quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O que Ele fez




Todo fim de ano, nesse momento de transição, temos o hábito de olhar para traz e fazer aquele costumeiro balanço das coisas boas e ruins que vivemos em nossa jornada. Tenho observado, em mim mesmo e em vários comentários e textos lidos de conhecidos e não conhecidos, que enfatizamos as realizações, avanços e vitória que tivemos no decorrer do ano que está se findando. Dizemos também que, nesse ano Deus fez grandes coisas em nossas vidas. É importante reconhecer isso, principalmente para não cairmos em alguns erros, para amadurecermos em algumas áreas da vida e projetarmos algo para o nosso futuro, apesar de não termos controle sobre ele.

Quero compartilhar com vocês que estão lendo, uma coisa que tem martelado em minha mente nesse momento de reflexão: independente do que aconteceu no ano que está terminando, temos que voltar nossos olhos pra um tempo bem distante e celebrar o que Deus fez por nós há mais de dois mil anos atrás, que foi o fato de Ele deixar toda a sua glória, pureza, santidade, majestade, e habitar no meio de homens que o hostilizaram, que o consideraram impostor e se propuseram a matá-lo, torturá-lo, humilhá-lo, e até compará-lo a seu arqui-inimigo pelas realizações de seus feitos extraordinários e sobrenaturais.

Quando fixamos os olhos no que Ele fez, deixamos de ficar tristes e decepcionados e até deprimidos por algo que nós fizemos ou deixamos de fazer durante o ano. Mas quando nos lembramos dessa atitude de amar os que o odiavam, de dar vida aos que queriam matá-lo, de salvar os que não se achavam perdidos, brota em nós uma esperança de continuarmos prosseguindo mais um ano com um excepcional sentimento de gratidão por tanto amor. Essa atitude dEle se chama “Graça”.

Que em todos os nossos reveillon’s possamos lembrar apenas que Ele veio ao nosso encontro como um Pai vai ao encontro do filho que estava perdido, e nos dá todos os dias a chance de um novo recomeço.

A todos vocês, meus leitores, um feliz ano novo, com Ele!


Texto escrito por Nilton Rodrigues (meu marido).

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A deliciosa simplicidade da roça

Acaba de anoitecer e a janta está servida na mesa da varanda, aquela que, em vez de cadeiras, tem bancos compridos ao redor.

No cardápio, arroz branquinho e frango do próprio galinheiro, abatido pelas ágeis e habilidosas mãos da tia Maria. O feijão é da lavoura da família, colhido por eles, deixado secar no quintal e depois debulhado, grão por grão. E, por fim, a grande tigela de salada, tudo fresquinho tirado da horta há pouco.

A claridade meio tímida da lâmpada fraca recebe reforço do fogo que ainda queima no fogão à lenha logo ali do lado, e o seu calor, aconchegante à brisa da noite, quase chega a ser tão intenso quanto ao das conversas animadas, piadas engraçadíssimas e gargalhadas sem fim. E assim prossegue o jantar com tanta família junta, como nem sempre é possível ser.

Ao contrário da claridade avermelhada e aconchegante da varanda, o breu do entorno revela apenas os sons da noite que vem embalar o jantar numa educada orquestra que não atrapalha a conversa animada: ouve-se o coaxar dos sapos de alguma lagoa próxima, o perfeito o coral de grilos em todos os seus tons ritmos próprios e o miado do gato caramelo que circula ao redor da mesa implorando por alguma migalha. Ah, o gato... Quantos sustos eu levei com a sua calda roçando a minha perna sob a mesa...

Na roça o sono chega rápido. Todos logo se acomodam porque o dia começa muito cedo e, de repente a casinha inteira se apaga e a animada conversa dá lugar ao repouso absoluto...

E então, um sonoro co-co-ri-có serve de despertador, para mim pelo menos, pois os da casa já estão de pé há tempos. A final, há tanto para se fazer... Vacas aguardam impacientes no curral, em meio a insistentes mugidos, a ordenha iminente. Há um porco na engorda que espera para ser abatido. Espigas madurinhas no milharal esperam ser colhidas e transformadas numa deliciosa pamonha e a represa cheia de peixinhos fará a alegria dos visitantes numa animada pescaria. Melhor levantar logo, pois o canto do galo promete.

Ah, se a vida sempre acontecesse assim, simples como tudo devia ser...


Início de férias na roça da tia Maria, em Ecoporanga/ES


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sopa no pão italiano

Já tinha visto na internet, no site de alguma revista, e achei a idéia super simpática. Quando fui à Gramado no mês passado, encontrei um bistrô que servia, aí não resisti. Não só experimentei como coloquei na cabeça que faria em casa. E não é que deu certo?

Primeiro fiz para receber uns amigos. E como coloquei fotos no Facebook, outros se manifestaram querendo também, então fui pra casa de uma amiga no último sábado para fazer de novo.

Ah, mais do que cozinhar, mimar os amigos é bom, né...? Adoro!





quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cuspido e escarrado



Tem coisa mais desagradável do que esse termo? Difícil pensar como o original se transformou nisso.

Ele significa que alguém se parece muito com outra pessoa. Certamente que um cuspe e um escarro não têm absolutamente nada a ver com a história alguma de semelhança. Então...

O que ocorre é que celebridades, autoridades e personalidades, ao longo da história, sempre tiveram sua imagem esculpida em pedra, bronze, ferro e tantos outros materiais, como forma de homenagem e reconhecimento. Era bastante usual que se esculpisse alguém importante em materiais de valor, como mármore, por exemplo. O próprio Michelangelo costumava usar o tipo carrara para esculpír suas esculturas. Daí surgiu o termo “esculpido em carrara” para designar pessoas tão parecidas, como se uma fosse a cópia da outra.

Esculpido em carrara x Cuspido e escarrado. Tem dó!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ele fuma como um Caipora!



Quantas vezes ouvimos essa frase, dita principalmente pelas pessoas mais antigas. Eu já a ouvi inúmeras vezes e até já me peguei recitando-a, mas nem fazia ideia do que vem a ser um caipora. Mas como sou curiosa sobre a origem de tudo, fui em busca do que cargas d’água quer dizer isso.

Caipora é uma figura da mitologia tupi-guarani cuja finalidade é proteger os animais da floresta da ambição predatória dos caçadores. Dizem que ele confunde as pessoas fazendo barulhos, assoviando ou amedrontando de alguma maneira a fim de despistar o caçador e proteger a caça. No entanto, como todo mundo tem seu preço – pelo menos é o que afirmam alguns – o Caipora a-d-o-r-a fumo e também gosta bastante de cachaça. Daí, basta que lhe ofereçam um bocado de fumo de rolo, dizendo “Toma, Caipora e deixa eu ir embora” que o fulano faz vistas grossas para o caçador.

É por conta dessa obsessão lendária que se diz que o fumante “fuma como um caipora”.

Fonte de pesquisa: Wikipédia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nove anos!



Desde aquele dia a vida ficou mais bonita, mais feliz, mais gostosa de ser vivida. Nil é a prova de como Deus se esmera em cuidar de mim. E a cada ano que venho postar sobre essa data, percebo que nosso amor cresceu e amadureceu um pouco mais. Aonde isso vai parar, rs...?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Eu amo a Primavera!



Não apenas porque os dias são agradáveis, mais frescos que o verão da região onde moro, ou porque a beleza das paisagens que ela revela inspira a poesia dos que gostam de escrever e cantar como eu... Mas especialmente pelo que ela representa em sua real finalidade no ciclo das estações.

Na natureza, a primavera é o pré-núncio de tempos melhores. Depois de um longo e rigoroso inverno, que matou todo o verde das árvores e o colorido das flores, que impediu o solo de exercer seu papel de produtor, que inibiu a naturalidade de viver de homens e animais, enfim, depois desse forçado período de repouso, a natureza se revela pronta para renascer, para germinar e frutificar outra vez.

A vida devia estar sempre pronta para a primavera, para o recomeço, para o renascimento, assim como a natureza, apesar de todo tormento do inverno, sempre está.

E para brindar a chegada da estação mais bonita do ano, transcrevo a delicadeza e a sutil percepção da bela poesia de Cecília Meireles.

Primavera

"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Voltando à normalidade

“O ser humano se adapta a qualquer situação”. A gente ouve certas frases que só fazem sentido, de fato, quando vivemos uma situação que nos coloque de frente com essas verdades.

Um mês já se passou desde que o papai se foi e hoje conseguimos viver a normalidade da vida sem ele. Com saudade, claro, mas de certa forma, sem sofrimento. Com a mamãe é diferente, ela ainda chora quase todos os dias, mas é compreensível, afinal ela vivia uma unidade no relacionamento com ele. Hoje falta-lhe um pedaço. Mas isso também está dentro da normalidade, apesar da falta, ela está reagindo bem.

Outra verdade que se torna quase palpável num momento como esse é a realidade da fé que professamos. Normalmente afirmamos nossa crença numa vida eterna num plano divino, celestial, mas por mais que isso seja uma verdade nossa, é como se fosse uma realidade distante... Uma realidade que se aproxima de nós quando a morte também chega perto. E então experimentamos a paz que excede todo o entendimento, mais que a esperança, a certeza de um reencontro. O céu se torna estranha e repentinamente real! Viver essa experiência, apesar da dor que a envolve, é fantástico.

***

E para coroar a volta à normalidade, além do post que vem inaugurar uma nova volta à ativa aqui no blog, imagens do último feriado num passeio gelado à Serra Gaúcha.




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Papai se foi...

... E hoje não tenho palavras.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um raio de sol...

Tenho vivenciado situações que me fazem perceber a importância de celebrar a vida todos os dias. Acordar todas as manhãs e me sentir sã e bem disposta, com os pulmões cheios de ar e todos os órgãos em pleno funcionamento são dádivas incomparáveis d’Aquele que tem o controle de tudo em Suas mãos.

A vida, pelo seu fim e pelo seu início, deve ser vivida como um privilégio. Pelo seu fim, porque vejo depositado sobre o leito do meu velho pai todos os propósito e despropósitos de uma existência que chega ao fim, como dois lados de uma balança onde pendem o que valeu e o que não valeu à pena.

E pelo seu início, porque o cuidado divino sempre nos surpreende pela maestria com que Ele marca o começo de uma vida atrelado ao recomeço de outras tantas, para um futuro repleto de belíssimas possibilidades. Outro dia eles eram um casal impossibilitado pela natureza de se tornarem numa família, hoje eles são uma família: pai, mãe e filha, simples assim, como apenas Deus é capaz de realizar.

Nicole chegou de repente, depois de três longos anos de gestação em que as contrações aconteciam na alma, dia após dia. Ela finalmente chegou tão perfeita e tão oportuna como eles jamais esperavam! Nunca presenciei o nascimento de um bebê da barriga, mas tive o privilégio de presenciar um nascimento do coração, melhor, sinto-me parte desse nascimento, pois Nicole nasceu dos corações de todos nós.

Bem vinda, Nicole, amor da titia!

domingo, 3 de julho de 2011

Confeiteira de primeira viagem

Fiz pra comemorar o aniversário do marido. Bolo de baunilha recheado de doce de leite com ameixas. Achei que ficou muito bom pra uma leiga em confeitaria. Mas o que valeu mesmo foram os olhinhos dele brilhando ao ver o carinho em forma de guloseima.

Parabéns meu amor! Você é minha inspiração, sempre!



sábado, 18 de junho de 2011

A confusão em mim

Imagem da fotógrafa Junia Alves, acervo 1000 Imagens

Ontem tive insônia. Não é comum, na verdade, gosto muito de dormir e durmo bem. Mas aconteceu algo no decorrer do dia que me deixou elétrica, um desejo há muito acalentado que ainda não realizei, mas ontem tornei-o possível para um futuro próximo. E cheia de euforia, fiquei até lá pelas duas da matina sem conseguir pregar os olhos.

Foi quando, rolando de um lado para o outro, lembrei do papai. Aquele velhinho franzino, branco-avermelhado, implicante como ele só e com grandes olhos de anil, agora já com ares de cansaço da idade. Afinal, ter 81 anos não é para qualquer um e, apesar de seus últimos passos dados com dificuldade, custo encontrar para ele um páreo de força e resistência. Tem carinho nestas palavras, mas nem sempre foi assim.

Um velho turrão, foi como sempre o percebi. Nossas atitudes tão avessas, nossas idéias tão opostas, nossos conceitos tão divergentes, e tudo isso tão intensificado ao logo dos anos, fez com que as diferenças se agigantassem e as semelhanças fossem quase que totalmente ocultadas. E foi na primeira sessão de uma curta temporada de psicoterapia que fiz há algum tempo que me vi chorar copiosamente ao relatar como era e no que se transformou meu relacionamento com papai.

Quando criança, eu o abraçava, conversávamos, ele me buscava na escola vez ou outra e, quando chegávamos eu tirava pequenas peles ressecadas pelo sol que se desprendiam de suas orelhas. Em troca ele me contava histórias, quase todas as que eu sei. Ah, as histórias que até hoje me cativam... Olha aí a semelhança?! Como tantas outras esquecidas dentro de um baú, trancado pelas chaves da amargura, da decepção e da indiferença, sentimentos alimentados e colecionados a partir da adolescência, quando eu não mais era uma menininha obediente e facilmente dominada. Não nos tornamos inimigos, claro, mas a docilidade daquele relacionamento deixou de existir. E eu nem me dava conta de como isso me faltava!

Nenhum desses malditos sentimentos fazem sentido quando descobrimos que o amor é muito maior do pensávamos que ele realmente fosse. Sabemos o tempo todo que ele está lá, mas tantos sentimentos avessos apagam sua real intensidade. E percebemos que, de fato, é amor, pois as diferenças  também continuam lá, mas já não têm a mesma importância. E tão naturalmente, como nunca fora antes desde a infância, eu me vi chegar ao lado de sua cama de hospital e afagar seus cabelos brancos, e segurar sua mão para que a dor não lhe parecesse tão insuportável.

Acho que nem Freud explica isso. Não sou mais a garotinha de suas teorias, apaixonada por seu pai herói,  seu contador de histórias. Sou uma mulher descobrindo que amar seu pai é possível, apesar do abismo entre nossos mundos, apesar de nós mesmos.

Não sei se deixarei que ele leia isso, acho que ele não compreenderia a confusão de sentimentos que há em mim. Mas talvez eu o deixe saber, na prática, apenas da parte que diz que ele é amado. Só isso basta.

P.S. A insônia? Depois de escrever isso voltei para a cama pela terceira vez e adormeci com os olhos ainda úmidos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A vida é o que importa


“Morrer faz parte da vida”. Diz o senso comum em sua simplória filosofia. Faz algum sentido, se consideramos apenas a naturalidade das coisas. Mas, analisando o seu significado mais profundo, não vejo verdade nessa frase.

A verdade que vejo é no curso da existência, de que não fomos criados para a morte e, ainda que em algum momento a desejemos, a sua real proximidade nos faz mesmo é querer sobreviver a ela, seja como for.

Mas isso seria apenas um instinto?

Na verdade, o que pulsa dentro de nós é muito mais que apenas sangue e ondas cerebrais. O que move a vida é o ar dos pulmões do próprio Deus soprado em nossas narinas. Fomos criados pela Vida para a vida, isso explica nossa gana por viver. O divino e a morte se repelem, no entanto, coexistem paradoxalmente no ser humano, a benção e a maldição, numa constante queda de braço para ver quem leva a melhor. E em meio a essa competição acirrada, hora perdemos, hora ganhamos, mas vamos sobrevivendo.

O que mais perdemos da vida é o tempo. Acredito que vivemos, de fato, meia vida. A outra metade foi tempo desperdiçado. Perdemos oportunidades grandes e pequenas, aquelas que nos passam despercebidas e aquelas que poderiam transformar nossa existência. Perdemos a razão afetando nossa própria vida e a de outras pessoas. Perdemos o afeto, o nosso pelos outros e o deles pela gente. Isso tira o brilho da vida. A idade, ganhamos, mas perdemos o frescor da juventude. Ganhamos sabedoria, maturidade, mas também dor e desgaste. Perdemos amigos, amores, família. E pode chegar o tempo de perdermos até parte do que somos, do que temos de mais próprio. Então os nossos fragmentos tornam-se palpáveis...

Certas perdas, superamos, outras doem, machucam, levam consigo a alegria de viver. Mas, apesar delas, o fôlego divino permanece inteiro lá dentro. E então aprendemos: ainda que percamos pedaços de nós mesmos, viver é tudo o que realmente importa.

P.S. Dedico este texto ao meu pai.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quem não tem cão, caça “com” gato

Esse ditado não tem uma história, exatamente, mas uma particularidade que vale à pena ser esclarecida. Por acaso alguém já viu um caçador com um gato “encoleirado” indo à caça? Acredito que ninguém tenha presenciado cena tão inusitada. Então essa frase não faz muito sentido, certo...?

Na verdade, o dito original é: “Quem não tem cão, caça COMO gato”, ou seja, sozinho. Explicando: o homem não possui habilidades naturais para, por si só, sair à caça, necessitando da ajuda dos cães que, por sua vez, precisam de motivações e estímulos para tal (receber uma gratificação ou conhecer o cheiro do objeto da caça, por exemplo). Ao contrário dessas espécies, o gato sabe se virar perfeitamente bem para caçar as sua presa e tem uma maneira toda especial de fazer isso, se esgueirando de forma astuta, quase imperceptível. Além de fazer o que é preciso de forma bem feita, não depende de ajuda alguma para isso. Segundo o ditado, o bichano serve de exemplo para quem não pode fazer algo de maneira convencional, ou para quem se nega a resolver uma situação por falta de ajuda.

Depois desse pequeno esclarecimento, quando alguém recitar esse ditado para você, entenda que a pessoa quer dizer: “Se vira, meu filho!”.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Elefante Branco

Sempre gostei de saber a história por trás de uma situação. Constantemente me pego questionando, curiosamente, sobre o que levou uma palavra a ser dita, um costume a ser praticado, um comportamento a ser adotado, uma cultura a ser convencionada. Sou assim, gosto de significados e adoro história.

Pensando nisso, resolvi compartilhar com os leitores do Prisma algumas curiosidades sobre práticas que adotamos e ditos populares que incorporamos em nosso vocabulário. Eles costumam ter origens tão interessantes, mas que a maioria de nós infelizmente desconhece. Relacionei várias dessas histórias que chegaram ao meu conhecimento de alguma maneira – nem sempre me lembro como – e vou publicar aqui.

Elefante Branco

Antigamente, no reino de Sião, onde hoje se localiza a Tailândia, era costume do rei agraciar alguns de seus cortesãos com um elefante branco, animal sagrado para aquela cultura.

Acontece que o “presentinho” do rei, que por um lado poderia significar favoritismo do monarca pelo cortesão que era presenteado, acabava por se tornar um terrível transtorno para o “agraciado”. Por ser um animal sagrado, o elefante não podia ser posto a trabalhar como os outros animais. Como presente real, não podia ser recusado nem vendido, e muito menos sacrificado. Restava ao infeliz proprietário, acomodá-lo, alimentá-lo e mimá-lo com todo luxo e honrarias devidos a uma divindade, sem obter nenhum resultado de todo esse custo e trabalho.

Desse fato surgiu o termo “Elefante Branco” para designar algo que se adquire e do qual não se pode livrar, e que não tem nenhuma serventia, senão gerar despesa e trabalho inutilmente! É um termo bastante usado para se referir a obras públicas sem utilidade.

Imagem: Daqui


terça-feira, 26 de abril de 2011

Espaguete ao alho, óleo e algo mais...

Outro dia cheguei do trabalho louca por uma boa massa – que eu amo! – mas, que não me desse muito trabalho para preparar, considerando que o dia já tinha esgotado minhas energias. O espaguete ao alho e óleo caiu como luva para aquele momento. Fácil, rápido e delicioso!

Acesse o link abaixo para ver a receita.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lucas, revivendo

Outro dia eu escrevi sobre situação crítica de saúde do Lucas, meu sobrinho. Na ocasião estávamos muito preocupados e, tantas vezes sem esperança na sua recuperação. É justo voltar aqui para dar as boas notícias a quem compartilhou comigo esse momento difícil.

Foram quase quatro meses de internação, metade deste período na UTI, em coma induzido. Ele foi internado com um início de pneumonia que se complicou de várias formas chegando a um quadro de infecção grave. Médicos e enfermeiros disseram claramente que não havia mais nada a fazer senão esperar o momento de ele "ir embora".

Vivemos momentos de grande dor e, quando estávamos mesmo esperando sua ida, ele voltou para nós. Lembro de quando fui ao hospital visitá-lo, quando ainda estava na UTI, e cantei em seu ouvido uma antiga canção de ninar, que canto sempre para ele desde que era um bebê, pensando se seria a última vez. Mesmo sedado ele reagiu ao som e tentou pronunciar a primeira sílaba do meu nome, no que foi impedido de prosseguir por causa do tubo em sua boca... Meu coração, que até aquela hora estava tão pequeno, se encheu de esperança! Dias depois ele começou a apresentar pequenos progressos que aumentavam a cada dia. Ele reviveu...

Lucas já está em casa há algumas semanas, ainda sendo assistido pelos médicos em tratamento domiciliar e reaprendendo a viver. Às vezes tem crises de pânico e chora muito, mas está se recuperando rapidamente. Reaprendeu a comer, a falar (do seu jeito) e está reaprendendo a ir ao banheiro e a se movimentar. Começa a ter firmeza no tronco para ficar sentado sozinho. Voltou a sorrir e até já dá algumas gargalhadas!

Sempre que olho para ele, vivo e feliz outra vez, aprendo mais da soberania de Deus, ainda que eu não tenha respostas às minhas perguntas. Por um lado Ele nos permitiu ter o Lucas de volta, mesmo depois de tantos meses de sofrimento e ainda que isso signifique reviver tempos difíceis como o que passamos, visto que ele tem uma saúde delicada. Por outro lado, Ele levou minha amiga em apenas alguns dias, tão saudável e cheia de vida, e sem sequer nos dar a chance de acostumar com a idéia de sua ausência... Acho que nunca vou entender, mas aceito que Ele sabe de todas as coisas. E sou grata por isso.

Ainda sedado, na UTI, acompanhado da enfermeira e da mamãe

Em casa, antes da internação


segunda-feira, 28 de março de 2011

Cada macaco no seu galho

Imagem: pesquisa Google
E também os cachorro, gatos, coelhos, papagaios e o que mais for. Hoje vou levar ao pé da letra o ditado popular tantas vezes aplicado ao comportamento humano. Tem coisa mais inconveniente que chegar à casa de alguém e encontrar o animal de estimação da família zanzando pra lá e pra cá? Eu fico aborrecida... Tudo bem, você pode discordar de mim, mas deixe eu me explicar.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Parabéns, Prisma!


E o Prisma comemora seu quarto aniversário! Devo confessar que quando o criei, em março de 2007, não imaginei que duraria tanto. E, apesar de ter perdido um pouco o pique de blogar por causa da rotina, estou feliz por ainda estar aqui.

E para não perder o costume, ano novo, cara nova! Gostaram?

sábado, 19 de março de 2011

Ti-ti-ti


Sempre fui uma noveleira assumida, não tenho vergonha de admitir, hehe. Aliás, acho difícil que pessoas apaixonadas por histórias como eu não curtam novelas. Papai é uma prova disso, sempre esteve às voltas com um belo romance e, não diferente de mim, adora novelas.

Mas, apesar disso, não tenho assistido a muitas nos últimos anos. A rotina e os compromissos acabam assumindo todo o tempo da gente e deixamos de nos permitir certos prazeres inúteis de vez em quando. Além disso, as novelas há muito deixaram de ter o encanto que tinham antigamente.

Nos últimos meses, porém, eu revivi momentos deliciosos da minha adolescência com a trama de Ti-ti-ti, novela global das 19 horas que, na verdade, é um remake da versão exibida na década de 1980, mas infinitamente melhor desta vez. Era o que faltava na teledramaturgia atual, uma história divertidíssima, com personagens engraçadíssimos e generosas pitadas de romance, o que não pode faltar a uma boa história.

Nesta semana Tititi se vai e me deixa cheia de saudades mais uma vez. E fico eu aqui, prometendo a mim mesma que não vou me render aos encantos de outra novela... É sempre assim com os noveleiros...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Preguicinha...


Escrevendo absolutamente nada nos últimos dias. Um sono fora do normal. Dormi muito durante o carnaval, mas parece que não foi suficiente. Aliás, que carnaval mais diferente! A chuva não deu trégua - e ainda não está dando - nem um dia sequer. Acho que esse tempinho contribui para essa indisposição...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Redenção


É uma fase um tanto instável. Momentos de risos outros de lágrimas, acertos e desacertos, indefinições, situações que fogem ao controle, momentos em que trechos da cordilheira se estreitam fazendo resvalar os pés, planos frustrados, decisões a tomar quando a dúvida se agiganta diante de nós e nos tornamos tão pequeninos...

É nesse momento que nasce o CD Redenção. Não é apenas mais um musical gravado, mas a mensagem de que tudo depende d'Aquele que, por um amor imensurável, nos presenteou com Sua própria vida.

Para mim, não parece suficiente expressar com os lábios cada uma dessas canções, queria que meu coração se abrisse para dar vazão à emoção contida e apertada dentro dele. E por algumas vezes essa emoção escapou pelos meus olhos enquanto ouvia sobre o amor, sobre a graça, sobre a cruz, sobre a redenção.

Para comprar ou apenas ouvir trechos de algumas das canções (no rodapé da página) clic AQUI.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lar


Dia desses, eu cheguei em casa à noite, tomei banho e me esparramei no sofá. Comentei com o Nil o quanto é bom estar em casa depois de um dia cansativo. Então lembrei de um historia que li uma vez. Ela contava sobre um homem com seu realejo e uma das canções tocadas pela velha caixa de músicas trazia a seguinte frase:"Minha casa, doce lar. Nada há como o meu lar!".


Fiquei pensando na diferença entre casa e lar, apesar de, na música, essas palavras serem sinônimas. Cheguei a uma conclusão: casa é feita de tijolo, areia, barro, madeira. Lar é feito de amor, carinho, cuidado, cheiro, tato, paladar. Um poeta retratou muito bem, em outra canção, essa idéia de ser o lar construído de tantos sentimentos e sensações, “O lar é onde o coração está...”. Essa premissa, herança grega, de que o coração é portador de todas as coisas boas, é remetida para a construção de um lugar físico para onde possamos transferir tudo de bom que há em nós.


Gosto desta ideia. É muito bom reunir num lugar especial, pessoas a quem amamos, gostos que compartilhamos, imagens que gostamos, criações das quais nos orgulhamos, sabores que apreciamos, sons com os quais nos encantamos. É bom estar onde podemos gargalhar sem constrangimentos, desfilar de pijama de bolinhas, andar descalço, sentar sobre as próprias pernas, mudar coisas de lugar, falar horas ao telefone, comer franco à passarinho com as mãos... Na minha casa a comida é mais saborosa, o café mais fumegante, o banho mais relaxante, o sono mais tranquilo, o riso mais solto...


Nosso lar é onde somos essencialmente nós mesmos, o melhor lugar do mundo. É para onde sempre queremos voltar, pois não importa aonde formos, é lá que sempre fica o nosso coração.


Imagem: Foto minha tirada em Pedra Azul/ES, em 2008

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mágoa


A mágoa é como um sabor amargo. É como se, ao comermos uma fruta doce e saborosa, de repente mordêssemos um pedaço estragado. Não importa quão doce tenha sido o primeiro sabor, permanece por um longo tempo no paladar o amargor do último pedaço.

Sentimentos amadurecem para o bem e para o mal. É dolorido se dar conta de que certas sutilezas e sensibilidades do coração endurecem com o tempo. Perceber isso deixa um buraco na alma.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil


Transcrevo abaixo um texto de Luiz Fernando Veríssimo sobre o reality show que arrasta milhões de telespectadores para diante de suas TVs todos os dias. Devo acrescentar que concordo com cada palavra dele. Acesse o link “Continue lendo”.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Comidinha especial

.
.

Aqui em casa, fim de semana é reservado para o preparo de uma comidinha especial. Não é novidade nenhuma que eu amo cozinhar, mas para quem passa até onze horas diárias fora de casa durante a semana, às vezes fica difícil se dedicar à cozinha, ainda que isso seja um prazer.

No último fim de semana preparei um Escondidinho de Carne, um prato tão saboroso quanto fácil de fazer. Para quem quiser dar um up no próximo fim de semana, basta clicar no link “Continue lendo” logo aí em baixo e copiar a receita.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

É Clarice!


Quando estive em Recife, no ano passado, visitei a maravilhosa Livraria Cultura daquela cidade. Lá adquiri o livro Clarice na Cabeceira, o qual eu já estava namorando há bastante tempo, adepta que sou do estilo da escritora. É uma coletânea de contos escritos ao longo de sua carreira e selecionados por leitores célebres que comentam o conto por eles escolhido. É uma obra bastante interessante.

Foi lendo esse livro que me deparei com Felicidade Clandestina. Fui tomada por uma delicada emoção. E transportada ao longo dos anos para a época de menina quando li esse conto pela primeira vez nas páginas de uma edição didática da escola, lá pelo 3º. ano do ensino fundamental.

Como a leitura nos influencia! Somos aquilo que lemos. Agora percebo porque gosto de escrever contos, porque tenho inclinação para detalhar pessoas e cenários, porque gosto de explanar os sentimentos dos meus personagens. É Clarice!

E tudo isso é pra contar em primeira mão aqui no blog que o meu próprio livro de contos vai virar realidade! Finalmente! Não caibo em mim de tão feliz!

Mandei o material para a editora e foi aceito esta semana, agora só tenho que acertar as questões burocráticas e esperar. Essa é a parte chata, a publicação deverá acontecer, de fato, apenas no próximo semestre, mas... No problem! Perdoem-me por eu compartilhar uma novidade tão prematura ainda, mas eu não conseguiria retê-la por tanto tempo, aliás, os leitores do Prisma sempre foram testemunha desse sonho que agora toma forma de realidade. Dedico-o a cada um de vocês!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Lucas


Na última quarta-feira foi aniversário do Lucas. Fomos ao hospital, levamos presentes, um bolo e refrigerantes para comemorar. As enfermeiras decoraram o quarto com balões e fotografias dele. Tivemos autorização para entrar no quarto e passarmos alguns minutos em sua companhia, em família. Ele continuava em sua cama, dormindo profundamente, completamente alheio ao que estava acontecendo.

Para nós, a família, é motivo de grande alegria comemorar seus dezenove anos. Significa que ele está vivo e enquanto tiver fôlego, ainda que através de um respirador, teremos esperança de recuperação.

Tirei fotos dele no hospital, mas acho que prefiro postar sua imagem assim, sorridente e feliz como ele é.