quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O que é o sucesso?

Tenho me feito essa pergunta constantemente nos últimos tempos. O dicionário me diz que ter sucesso é obter êxito, bons resultados no que se faz. Mas, será apenas isso? Posso ter um bom resultado em qualquer coisa que me dispuser a fazer desde que me dedique a ela, independente de aquilo ser importante para mim ou não. Sob o meu ponto de vista, não há sucesso completo se não houver prazer na realização.

O sucesso pode ser percebido e aplaudido por qualquer pessoa, mas se não é seguido de realização pessoal pode até adquirir um gosto de fracasso. Posso ser, por exemplo, uma ótima secretária, pois meu senso de responsabilidade me diz que devo desempenhar bem o meu trabalho, no entanto, posso detestar o que faço e almejar por desenvolver atividades que dão prazer. Isso significa que o sucesso que obtenho em minha profissão - a satisfação de meus superiores, os elogios ao meu desempenho e meus ganhos financeiros - não me torna uma pessoa realizada. Isso, definitivamente, não é sucesso.

O que motiva a escolha de nossas carreiras profissionais? Dois são os agravantes que nos levam a fazê-las de forma errada. Primeiro: a maioria de nós, brasileiros, somos lançados ao mercado de trabalho por necessidade. Isso significa que muitas vezes não optamos por uma carreira, mas nos adequamos àquela oportunidade que tivemos a “sorte” de conseguir. Segundo: mesmo quando temos a oportunidade de optar, essa decisão normalmente é tomada cedo demais, na época do vestibular, por volta dos dezessete, dezoito anos. É realmente muito difícil acertar, uma vez que não se é tão maduro e experiente nessa idade para se fazer boas escolhas. Admiro quem consegue.

Diante de tudo isso percebo que, cada vez mais, as pessoas estão mudando de rumo. Acabamos nos dando conta de que trabalhar apenas pelo sustento se torna tão desgastante que o bom desempenho ou os ganhos razoáveis em detrimento do prazer da realização não valem à pena. O verdadeiro sucesso tem que começar no nosso interior.

Mas, como mudar? Quais são as dificuldades de se optar por outra carreira quando não se é tão jovem? Não seria arriscado? Vale à pena abrir mão dos planos pessoais em nome da busca por uma nova carreira? Tantas questões envolvem esse assunto...

Falaremos sobre elas em posts futuros.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Quem somos?

"Ainda que percamos
toda a lembrança de nós mesmos,
sempre seremos
o que fomos
um dia."
Ouvi essa frase de uma pessoa que vivenciava, em relação a alguém de sua família, a perda da memória causada pelo Mal de Alzheimer.

Para quem não tem muita informação sobre essa doença degenerativa, o esquecimento de fatos recentes é um dos seus primeiros sintomas que, a princípio, pode ser confundido apenas com “coisas da idade”, mas que se agrava bastante com o avançar da doença. É como que viver do passado.

O Mal de Alzheimer é uma espécie de demência que até o momento não tem cura e não se sabe a causa. Alguns afirmam que o exercício constante da mente como leituras e atividades criativas e produtivas podem retardar ou mesmo evitar o desenvolvimento do processo doentio, mas essas teorias não passam de cogitação, nada foi comprovado até hoje.

Acredito que o sintoma mais cruel dessa doença é a degradação social. Não apenas pelo esquecimento dos fatos e das pessoas, mas pelo comportamento inadequado que o doente passa a ter. Ele perde o senso de responsabilidade e a noção do ridículo. Passa a agir como uma criança indisciplinada. Perde a dignidade. Conversar com alguém acometido pelo Mal de Alzheimer é perceber claramente que ele não “bate muito bem da cuca”. Muitos o olham de soslaio e aproveitam a primeira oportunidade de se afastar do “maluco”. É o mal e velho preconceito.

Isso nos leva ao título e à frase inicial do texto. Quem somos?
A experiência que tenho vivido me faz acreditar que os costumes, crenças e atitudes alimentadas no decorrer de nossa existência são refletidas nesse triste momento. Aquilo que fomos ao longo de nossa vida fará toda a diferença quando formos reduzidos a nada. Uma grande pessoa sempre será olhada com respeito, mesmo quando sua própria mente o diminuir.

Vale muito à pena fazermos de nossas vidas algo bom. Granjearmos uma família amada e feliz, colecionarmos amigos verdadeiros, doarmos um pouco de nós mesmos em benefício dos outros, aquecermos nosso intelecto, vivermos o máximo de momentos felizes que nos for possível. Isso significa cuidar de nós mesmo e do nosso futuro, qualquer que seja ele. Quando o presente se for de nossas mentes o que restará? Um arquivo de alegrias ou uma gaveta sombria, empoeirada e triste?