terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Porque não celebro o carnaval



Algo que me incomoda profundamente é o fato de a maioria de nós aderirmos a certos costumes sem conhecermos seus fundamentos, suas origens, suas raízes. É bem verdade que o sentido ou significado original de muitas das celebrações do nosso calendário se perdem no tempo, mas acredito que, ainda assim, sua influência é mantida.

Desde criança fui instruída a não celebrar o carnaval, por conta de motivos religiosos. No entanto, na minha inconformidade com a limitação da ordem desprovida de explicações, fui em busca de informação.

Por que não festejar o carnaval?


(Texto longo. Para ler na íntegra, acesse o link abaixo)

Não que eu sentisse desejo de fazê-lo, nunca fui muito inclinada a balbúrdias de qualquer natureza, mas simplesmente porque sempre considerei patética a obediência cega. E também porque sempre fui curiosa a respeito de origens, vocês que costumam me ler já sabem disso. Pois bem, segue um pouco do que aprendi sobre o carnaval.

Ao contrário do que possa parecer, o carnaval não é uma festa originalmente brasileira, embora o Guinness Book mencione o nosso país como o detentor da maior festa carnavalesca do mundo. Antes daqui, ela já acontecia em muitas partes do planeta e apenas no Séc. XVIII chegou ao Brasil sob influência europeia. O carnaval se originou na Grécia por volta de 600 anos antes de Cristo, e inicialmente, se limitava a um festejo em que se cultuava aos deuses pelo solo e pela produção.

Ao longo dos tempos, tendo conquistado os romanos e outros povos, a festa popular foi incorporando costumes e significados muito “liberais” e passou a ser considerada imprópria pela Igreja Católica, o que também com o passar dos tempos, acabou ganhando certa tolerância por parte da igreja chegando a ser considerada atualmente uma data eclesiástica no calendário cristão. Ora, vejam!

O termo “carnaval” vem do latim, “carnis valles” que quer dizer prazeres da carne, o que reflete bastante bem a proposta da festa. O carnaval, dentro do contexto “religioso” atual, consiste em conceder aos fiéis um período de despedida das práticas pecaminosas, “da carne”, rumo ao jejum de quarenta dias nos quais se preparam para festejar a Paixão de Cristo. Essa concepção de carnaval surgiu no século XI, a partir da implantação da Semana Santa pela Igreja Católica.

O carnaval que vemos acontecer nos nossos dias – e que não é exaltado pela mídia como os carros alegóricos, as plumas e os paetês – significa exatamente isso: se entregar a todo tipo de prazer que comumente não deve ser adotado, ou seja, quebrar as regras. Tudo pode! É quando se grita aos quatro ventos que ninguém é de ninguém e ao mesmo tempo todo mundo passa a ser de todo mundo. Quando se é permitido provar de tudo sem pensar nas consequências, quando as palavras e as ações escapam do indivíduo como de um primata. Não há leis, não há regras, não há o próximo. Há apenas o próprio deleite.

É interessante observar como o ser humano é expert em adaptar suas práticas avessas à bíblia a uma conduta “religiosamente correta”. Como está impregnada no homem a ideia de que cumprir um rito, uma obrigação dentro de um contexto religioso é suficiente! E suficiente para quê? Talvez nem mesmo os cumpridores de tais obrigações saibam responder.

E também é interessante observar como a Igreja – não especificamente a Católica antes citada, ou esta ou aquela, mas a comunidade religiosa de forma geral – chega às vias de acolher e compactuar com certas práticas para não “perder os fiéis” e deixam de cumprir seu papel de ser sal e luz, de confrontar, de não se amoldar, e não se dão conta de estão muito longe de manter seus fiéis, mas estão, na verdade, deixando que suas almas se percam.

Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei TUDO para a glória de Deus.” I Coríntios 10:31. Essa é a ordem. Em momento algum encontramos na bíblia a concessão de um período de “tolerância divina” para o povo se esbaldar naquilo que Deus desaprova e depois de quarenta dias de penitência fica tudo bem outra vez. Para quem conhece verdadeiramente a Deus e o segue de perto, está fora de questão se deleitar em qualquer tipo de prazer que não esteja nEle.

Mas é claro que isso só pode ser compreendido e aceito por quem entende o ser cristão como um estilo de vida e não apenas como o cumprimento de uma tradição.

Fontes de pesquisa para este texto: Wikipédia, Brasil Escola.

6 comentários:

Luciana Reis disse...

Celinha, texto muito bom. Acabei de retornar de um retiro espiritual e apesar de revigorada, saí de lá com um certo sentimento de culpa pelo fato de que enquanto todos estão lá se perdendo, a igreja se afasta e muitas até fecham as portas de seus templos durante o feriado. Não sei se é a melhor forma de se proteger, ou de preservar seus fiéis, mas confesso que estar fora dessa atmosfera carnal me deixa mais tranquila. Temos que ser luz e sal para o mundo, mas quando o mundo mnais precisa as luzes se retiram.... preciso refletir mais sobre isto. Um beijo grande querida.

Georgia disse...

Eu tb qdo vivia no Brasil nao saia para ver o carnaval. Aqui, o carnaval é bem diferente.

Inclusive os pais levam os filhos pequenos de 3, 3, 5 anos fantasiados para o cultinho infantil, o Pastor fala para os jovens que tudo deve ser com moderacao e para que eles se lembrem que sao servos de Deus espalhos na diversao. Na segunda feira de rosas, é o grande desfile nas cidades e é onde as familias vao com seus filhos assistirem e eles jogam balas e bombons para o publico. Depois geralmente vamos para a casa de alguém e lá comemos bolo e tomamos café e as criancas brincam.

Qdo a coisa é proibida, os mais jovens têm a tendência a fazer e se esbaldam e se acabam nestes dias porque é carnaval e todo mundo brinca. Como aqui nao é proibido, no domingo de carnaval a igreja estava aberta e cheia de jovens e adultos, ninguém liga, a maioria nao está nem ai para estes dias porque durante o ano inteiro a igreja prepara a mudanca de vida com mensagens que os levam a crescer e a meditar na Palavra.

Infelizmente, no Brasil as igrejas falam muito em pecado, em castigo, falam pouco no Amor de Deus e no seu Perdao.

Eu acho que se nao houvesse tantas cobrancas em se mostrar que minha vida é consagrada, haveria mais crescimento. O que vejo é uma concorrencia grande entre os irmaos de cada um querer mostrar que é mais consgrado que o outro. Aqui, o pessoal nao se preocupa tanto com a vida do outro neste aspecto e vejo que a coisa acontece muito mais natural.
Eu mesmo no Brasil me sentia muito cobrada por ocupar um cargo de responsabilidade na igreja e vivia sob pressao. Aqui tb tenho o mesmo cargo e nenhuma pressao. Eu posso simplesmente ser o que sou. E isso é muito bom.

Se eu vou pro carnaval? Vou, coloco uma peruca de outras cores, fico lindona ao lado da minha familia e adoro nestes dias receber amigos para um café e bate papo.

Um bjao

Anônimo disse...

"Para quem conhece verdadeiramente a Deus e o segue de perto, está fora de questão se deleitar em qualquer tipo de prazer que não esteja nEle."

O problema maior de quem segue uma religião em vez de seguir a espiritualidade espontânea que vem da experiência, é de sempre achar que se CONHECE à Deus, pretender SABER o que Deus quer, dizer para os outros, em tom dramático de reprovação moralística: "Deus TE DIZ de fazer aquilo! De não fazer o outro!"

Mas, tudo isso é uma incrível falta de humildade, é puro veneno, fonte da violência, guerra de religiões.

Faz séculos que a gente repete e repete para vocês que não tem nenhum libro perfeito que Deus deixo aqui na terra, nem a Torah, nem o novo testamento, nem o Alcorão, nem os Vedas, nenhum destes livros são perfeitas criações de Deus.

E, coitado do cristão, em todas estas "religiões" pretensiosas que pretendem falar o que é e o que quer Deus, ele é dos piores colocados. Pois ele acha que cada domingo ele vai poder ser perdoado dos "pecados" e poder recomeçar uma nova semana de neurose despreocupado. É muito bom de não se culpar mais. É imprescindível. Mas, e depois?

Me desculpe, mas não tem nenhum salvador senão VOCÊ.

Você se salva dos seus lixos mentais, e nenhum Deus, nenhum Jesus.

A higiene mental necessita muita concentração e esforços, a resposta esta no seu coração e não em livros.

Nicolas Libon

Celia Rodrigues disse...

É Geórgia, fazer ou deixar de fazer algo para parecer mais correto aos olhos dos outros é um reflexo de quão deturpada se tornou a visão do ser cristão.

Acredito que nossas ações e posturas devem ser medidas de acordo com o nível de intimidade que temos com Deus através do exercício constante de leitura da bíblia, da oração e e do mover do Espírito Santo em nossas vidas através dessa prática. Mesmo porque, motivações baseadas em autopromoção ou pela repressão nada têm a ver com uma filosofia de vida genuinamente cristã.

O carnaval no Brasil está bem de acordo com a proposta literal de sua essência, e o resultado disso está aí para quem quiser – e se permitir – enxergar: violência exacerbada, grande incidência a vícios diversos, disseminação de doenças, aumento do número de abortos, desvalorização da imagem da mulher brasileira diante do mundo, entre outras coisas. Ainda, no Brasil o carnaval assumiu uma identidade bastante voltada para o Candomblé e para as raízes culturais e religiosas dos afro-descendentes. Muitas escolas de samba usam esses temas em seus enredos, ou seja, impossível compactuar com essa festa.

Mas achei interessante saber de uma conotação diferente de carnaval na Europa. A visão transcultural é mesmo diversa!
Grande beijo!

Celia Rodrigues disse...

Prezado Nicolas Libon,

Posturas como a sua ainda me surpreendem! É impressionante como a maioria das pessoas se precipita em taxar de preconceituosos e orgulhosos os que se permitem dizer aquilo que acreditam e que está em desacordo com sua visão. Isso sim, é intolerância, você não acha?

Não há veneno nas minhas palavras e não acho que sou a dona da verdade. Apenas creio, pela minha fé, que Deus é a Verdade que nos liberta da dependência de prazer contrário à Sua vontade. Se isso é ser orgulhosa ou qualquer outro insulto que você proferiu, então eu sou. Só te previno de que sua visão é um tanto estreita nesse sentido.

Meu desejo sincero é que você também possa vir a conhecer a Deus de perto e compreender por si mesmo que o que falo vem da experiência em andar com Ele e não de achismos sem fundamento.

A propósito, uma “fonte de violência” que todos presenciamos nos últimos dias partiu da apuração do carnaval de São Paulo. Uma vergonha!

Georgia disse...

Oi Célia, sim é verdade, aqui o carnaval é bem diferente, nao dá mesmo para um brasileiro imaginar.

O carnaval no Brasil é preocupante. Eu, se tivesse um filho no Brasil, nesta época nem sei como eu ficaria, ah, sei sim 365 dias de joelhos orando pela vida dele.

Qto a apuracao em Sao Paulo, passou nas TVs daqui. Aquilo é pouco em vista há tantas desgracas que o carnaval no Brasil propaga nestes dias. É mesmo preocupante. Como eu escrevi. No Brasil, nao participava de nada disso.

Te desejo uma semana abencoada

E parabéns por tao sábias palavras no teu comentario aqui. Palavras temperadas e no tempo certo, mulher valorosa quem a achará? Vc é uma dessas.

Bjao