quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Amizade

Você já se perguntou por que tem amigos? Já se questionou sobre a importância, os riscos e a verdadeira necessidade de se aproximar tão intimamente de alguém? Vale mesmo à pena investir em relacionamentos?

Por incrível que possa parecer, conheço pessoas que não se arriscam em fazer amigos. Para alguns, existe o medo de se decepcionar com o outro, de se aproximar demais e se machucar. Normalmente, para quem já foi traído, mal interpretado ou rejeitado por alguém altamente considerado, é difícil voltar a confiar. E esse não é um sentimento tipicamente romântico. Todos os relacionamentos devem ser permeados pela confiança e, ademais, a amizade também é uma forma de amor. Conheci uma garota que, depois de ter sido rejeitada por algumas pessoas consideradas amigas devido a uma peculiaridade de seu comportamento que veio à tona, dificilmente se permitia estreitar laços de amizade com alguém e, quando isso acontecia, ela mantinha certa distância como mecanismo de defesa, até ter certeza de que o terreno era seguro.

Há também aqueles que têm medo de tirar a própria máscara e se fazer verdadeiramente conhecido por alguém. Para pessoas que vivem de mentira, a verdadeira amizade é algo muito perigoso, pois ela revela quem realmente somos, e podemos não ser tão bonitos quanto aparentamos. Melhor manter as aparências. À distância.

Existem, ainda, pessoas que simplesmente não querem incomodar nem ser incomodadas. Para tais individualistas, é demasiado trabalhoso receber e insuportável incomodar com visitas. Estão tão centrados em suas próprias vidas que não têm tempo nem alguém com quem se abrir sobre um problema, nem mesmo estão dispostos a ajudar os outros. Cada macaco no seu galho, ou, modernizando o antigo ditado, cada um no seu quadrado.

Fiquei impressionada com a quantidade de pessoas conhecidas que pude associar a esses três grupos que descrevi. Considerando que o Brasil é o país da aproximação, do aconchego, do abraço, do calor humano, quanta gente tem se fechado em seus casulos ou vivido de maneira superficial os seus relacionamentos! Claro que devemos ser sensíveis a companhias que nos são nocivas, para isso somos dotados de inteligência e percepção. Mas generalizar não é bom. Tenho visto bem perto de mim, pessoas definhando numa velhice solitária porque nunca confiaram em ninguém, ou porque nunca tiveram interesse em se relacionar, em se doar, em se importar verdadeiramente com alguém que não fosse consigo mesmo.

A alegria compartilhada com os amigos nos torna pessoas mais resistentes à dor, pois temos mãos para segurar; nos torna mais positivos em momentos de crise, pois temos em quem nos apoiar; nos torna mais leves, pois temos com quem falar. Sim, vale à pena se arriscar em ter amigos! Talvez nos decepcionem, nos mintam, nos façam chorar, mas, afinal, não somos passíveis dos mesmo erros para como eles? Ou nos consideramos pessoas perfeitas? Por que radicalizar? Talvez façam cair nossas máscaras, descubram nossos podres, mas, e daí? Viver livre de aparências tendo uma mão para nos sustentar não nos parece bem melhor? Talvez invadam nosso mundo confortável, mas não seria tão bom romper o silencio da nossa solidão com sonoras gargalhadas dadas a dois, a três, a tantos quanto possível?

Tudo vale à pena se a alma não é pequena*, e somos gigantes quando estamos cercados de verdadeiros amigos.
____________
*Fernando Pessoa
P.S.: Agradeço a você, querido Adelino, que me sugeriu aprofundar no tema 'amizade' ao comentar este post.

14 comentários:

Alice disse...

amigo é amigo até que prove o contrário, e se provar, é porque não era tão amigo assim não é !!


bjkassssss

Aninha Pontes disse...

Célia querida, lindo seu post.
Eu simplesmente acho inacreditável quando vejo pessoas com essas características.
Claro, que isso deve-se ao fato de eu ser como sou, uma verdadeira "boca aberta".
Tenho muitos, mas muitos amigos, e quero sempre mais. Tenho carinho para dar a todos.
E me surpreendo todos os dias, com a alegria que essas amizades me trazem.
Um beijo amiga.

Georgia disse...

Celia, lindo seu texto. Eu me enquadro nas amizades com decepcoes. Foram muitas que depois de ajudá-las em vários sentidos elas se vao. Me parece que sentem vergonha de terem precisado de ajuda. Por isso, mesmo que eu invista muito ainda nas amizades confesso que tenho os DOIS pés atrás e vou por esse campo minado com muito cuidado. Sou uma pessoa que me tranco e fico observando mais do que me dando. Mas qdo sinto que alguém precisa de ajuda, de uma palavra sei tb que lá estou eu, sincera e por inteira. Nunca espero que me facam o mesmo, pois isso nao seria correto. Acho que as coisas têm que se dá e acontecer naturalmente.

Grande beijo

Andréia disse...

eu concordo com vc + não tive sorte com amigos... todos nasceram com múltiplas faces e eu nunca sei com quem estou lidando..

agora só Jesus é meu amigo. Ele me ouve, me responde, chora comigo, ri comigo e zoa comigo. é mais do que eu preciso!

ate+ fofa

Débora disse...

ai que lindo *-* Confesso que eu não seria nada sem meus amigos. E eu agradeço sempre pelos meus, quando olho ao meu redor, e vejo a falsidade entre as pessoas. beijinhos :*

Aninha Pontes disse...

Um lindo final de semana minha amiga.
Beijos

Adri /Dri /Drika disse...

Celia me identifiquei um pouco com o que voce descreveu, mas consegui romper algumas barreiras através dessa tecnologia que nos permiti aproximar... sou uma pessoa bastante introspectiva mas tento mudar e me tornar alguem mais calorosa... Bjoka ;)

Celia disse...

Já tive sim, algumas decepcoes, mas nao faco disso um motivo pra me fechar. Acho amizade uma coisa positivo e gosto de investir, agora com mais cautela. Um beijo

F. Junior disse...

amigo.
sem definição.
quem vive sem um?
até Jesus tem.

O Profeta disse...

Errantes sentires percorrem
Este corpo nu de calor
Queda-se a vontade ao vento
Neste deserto de verde amor

Ai este grito contido
É lava rubra em minha garganta
Pio de pássaro preso às penas
Uma reza a fugir de alma santa


Boas férias


Mágico beijo

Adelino disse...

Célia, como sempre, ótima a sua crônica, desta vez abordando o tema "amizade". Como definir "amigo"? Eu costumo definir amigo em poucas (poucas?) palavras:
Amigo é aquele que não cria constrangimento para o amigo. Que não lhe faz pedidos embarçosos. Que não se aproveita do "amigo" para conseguir uma vantagem qualquer. Que não falta com a sua solidariedade nos momentos ruins, por exemplo, a perda de um ente querido. Aquele se omite não é amigo. Que prefere ser problema, e não ser solução".
E outro ponto importante: não é "amigo" aquele que você lhe faz 999 coisas boas, mas ele jamais lhe perdoará pela única que você não lhe pôde fazer. E então as máscaras caem.
Mas existem certos acontecimentos e ocasiões que servem para triar, passar numa peneira, naquele grupo de pessoas que se dizem suas amigas. Alguns poucos passarão.
E talvez por isso tudo, acredito muito numa simples amizade virtual do que numa aparente amizade real. E, claro, não devemos generalizar. As exceções são muitas e estão por aí aos montes. Talvez eu volte ao tema.
Um beijo, Célia, obrigado pela citação ao meu comentário. Ótimo domingo e FELIZ DIA DOS PAIS PARA TODOS NÓS.

Pelos caminhos da vida. disse...

Primeira visita!

Lindo o post que fez sobre a amizade.


beijooo.

Celia Rodrigues disse...

É, acho que todos concordam com a necessidade que temos de nos relacionar entre amigos. Obrigada pela participação, pessoal!

Adelino, mais uma vez, obrigada pela sugestão e pelo relevante comentário!

Pelos Caminhos da Vida, Seja bem-vinda(o)! Irei conhecer seu cantinho em breve.

Abraços a todos!

Luciana Reis disse...

Quando eu era mais nova, não conseguia ter amigos íntimos. Geralmente, porque me enquadrava naquele grupo de pessoas que já se decepcionaram com algum "amigo" ou que já viu outros se decepcionando com eles. Sempre procurei aprender com os erros dos outros e com os meus, mas às vezes nós não aprendemos, nem com os nossos!
Falta de sabedoria, penso!
De todos os amigos que fiz, infelizmente, não é com todos que mantenho contato, de presença mesmo, me parece que a modernidade percebendo que isso aconteceria, providenciou canais de comunicação para impedir, talvez, que entre outras coisas, esse distanciamento chegasse ao ponto do esquecimento, a saber, Orkut, Blogs, E-mails, etc...

Amo meus amigos, os próximos, os distantes, e tenho tentado obedecer a Jesus, por mais difícil que seja, eu admito, amando meus inimigos também, pois, não parece às vezes, mas eles existem, infelizmente. Mas isso é assunto pra outro tópico.. rs

As características apontadas Celinha são reais, mas nós duas sabemos que há um amigo melhor, e que só quer estar perto, ser íntimo, em um relacionamento sem máscaras, sem faz de conta, que está sempre presente. Jesus!

A distância não diminuiu em nada o amor que sinto por você Celinha e agradeço a Deus por ter me presenteado com sua amizade.
Te amo amiga!!!

Luciana (mosquinha) rsrs