quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Saudade...

Como prometi no último post, eis a minha dose de nostalgia.

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Aprendi a costurar quando tinha uns 14 anos de idade. Mamãe me ensinou o método que ela aprendeu quando eu nem havia nascido ainda. Ela tinha a preocupação de que eu fosse, no futuro, uma boa dona de casa, que soubesse cozinhar, lavar, passar e cuidar bem de uma casa (esse era o seu mundo). Acho que por isso me ensinou a costurar também. E eu aprendi direitinho e fiz muitas roupas, não só para mim como para outras pessoas, inclusive para a mamãe!

Na adolescência, quando eu ainda não trabalhava, mas queria ganhar dinheiro que não fosse do meu pai, eu aceitava encomendas das minhas amigas e das minhas irmãs, que, ao contrário de mim, não foram boas alunas da mamãe, hehe. E as roupas ficavam legais, eu era bastante caprichosa e cuidava bem dos detalhes e acabamentos.

Durante muito tempo eu costurei. Mesmo depois que comecei a trabalhar, quando tinha uma folga fazia alguma peça, agora só para mim mesma, para não perder o hábito. Afora as peças de vestuário, cheguei a confeccionar lindas cortinas e capas de almofadas para a minha antiga casa, quando me casei e mudei para lá. Mas o tempo foi ficando cada vez mais escasso e acabei por parar de vez.

Nunca cheguei a comprar uma máquina de costura, sempre usava a da mamãe. Mesmo depois que me casei, quando queria fazer alguma coisa ia para a casa dela e costurava em sua máquina, uma Singer Facilita antiga, onde foram feitas várias peças do meu enxoval de nascimento... Faz tanto tempo que parei usá-la. Ela sempre me deixava nervosa por ser tão antiga, mas às vezes bate uma saudade...

Ultimamente tenho ficado encantada pelas peças criadas para o lar, coisas de blogs craft que vejo de vez em quando. Já não tenho tanta paciência para confeccionar roupas, pois exigem tempo e dedicação, recursos que ainda me faltam para tal. Mas ainda penso em comprar minha primeira máquina, uma Singer Facilita como a da minha mãe – porém, mais moderna, rs.

Hoje a costura tornou-se, para mim, algo distante e nostálgico. Resume-se em alguns utensílios básicos que me permitem resolver situações de última hora, coisas do dia-a-dia, como fazer uma bainha à mão, pregar um botão, cortar um fiapo de linha solto na barra de alguma peça. A costura, para mim, tornou-se doces lembranças dentro de uma caixa. Minha caixa de costura.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Um ar de nostalgia por aí

Nas minhas últimas visitas virtuais aos blogs amigos, notei que certo vírus nostálgico contaminou algumas pessoas.

Primeiro foi o Adelino com suas peripécias infantis junto à caixa d’água de sua casa, cuja descrição me encantou. Depois foi a vez da Christiane com poema e imagem sobre a antiga brincadeira de pular amarelinha que me fizeram viajar para bons momentos da minha infância. Em seguida foi a vez da Aninha contar sobre as bonecas de pano, fruto das mãos sempre atarefadas de sua querida mãe e mestra.

Devo confessar que essa última narrativa me contagiou com o vírus também e fiquei doente de saudade. Agora me vejo criando um post para compartilhar minhas lembranças e só assim ficar curada. Mas ficarei em repouso por mais alguns dias, quando finalmente postarei minha dose de nostalgia por aqui. Que tal você se deixar contaminar também? Confira a minha história na semana que vem e não deixe de contar a sua! Até...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ah, um sobradinho...

Hoje quero dar início a uma nova série aqui no blog. Trata-se de uma lista de desejos que eu gostaria de realizar durante o que resta da minha vida – não que eu pense que me resta pouco tempo, mas, considerando a expectativa de vida do brasileiro, quase metade da minha já ficou para trás.

Quero iniciar esta série contando sobre um desejo especial e muito antigo, quase infantil, que norteia minhas pequenas e mais íntimas ambições: a construção de um sobradinho.

Meu pai sempre trabalhou na construção civil, era mestre de obras, e eu cresci vendo muita coisa relacionada a esse assunto bem de perto. Talvez a arquitetura fosse a segunda possibilidade mais interessante de carreira para mim, mas, como sou péssima com cálculos, desisti da idéia. Ainda assim, sempre leio a respeito e tenho pilhas de revistas sobre o assunto, das quais não absorvo apenas a lindas fotos, mas todos os detalhados textos sobre as execuções dos projetos.

Sendo assim, desde muito cedo acalento o desejo de poder construir meu ninho, um sobrado aconchegante e com ares rústicos de tijolos aparentes, grandes portas e janelas envidraçadas e um jardim nos fundos, onde eu possa receber meus amigos e minha família para gostosas refeições informais numa mesa de madeira com bancos ao redor.

Por muito tempo deixei esse desejo na gaveta. Depois de me casar, fui morar numa casa grande, segundo andar de um prediozinho que meu pai me deu, um lugar sem grandes atrativos, bem convencional. No início deste ano resolvemos trocar a casa por um apartamento pequeno perto da praia. É um cantinho gostoso e aconchegante para um casal, mas minúsculo para receber. Além disso, não seremos um casal para sempre, algum dia a família aumentará e aí ficará complicado permanecer num espaço tão pequeno.

Há alguns dias decidi que quero fazer renascer o desejo de construir meu sobradinho. Quero uma casinha de duas águas, com telhado vermelho, que tenha espaços amplos e integrados e muita luz natural. Quero flores e gramado e algumas ervas frescas da horta para perfumarem minha cozinha. Quero esse cantinho gostoso, sem grandes ostentações. Apenas um lugar idílico, aprazível a mim e a todos os queridos a quem gosto de manter ao meu redor.

Foto daqui.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Fim de férias, leitura, papai...A vida continua

Eu tinha que vir aqui deixar minhas impressões sobre o livro que terminei de ler, Paixão Índia. É uma excelente opção de leitura para quem gosta de um bom romance e de boas doses de conhecimento sobre culturas exóticas como as do Oriente.

Como escrevi num tópico ao lado - apagado - enquanto ainda estava lendo o livro, trata-se de uma história que ocorreu no início do século passado, o casamento de uma bailarina espanhola, Anita Delgado, com um rajá indiano. O livro trás, com riquezas de detalhes, a descrição da vida na índia aos olhos de uma ocidental pobre tranformada em princesa, o tratamento entre as castas, a vida em sociedade no palácio e fora dele, a exuberância das riquezas dos marajás e suas extravagâncias e ostentações e todo o momento político do período – uma Índia dominada pela Inglaterra.

Além disso, claro, o livro conta como começou e como terminou a história de amor entre os dois personagens centrais e os conflitos sociais, políticos, religiosos e culturais gerados por essa união. Lá pela metade, o livro trás uma surpresa agradável que não vou contar qual é. Curiosos? Leiam, hehe!

Recomendo como um dos melhores livros que já li.

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Já reintegrada à minha rotina de trabalho há alguns dias – as férias v-o-a-r-a-m -, a vida vai aos poucos voltando ao normal, considerando que papai já está em casa novamente e as pernoites no hospital terminaram, por hora.

O tumor está lá, mas não existe câncer. GRAÇAS A DEUS! Porém, foram descobertos outros problemas que impediram a cirurgia. Houve uma seqüela devido a dois AVCs que ele teve há algum tempo e, por enquanto, operar não está no script. O tratamento continuará com remédios e depois veremos o que será feito.

Só ficamos tristes com essa morosidade toda por causa da sonda que ele está usando há três longos meses. Isso é muito incômodo para ele, tanto física como emocionalmente. Ele tem vergonha dela, não quer sair de casa para que ninguém saiba que ele a está usando. Além disso, tem que trocá-la de vez em quando e isso lhe causa muitas dores. Mas, pelo menos sabemos que isso se resolverá, cedo ou tarde.

Agradeço a todos que demonstraram seu carinho e atenção no post abaixo. Isso é muito válido em momentos como este que minha família tem vivido. Papai ficará feliz em saber dessa torcida em seu favor. Muito obrigada!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Dia dos Pais

Foi ontem, mas resolvi postar hoje porque ontem foi impossível e tenho algo importante a dizer.

O dia dos pais é comemorado no Brasil desde a década de 1950, mas há indícios de uma celebração aos pais na Babilônia, há 4 mil anos atrás. Acho importante que se comemore essa data, assim como o dia das mães, do amigo, da avó, dos namorados e tantas outras, apesar de concordar que todos os dias devemos cultivar o respeito, o amor, a solidariedade e todos os bons sentimentos em relação ao próximo, seja ele o pai, a mãe ou quem for.

Abordo esse assunto hoje porque ontem passei um dia diferente ao lado do meu pai. Estivemos juntos no hospital. Ontem ele foi internado para ser submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor na próstata. Ainda não sabemos a extensão exata do problema, somente depois da cirurgia saberemos do que se trata realmente. E não podemos esperar que a cirurgia seja tão tranqüila levando em consideração sua idade e seu estado de saúde debilitado há alguns anos. De qualquer forma, sinto-me positiva em relação ao procedimento. Papai é um homem muito forte.

Não posso dizer que tenha sido um dia feliz, mas posso dizer que estive ao lado dele durante quase todo o dia e durante toda a noite. E espero que, após essa cirurgia, possamos celebrar o dia dos pais por muitos anos. Em casa. Com saúde.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Amizade

Você já se perguntou por que tem amigos? Já se questionou sobre a importância, os riscos e a verdadeira necessidade de se aproximar tão intimamente de alguém? Vale mesmo à pena investir em relacionamentos?

Por incrível que possa parecer, conheço pessoas que não se arriscam em fazer amigos. Para alguns, existe o medo de se decepcionar com o outro, de se aproximar demais e se machucar. Normalmente, para quem já foi traído, mal interpretado ou rejeitado por alguém altamente considerado, é difícil voltar a confiar. E esse não é um sentimento tipicamente romântico. Todos os relacionamentos devem ser permeados pela confiança e, ademais, a amizade também é uma forma de amor. Conheci uma garota que, depois de ter sido rejeitada por algumas pessoas consideradas amigas devido a uma peculiaridade de seu comportamento que veio à tona, dificilmente se permitia estreitar laços de amizade com alguém e, quando isso acontecia, ela mantinha certa distância como mecanismo de defesa, até ter certeza de que o terreno era seguro.

Há também aqueles que têm medo de tirar a própria máscara e se fazer verdadeiramente conhecido por alguém. Para pessoas que vivem de mentira, a verdadeira amizade é algo muito perigoso, pois ela revela quem realmente somos, e podemos não ser tão bonitos quanto aparentamos. Melhor manter as aparências. À distância.

Existem, ainda, pessoas que simplesmente não querem incomodar nem ser incomodadas. Para tais individualistas, é demasiado trabalhoso receber e insuportável incomodar com visitas. Estão tão centrados em suas próprias vidas que não têm tempo nem alguém com quem se abrir sobre um problema, nem mesmo estão dispostos a ajudar os outros. Cada macaco no seu galho, ou, modernizando o antigo ditado, cada um no seu quadrado.

Fiquei impressionada com a quantidade de pessoas conhecidas que pude associar a esses três grupos que descrevi. Considerando que o Brasil é o país da aproximação, do aconchego, do abraço, do calor humano, quanta gente tem se fechado em seus casulos ou vivido de maneira superficial os seus relacionamentos! Claro que devemos ser sensíveis a companhias que nos são nocivas, para isso somos dotados de inteligência e percepção. Mas generalizar não é bom. Tenho visto bem perto de mim, pessoas definhando numa velhice solitária porque nunca confiaram em ninguém, ou porque nunca tiveram interesse em se relacionar, em se doar, em se importar verdadeiramente com alguém que não fosse consigo mesmo.

A alegria compartilhada com os amigos nos torna pessoas mais resistentes à dor, pois temos mãos para segurar; nos torna mais positivos em momentos de crise, pois temos em quem nos apoiar; nos torna mais leves, pois temos com quem falar. Sim, vale à pena se arriscar em ter amigos! Talvez nos decepcionem, nos mintam, nos façam chorar, mas, afinal, não somos passíveis dos mesmo erros para como eles? Ou nos consideramos pessoas perfeitas? Por que radicalizar? Talvez façam cair nossas máscaras, descubram nossos podres, mas, e daí? Viver livre de aparências tendo uma mão para nos sustentar não nos parece bem melhor? Talvez invadam nosso mundo confortável, mas não seria tão bom romper o silencio da nossa solidão com sonoras gargalhadas dadas a dois, a três, a tantos quanto possível?

Tudo vale à pena se a alma não é pequena*, e somos gigantes quando estamos cercados de verdadeiros amigos.
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*Fernando Pessoa
P.S.: Agradeço a você, querido Adelino, que me sugeriu aprofundar no tema 'amizade' ao comentar este post.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A veracidade dos sentimentos

Só experimenta a verdadeira alegria,
aquele que passou pela maior das tristezas;
Só sabe amar profunda e incondicionalmente,
aquele que foi odiado e hostilizado;
Só libera perdão ao seu agressor,
aquele que de suas agressões foi perdoado;
Só se torna grato,
aquele que passou pela maior das privações;
Só valoriza o que tem,
aquele que esteve a ponto de perder seus bens;
Só reparte o que tem,
aquele que reconhece que a vida é um dom imerecido de Deus;
Só é capaz de se desculpar,
aquele que se percebe um ser humano, tão comum quanto os outros;
Só tem fé,
aquele que pode prová-la através de suas ações;
Só supera a dor,
aquele que crê que o melhor sempre está por vir;
Só é verdadeiro,
aquele que provou o fel da mentira;
Só é amigo da sabedoria,
aquele que sabe nada saber (Sócrates);
Só oferece verdadeira e genuína adoração,
aquele que conhece a Deus intimamente;
Só é humilde,
aquele sabe exatamente quem ele é;
Só é verdadeiramente abençoado,
aquele que reconhece a soberania de Deus.

A primeira frase eu li num livro há muitos anos, do qual não me recordo o nome, e achei-a belíssima e profunda. Pensando nela, me surgiram as seguintes.