sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Quem somos?

"Ainda que percamos
toda a lembrança de nós mesmos,
sempre seremos
o que fomos
um dia."
Ouvi essa frase de uma pessoa que vivenciava, em relação a alguém de sua família, a perda da memória causada pelo Mal de Alzheimer.

Para quem não tem muita informação sobre essa doença degenerativa, o esquecimento de fatos recentes é um dos seus primeiros sintomas que, a princípio, pode ser confundido apenas com “coisas da idade”, mas que se agrava bastante com o avançar da doença. É como que viver do passado.

O Mal de Alzheimer é uma espécie de demência que até o momento não tem cura e não se sabe a causa. Alguns afirmam que o exercício constante da mente como leituras e atividades criativas e produtivas podem retardar ou mesmo evitar o desenvolvimento do processo doentio, mas essas teorias não passam de cogitação, nada foi comprovado até hoje.

Acredito que o sintoma mais cruel dessa doença é a degradação social. Não apenas pelo esquecimento dos fatos e das pessoas, mas pelo comportamento inadequado que o doente passa a ter. Ele perde o senso de responsabilidade e a noção do ridículo. Passa a agir como uma criança indisciplinada. Perde a dignidade. Conversar com alguém acometido pelo Mal de Alzheimer é perceber claramente que ele não “bate muito bem da cuca”. Muitos o olham de soslaio e aproveitam a primeira oportunidade de se afastar do “maluco”. É o mal e velho preconceito.

Isso nos leva ao título e à frase inicial do texto. Quem somos?
A experiência que tenho vivido me faz acreditar que os costumes, crenças e atitudes alimentadas no decorrer de nossa existência são refletidas nesse triste momento. Aquilo que fomos ao longo de nossa vida fará toda a diferença quando formos reduzidos a nada. Uma grande pessoa sempre será olhada com respeito, mesmo quando sua própria mente o diminuir.

Vale muito à pena fazermos de nossas vidas algo bom. Granjearmos uma família amada e feliz, colecionarmos amigos verdadeiros, doarmos um pouco de nós mesmos em benefício dos outros, aquecermos nosso intelecto, vivermos o máximo de momentos felizes que nos for possível. Isso significa cuidar de nós mesmo e do nosso futuro, qualquer que seja ele. Quando o presente se for de nossas mentes o que restará? Um arquivo de alegrias ou uma gaveta sombria, empoeirada e triste?

14 comentários:

Tetê disse...

Célia... quanto tempo, mulher!!!! Ficou mais bonita com esse novo visual! Parabéns pelo texto! Vez por outra é preciso parar para nos auto avaliarmos e avaliar a vida que levamos. É muita correria, os dias passam voando, mas vai chegar a hora em que vamos puxar o freio e aí temos que ter boas lembranças para recordar! Obrigada pela visita! Bks e bom final de semana! Tetê

Lucy Lordelo disse...

Tirando a poeirinha do blog. Muito bom isso e com um tema destes ainda!!! É preciso ficar atento aos sinais desta doença e tentar previni-la ou retardá-la, se possível. Fica a dica do último parágrafo.
P.S. Vc escreveu com maestria sobre o assunto, como sempre.
Bjinhos.

Aninha Pontes disse...

E é tão triste ver alguém que amamos, numa situação assim né?
Alguém que foi tão ativo, derepente, fica a mercê de outros, da vontade de outros.
Só muito carinho para aliviar o sofrimento deles e da família.
Um beijo

Meire disse...

Um processo de envelhecimento muito cruel na minha opiniao.

Bjs

Meire

Jannine disse...

Amiga, saudades suas!!!! Que bom que vc voltou.
OLha não tenho problemas em envelhecer, mas tenho pânico de doenças degenerativas como esta, para mim e para todos peço a Papai do Céu uma velhice de paz e dignidade.

simone disse...

Oi Célia,
precisamos viver intensamente todos os dias e da melhor maneira possível, de preferência junto com os queridos e evitar contendas. bjs. Boa semana. Simone

Grace Olsson disse...

Oh Célia, isso é muito complicado. OLha, minha familia tem uma doenca neurologica muitop parecida com essa...que nos leva a ter crises constantes de esquecimento. De fatos passados e recenetes que se misturam...
Nem gosto de falar sobre por que já chegou até mim...

Celia, já comprou meu livro?
Ele jáe stá à venda e preciso de seu apoio..
Beijos e dais felzies

Georgia disse...

Célia querida, que post lindo e reflexivo ao memso tempo.

Eu vi aquele filme Diário de uma paixao; acho que é assim a traducao para o portugues onde ele, já com certa idade lutava para trazer a memória da esposa de volta.

Adorei o filme e o tema que se discutiu foi este.

Seu post me fez lembrar desse filme. Sem dúvida alguma uma tristeza para os entes queridos que vêm seus pais envelhecendo sem mais se lembrar dos seus filhos...

Um grande beijo e um lindo fim de semana

Georgia disse...

Célia, visitando o blog da Heloisa, lembrei desse seu post de hoje; ela também falou sobre a terceira idade de um outro prisma.
Aqui o link:http://blogdavovohelo.blogspot.com/

Passe por lá, tenho certeza que você vai gostar.

Um beijao e boa noite

Silvia Masc disse...

Olá Célia, eu tenho um blog aonde posto assuntos sobre envelhecimento saudável. Achei muito interessante á sua abordagem, lembrei de um fato de alguem que me disse um dia: - "Sua mãe é uma velhinha muito fofa", ao que eu prontamente respondi : Minha mãe é fofa desde menina, ela só melhorou, os velhinhos ranzinzas sempre foram mocinhos ranzizas... oportunamente vou postar sobre a questão do humor dos idosos.
abraços
Voltarei mais vezes aqui.

Silvia Masc disse...

No Longevidade, falamos muito sobre o Alzheimer, incluindo indicação de grupos de palestras promovidas pela ABRAZ. (em São Paulo)
E no Longevidade agenda, indico uma série de filmes que nos fazem refletir sobre o envelhecimento.
abraços

Mary disse...

amiga qto tempo!!!! adorei o novo visual.. lindo post, minha vó teve esta doença, pior qdescobrimos muito tarde, por uns 2 anos convivemos com a idéia do "é coisa da idade", o próprio médico dizia isso, só tivemos a confirmação da doença próximo do falecimento dela.. se soubessemos de tudo antes as coisas teriam sido melhores e mais tranquilas.. esta doença já é complicada qdo se conhece ela, agora lidar com um doente sem saber ao certo o q ele tem é muito pior.. caminhão de beijos amiga e ótimo domingo..

Luma disse...

A minha tia era uma mulher super bem informada! Lia tudo que via pela frente, animada e conversadeira. Quando o Alzheimer atacou, ela esqueceu tudo que leu e era triste perceber que ela esquecia fatos importantes da vida dela.

Hoje, no programa da Ana Maria Braga, um psicologo disse que o esquecimento em idosos, pode também ser associado a depressão.

Beijus

Heloísa disse...

Célia,
Já havia deixado um comentário aqui, logo que a Geórgia me avisou sobre seu texto.
Não sei o que aconteceu.
Você tem razão em dizer que somos o que somos, ou o que fomos.
Tenho notado que mesmo na demência senil simples, as pessoas conservam suas características anteriores de comportamento. Já no Alzheimer, parece que as coisas mudam um pouco, pois surge a agressividade.
Bom o texto.