segunda-feira, 31 de maio de 2010

E como fica a palmada educativa?


Tramita no congresso nacional um projeto de lei que altera o ECA, visando a proibição de qualquer tipo de “agressão” física, por “mais leve que seja”, às crianças. Leia-se por “agressão”, palmadas, safanões, beliscões ou qualquer outro tipo de punição física. As opiniões divergem. Há quem defenda a intenção da legisladora e há quem não concorde, defendendo a autonomia dos pais na educação dos seus filhos.

A discussão desse assunto teve como ponto de partida o caso amplamente divulgado da procuradora que espancava a criança a quem pretendia adotar. Mas, convenhamos, há uma distância muito grande entre uma coisa e outra. Acho que é necessário ressaltar a diferença entre espancamento e correção. Enquanto a primeira tem como finalidade simplesmente maltratar, a segunda tem por objetivo ensinar com eficácia, forçar uma mudança de atitude. E, claro, deve ser uma medida adotada em situações extremas.

Para início de conversa, pais maduros, bem orientados, que amam seus filhos e se preocupam com seu futuro nunca serão capazes de fazer mal a eles, nem pelo excesso de correção nem pela ausência dela. Há certas situações em que uma simples conversa ou castigo não são suficientes, é necessário ser mais duro para que a criança compreenda a gravidade do que fez. Quem não aprende cedo a ter senso de responsabilidade por seus atos, não aprende nunca.

Lembro de uma vez em que surrupiei o lápis de uma colega. Eu tinha uns oito anos e fiz isso por vingança, porque ela tinha feito o mesmo com uma caneta de cor diferente que eu tinha. A mãe dela descobriu e foi até a minha mãe se queixar. Não levei apenas umas palmadas naquele dia, levei uma surra de chinela. E nunca mais repeti a peraltice. Sempre tive uma educação muito rígida no que diz respeito à moral. Essa atitude da minha mãe se devia ao fato de eu já ter consciência do meu ato e ainda assim tê-lo feito. Esse é o tipo de correção que eu defendo, pois se um pai se exime dessa responsabilidade, a vida o fará de forma bem mais cruel e, muitas vezes, amparada pela lei.

Devo reconhecer que não sou mãe – ainda – mas creio que como filha, e uma filha que já levou bem mais que algumas palmadinhas, posso falar sobre isso com propriedade. Um sonoro “não”, a retirada de algum privilégio, algumas palmadas ou safanões não são capazes de provocar trauma em criança alguma. A falta deles, no entanto, pode vir a formar gente da pior espécie, pessoas que cedo não aprenderam a ter limites e pensam que o mundo gira em torno de seus umbigos.

Crianças precisam aprender que um erro pode ter sérias conseqüências, muitas vezes dolorosas, isso faz parte da vida. No entanto, o equilíbrio é sempre o melhor remédio para tudo na vida. Os pais são os principais responsáveis pela educação e formação do caráter de seus filhos, mas isso não lhes dá o direito de maltratá-los com a desculpa de instruir. Conheço pessoas desajustadas por causa dos dois extremos, mas nunca por causa de uma ou outra palmada dada na hora certa.

“Aquele que poupa a vara odeia o seu filhos; mas quem o ama, a seu tempo o corrige.”
Provérbios 13:24

6 comentários:

Georgia disse...

Vamos ver no que isso vai dar...

Bjao

Cigarra disse...

Bem, devo me posicionar...
Não sou à favor de que nenhuma outra pessoa além do pai e da mãe da criança ou daquele que a cria o corrija.
Sou totalmente contra os pais (e avós) que ignoram o mal comportamento de seus filhos e acham tudo muito "bonitinho" e o inverso disso, quando tudo o que o filho faz é motivo para espancá-lo, enfim, seja qual for o extremo, isto faz com que eles se tornem indomáveis, e cheguem ao ponto de ficarem incorrigíveis, causando problemas graves, passíveis de punição inclusive judicial, aí, a palmada ou limite acaba chegando por outros meios... É lamentável, mas é o sistema!

Carmem Tristão disse...

olha que coisa! eu fui lendo, lendo, e tentando lembrar como era o versículo da bíblia que diz que o pai que ama usa a vara da correção. e você colocou no finalzinho! não corrigir, nao usar de autoridade, é criar um monstrinho dentro de casa. como você disse, sempre com limites.

juliana disse...

Ei Amiga, Muito interessante a publicação deste tema... Hoje é preciso alertar sobre a importancia da correção aos filhos.
Você esta de parabéns... Beijos da Juliana Fernandes

Aninha Pontes disse...

Célia:
Diferentemente de vc, tenho filhos e neto.
Você está certíssima quando fala sobre o equilibrio e o bom senso.
Não concordo absolutamente com essa lei.
Yambém não concordo, claro, com espancamento.
Mas nenhum pai ou mãe, que ame de verdade seu filho, e não seja desajustado, vai espancá-lo.
Agora, tenho certeza que muitos acontecimentos desagradáveis e violencias têm acontecido por causa da permissividade.
Lembra do caso dos jovens que espancaram a empregada doméstica, dizendo acreditarem que fosse prostituta?
Pois é, o que acha daquilo?
Eu tenho certeza, que é o "passar a mão na cabeça". Tanto que um dos pais, disse para o mundo todo, que os pobrezinhos não poderiam ficar presos, eram jovens, e não sabiam o que faziam.
Eu como mãe, teria dado uma bela surra no meu filho. Me sinto nesse direito.
Quero um homem de bem, que tem limites e respeito pelo próximo.
Mas é só a minha opinião.
Mas o tema é muito interessante.
Beijos meu bem.

Adri disse...

Celia acho que a tendência é: bons cidadões na cadeia é marginais na rua... já vemos isso hoje... sou da opinião que conversar é o melhor caminho, mas palmada nunca vez mau a ninguem. As vezes uma palmada soluciona problemas futuros... Muitas crianças nao respeitam pais e professores... antigamente nao existiam tantas leis, nao se houvia falar de tanta violencia e crianças tinham algum futuro... Acho que nao sao as leis que devem mudar, mas a base familiar... a final, violência atrae violência.