos propõe e esperar que venham dias melhores.

sábado, 14 de junho de 2008

Convento da Penha

Ele é um dos maiores e mais antigos monumentos religiosos do Brasil e está localizado em Vila Velha, minha cidade. Ele fica a 154m de altitude e tem esse nome, obviamente, por ter sido construído numa penha. A imagem que habita por lá, uma das muitas Senhoras ditas mãe de Deus, também recebeu o nome de Nossa Senhora da Penha. Segundo a religião católica, ela é a padroeira do estado do Espírito Santo.

Tudo começou nos idos de 1558, quando o frei franciscano Pedro Palácios, espanhol, chegou à Vila do Espírito Santo com os portugueses e fez sua morada uma gruta ao pé do morro onde hoje está o convento. Ele trouxe consigo um quadro da até então Nossa Senhora das Alegrias e mais tarde encomendou uma imagem da mesma a um escultor de Portugal.

Muitas são as lendas em torno do monumento e da santa. A mais famosa de todas explica a construção no cume do monte. Reza a lenda que o padre fez uma capela próxima à gruta onde morava e lá expôs o quadro da santa. Por 3 vezes o quadro desapareceu, tendo sido encontrado no cume do morro. Dessa forma, ele entendeu que era o desejo dela que seu santuário fosse construído lá em cima. E assim se fez anos mais tarde, começando com uma capela simples e passando por várias ampliações e reformas no decorrer dos anos, tornando-se o que é hoje.

Uma curiosidade a respeito da construção e manutenção do convento, é a quantidade de escravos* de que os franciscanos, habitantes do local, dispunham. Além da construção, a mão-de-obra era a mais diversificada possível, cuidavam da limpeza interna e externa, do gado, das lavouras e dos pomares. Sabe-se até de escravos músicos, utilizados nas solenidades e festas religiosas. Havia ainda o costume de se alugar escravos dos donos de terras durante os festejos e procissões, em que eles não só ajudavam nos preparativos como também eram colocados nas ruas para conseguir esmolas para o convento. Quem visita tão bela e imponente construção, deveria não só ficar fascinado pela belíssima arquitetura, mas também penalizado pelo árduo trabalho não pago empregado ali. Basta observar o tamanho das pedras nas paredes e calçamentos, e a altura e distância que elas foram descoladas pela força dos pobres escravos.

Logo após a páscoa começa a Festa da Penha, aniversário do convento e da padroeira, que causa grande movimentação em Vila Velha. São vários dias de procissões, romarias, visitações ao convento e missas em agradecimento ou pedido de graças. Neste ano comemorou-se o 450.º aniversário do convento e, para tal comemoração, a santa e o bebê em seu colo receberam presentes especiais. Há algum tempo suas coroas de ouro e brilhante foram roubadas. Este ano um joalheiro da região presenteou as esculturas com novas coroas de ouro cravejadas de diamantes e topázios rosas e azuis, que simbolizam as cores da bandeira do estado e também combinam com o manto da santa.

Há algum tempo eu planejava escrever a respeito do convento, que é uma referência cultural importante na minha cidade. Por ocasião da Festa da Penha, que aconteceu no mês de abril, e pela minha visita ao monumento há algumas semanas, veio a motivação para o texto. Você pode se perguntar por que eu estou escrevendo a respeito de assuntos que vão de encontro aos meus princípios religiosos. Explico: a finalidade deste post é simplesmente cultural e informativa. Meu desejo com a série “Espírito Santo – Minha Terra” é, independente das minhas crenças e discordâncias, mostrar tudo que for possível a respeito da cultura e da história do estado onde vivo, e o catolicismo português teve grande influência aqui como em todo o resto do país. Dessa forma, seria incoerente falar de história e cultura sem mencionar a religião que as influenciou. Imparcialmente.

A despeito de sua simbologia religiosa, fica aqui mais um registro cultural sobre o Espírito Santo. Abaixo, fotos feitas por mim durante o passeio, todas com legenda para que se tenha idéia da dimensão abrangida pela vista, que é o que há de mais belo no local. Lindo, lindo, lindo...

*Informações obtidas através da obra Páginas de História Franciscana no Brasil, Editora Vozes, São Paulo, 1957, do historiador Frei Basílio Röwer



Clássica foto do Convento com suas imponentes palmeiras.

Eu e Nil no pátio principal, onde acontecem as festas.

A rampa de pedra que dá acesso ao santuário. Cercada pela Mata Atlântica, pode-se observar macaquinhos pelas árvores durante a subida.

Minha querida Vila Velha, o lado do litoral e o interior da cidade.

A Terceira Ponte, que dá acesso à Vitória (passo por ela todos os dias a caminho do trabalho) e a propriedade do Exército ao pé do morro.

O pátio principal e a escadaria contornada pela mata.

Obra que retrata as procissões na época da república; placas afixadas pelos fiés na entrada do corredor principal, ao lado da capela.

Escultura de frei Pedro Palácios; parte do Convento.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Hoje é dia de namorar!


Achei linda essa imagem do Google para ilustrar a data de hoje. É exatamente isto que eu desejo: comemorar muitos dias dos namorados com meu amor, até quando formos assim, velhinhos.

Interessante que nos últimos dias li e ouvi muitas coisas sobre ser solteiro. Não se pode negar certas vantagens de um estilo de vida individualista. Não ser contrariado nas decisões cotidianas, não precisar convencer outra pessoa quanto à nossa vontade, não ter que dar satisfação, ir e vir como e quando quiser (meio egoísta tudo isso, né), ter a casa sempre arrumada (isso é para nós, mulheres), conseguir fazer uma dieta de verdade, ter tempo para investir mais em si mesmo, enfim, ser dono do próprio nariz. E não adianta dizer o contrário, na prática, quem está com alguém não é dono do próprio nariz.

Minha conclusão é que as vantagens em estar casada superam, e muito, as de ser solteira. Não quero com isso desmerecer quem prefira viver só, cada um é feliz à sua maneira e essa é a minha. Pois bem, mesmo abrindo mão do “eu” de vez em quando, nada se compara a ter alguém que se preocupa conosco, que procura nos agradar, com quem podemos compartilhar tudo em todos os momentos, que nos faz uma massagem nos pés quando estamos muito cansadas, alguém com quem planejar e realizar, alguém para, simplesmente, abraçarmos por longos minutos e nos sentir amadas e seguras. E vice-versa, claro!

É verdade que um relacionamento não é só isso. Existem sim os desentendimentos, os desagrados, as crises, o cansaço, a rotina, mas são todas essas coisas que fortalecem e amadurecem os sentimentos e a relação. Viver só de romance existe apenas em contos de fadas. Ainda assim, vale muito à pena.

E você, o que pensa sobre isso?

Espero que todos tenham um dia maravilhoso e uma noite especial com seus amores, e que isso não se restrinja apenas a esta data, mas que o amor possa ser celebrado sempre!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Pedra dos olhos

Tenho passados por dias bem corridos, com muitos afazeres e alguns dissabores também. Devido a isso, tem sido difícil dar atenção a este bloguinho e impossível visitar os blogs amigos. Alguns deles até me abandonaram, deixando de comentar aqui, creio que imaginando que eu os tenha esquecido. Mas não se trata disso, de forma nenhuma. Logo, logo espero poder voltar à minha rotina de passeios virtuais. Então, quem sabe meus amigos fujões voltem a passar por aqui também.

Como não consegui tempo para elaborar um novo texto ou terminar alguns que já tenho no forno, posto hoje algumas lindas fotos que são um presente do meu sobrinho, o Flávio. Ele fez as fotos há alguns meses durante um passeio à Pedra dos Olhos, uma elevação rochosa interessante que fica dentro de uma reserva ecológica de preservação da Mata atlântica, em Vitória, próxima a casa dele. De lá pode-se ter uma bela vista da capital da minha terrinha.