segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Lidando com os próprios fantasmas


Ah, os pais! Tantos deles não fazem idéia do tamanho de sua contribuição naquilo em que seus filhos se transformarão. E não falo de delinquência ou bandidagem, falo de comportamentos sutis da personalidade, da forma de agir diante de uma situação, de sentimentos do ser humano em relação a si mesmo.

Sei que os pais – a maioria deles, creio – desejam o bem de seus filhos. No entanto, muitas vezes sua postura, ainda que não seja intencional, desenvolve neles comportamentos difíceis de lidar por toda a sua existência.

Durante toda a minha vida, quando acontecia algo errado comigo ou em relação a mim, eu ouvia a seguinte frase: “Se você tivesse agido dessa forma isso não teria acontecido” ou “se você não tivesse ido lá teria evitado isso”. Se eu me machucasse, ou perdesse algo, ou sujasse a roupa, enfim, a culpa era sempre minha, não importava como ocorreu, eu poderia ter evitado. Isso naturalmente gerou em mim um incrível sentimento de culpa por tudo e, consequentemente, uma enorme dificuldade em me defender. Pois, como pode se defender alguém que já se condenou?

Quando somos crianças e até na adolescência, acreditamos piamente em tudo que as pessoas falam. Quando crescemos um pouco acabamos por perceber que há algo errado e que essa verdade não é absoluta, mas então o estrago está feito e lutar contra isso se torna muito mais difícil.

Tentar não me autoacusar por tudo e por nada é algo pelo qual tenho lutado há muito tempo e é impressionantemente difícil tentar arrancar aquilo que já está arraigado na gente. Mas tenho tido sucesso. Filtrar as situações é um exercício às vezes árduo e é necessário fugir da posição de coitadinha, tanto para saber me defender quanto para assumir as consequências daquilo que, de fato, é minha responsabilidade.

Mas como tudo na vida tem seu lado positivo, acredito que viver essa experiência, e entendê-la, me faz uma pessoa mais madura no sentido de estar atenta a não cometer o mesmo erro com meu filho, quando vier a tê-lo. Creio que essa será a melhor maneira de exorcizar esse fantasma da minha infância.

5 comentários:

vivendo disse...

Comigo sempre foi a mesma coisa...eu sempre podia ter evitado tudo, daí sou culpada até hoje por tudo!!beijo Vivi

Aninha Pontes disse...

Célia querida:
É um assunto bem complexo.
Aprendemos também a ser pais, na "marra".
Sabe o que é isso né? É difícil, pois temos sempre o medo de não estarmos acertando, apesar de querer só isso.
A vida nos ensina, mas é cruel. Nos bate muito também.
Um belo tema.
Um beijo

... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
... disse...

Amei esse texto e refleti sobre como estou educando meus filhos, preciso me policiar para não cometer os mesmos erros dos meus pais, beijinhos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Luma Rosa disse...

Existe tempo para tudo! Tempo para as experiências e tempo para sermos somente filhos. Dizem que somente quando somos pais ou mães é que nos tornamos amigos de nossos pais. Passamos a compreendê-los e melhor/pior, a fazer igual! (rs*) Bom fim de semana! Beijus