quarta-feira, 31 de março de 2010

O mundo é dos "fortes"

Imagem pesquisada no Google


Eu não acompanhei o Big Brother Brasil este ano, assim como já não acompanho há muito tempo, mas é impossível assistir a qualquer outra programação da Rede Globo e não ficar informado sobre o que se passou dentro da casa.

Algo que notei, não só nesta última edição, mas especialmente nesta, é que as pessoas que mais se destacam no programa – e por vezes vencem o jogo – são as ditas de personalidade “forte”. Leia-se por “forte”, briguenta, mal educada, ofensiva e hostil. É interessante observar que a maioria de nós associa gente bem resolvida àquelas que dizem qualquer coisa na “lata” das outras da forma como bem entendem. Poupar os outros, quem quer que seja, de ser ofendido é uma atitude totalmente desconsiderada e descabida nos nossos dias. Temos todo o direito de vomitar qualquer porcaria na cara das pessoas, ainda que quase sempre essa sujeira pertença a nós mesmos, aos nossos preconceitos, inveja e sentimentos destorcidos.

Levo totalmente a sério o antigo provérbio que diz, “Palavras são de prata, silêncio é de ouro”, e olha que a calma não é uma das minhas principais virtudes, embora pareça. Ao contrário do que se possa pensar, não defendo pessoas omissas e passivas que aceitam tudo sem se manifestar. O que repudio é uma pessoa pensar que pode se dirigir à outra com total falta de respeito, tanto nas palavras em si como na forma de pronunciá-las. Penso que em algumas situações o silêncio é a melhor opção, pois é uma forma de inibir esse sentimento destrutivo que todos nós carregamos. Palavras devem ser ditas sim, sempre, mas na hora e da maneira certas. E o momento da ira decididamente não é uma boa hora.

Mas o que se pode esperar de um programa como esse? As pessoas vibram com confusão, gostam da agressão verbal – e até física se possível –, sem esse ingrediente o programa não teria tanto sucesso. E ele revela esse lado feio que a maioria de nós carrega e valoriza: o desrespeito aos outros justificados pelos nossos próprios motivos, muitas vezes fúteis e egoístas. Tanto apoiamos esse tipo de comportamento que a prova disso é o vencedor dessa última edição, uma das criaturas mais rudes e agressivas que já vi – de longe, graças a Deus.

E fico a matutar: aonde foram parar virtudes como hombridade, amabilidade, empatia, sobriedade, sensatez? É, não se ganha nada cultivando esses tipos de fraqueza...

sábado, 20 de março de 2010

Eu não poderia deixar...

...de fazer menção ao terceiro aniversário do Prisma. Ele nasceu em março de 2007 e, ainda que com alguma dificuldade nos últimos tempos, conseguiu chegar até aqui. E apesar da ideia de encerrá-lo ter passado várias vezes pela minha cabeça, acho que ainda não chegou a hora do seu fim. Lanço-me o desafio de mantê-lo e torná-lo interessante como ele já foi, mesmo tendo o tempo como fator contrário a esse desafio. Para mostrar meu comprometimento com essa causa, eis o seu novo layout! Ainda não é o que eu queria de verdade, mas até que eu encontre quem possa resolver isso por mim, uma vez que sou totalmente leiga no assunto, vai ficando assim mesmo.

E como em toda comemoração tem que ter comida, não vou fugir à tradição, mas farei uma inovação aos costumes. Em vez de bolo, fica a foto de um delicioso quibe assado que fiz outro dia. Vocês não fazem ideia da delícia que ficou esse prato. A receitinha está aqui, caso alguém se habilite.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Quebrando paradigmas

Imagem pesquisada no Google

Sou uma pessoa que não gosta de improviso. Dar um jeitinho, ir se virando como se pode, o provisório que vira permanente, incompetência no que se propõe a fazer, são coisas que me desagradam profundamente.

Acredito nas coisas bem feitas, dou credibilidade àquilo que se baseia em alicerces bem construídos e acho que o que é naturalmente bom não basta, tem que ser acompanhado da perfeição proporcionada pela técnica. Penso que uma pessoa é mais respeitada quando seu trabalho trás o respaldo de uma boa ficha acadêmica. Sou essencialmente assim, mas outro dia fui impactada por duas histórias que abalaram esses meus conceitos pré-estabelecidos.

Como eu já contei aqui no blog, sempre estive bastante envolvida com música e, nos últimos tempos, tenho me enveredado por um caminho que torna bem possível a minha profissionalização nessa área, o que requer mais que apenas talento, requer principalmente estudo, capacitação, que é um caminho um tanto longo na área musical, mas imprescindível no meu ver. Até agora o único instrumento com o qual trabalho é a minha própria voz, mas está chegando um momento em que isso não basta. Aí entra aquela minha antiga história com o piano, que já não se trata apenas de uma paixão pelo instrumento, mas da necessidade de aprendê-lo para a possível inclusão numa nova faculdade, a de música.

Acontece que tenho tendinite no punho direito.

É incrível como os obstáculos se erguem à frente dos nossos alvos. Quando isso acontece, fica a preocupação de investir em algo tão importante e futuramente ver os objetivos escorrendo por entre os dedos, comprometidos por uma disfunção das minhas próprias mãos. E para mim, está fora de questão assumir um trabalho de forma amadora.

Pensando nessas coisas, e um tanto triste com o obvio reafirmado pela opinião dos mais próximos, comecei a ler sobre a carreira de dois músicos. Uma trata da história do maestro João Carlos Martins e sua saga de superação. Esse renomado músico – pianista – teve sua mão direita quebrada num jogo de futebol. Tempos depois desenvolveu LER (Lesão por Esforço Repetitivo – a famosa tendinite) na mesma mão e, como se não bastasse, foi vítima de um assalto cuja agressão em sua cabeça comprometeu os movimentos da outra mão (leia o resumo de sua biografia aqui). Você deve estar pensando que diante de toda essa tragédia ele encerrou sua carreira... Ledo engano. Basta visitar o seu site para ficar a par de sua agenda.

A outra é sobre o músico grego Yanni. Filho de músicos, ele herdou essa habilidade natural. É formado em psicologia e nunca estudou numa escola de música, sendo autodidata nesta área. No entanto, assistir aos seus concertos, que reúnem músicos de diversas nacionalidades proporcionando um show de cultura, é um verdadeiro deleite! Por não saber escrever música de forma convencional, criou uma forma própria. É um grande maestro!

Olhando por esse novo "prisma", não consigo enxergar o meu problema de tendinite ou a minha aparente falta de capacitação que tanto me incomoda. Outro dia me disseram “faça música com o que você tem nas mãos”. Não preciso ser perfeita para que só então a minha música aconteça. Apesar de continuar considerando relevante o que preceitua um trabalho primoroso, já não vejo essa postura como verdade absoluta e inflexível. Fico maravilhada com histórias como essas, capazes de nos abrir os olhos e nos fazer rever nossas convicções. E fico grata a Deus por me presentear com a sensibilidade de conseguir olhar em outras direções e perceber que os Seus propósitos não se resumem aos nossos padrões.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Primeira aula, pra valer

Imagem daqui

Apesar de eu me considerar uma mulher moderna e que tenta, na medida do possível, ser independente, confesso que gosto bastante de ser cuidada, protegida e que façam por mim coisas que eu não curto muito fazer. Essas coisas, penso eu, inclui dirigir automóvel.

Por incrível que pareça, sou uma mulher de 34 anos que não tem habilitação. Mas isso não é assim por pura falta de interesse. Passei muitos anos sem ter carro e quando me casei, eu e meu marido possuímos uma moto por algum tempo, transporte que eu jamais conduziria, até pela incompatibilidade física entre mim e ela. O tempo passou e eu fui protelando com a habilitação.

Quando finalmente compramos o carro, meu marido começou a me dar aulas de direção, mas apesar de ele ser uma gracinha de pessoa, paciente e gentil, a falta de didática muitas vezes faz alguns estragos. Percebi nessas aulas que eu não gostava de dirigir, e os métodos deles acabaram reforçando essa idéia em mim e me causando até alguns traumas de trânsito. Deixei o carro de lado e nunca mais quis tentar durante anos.

Claro que é incômodo sempre depender de alguém para ir a todos os lugares, mas a gente vai se ajeitando. Nosso trajeto de trabalho é o mesmo, então não há problemas para o Nil me levar e buscar. Nos fins de semana estamos sempre juntos. E em apenas algumas situações – costureira, salão de beleza, shopping – ele reclama um pouquinho em ter que me acompanhar, mas é sempre um gentleman.

No entanto, como tudo na vida passa, essa fase também está para acabar. Começamos a visualizar algumas situações que exigem que eu divida essa tarefa com ele. Que situações? Ah, por exemplo, a possibilidade de a família vir a crescer num futuro próximo. Esse seria um bom motivo para eu ter me virar mais sozinha, neh.

Pensando nessas coisas, hoje às sete da manhã fui até a auto-escola. Minha primeira aula de trânsito, pra valer. E eu me saí bem, quem diria! Até já circulei por algumas vias de tráfego razoável.

E agora estou aqui a pensar: Será que eu realmente não gostava de dirigir...?