sexta-feira, 30 de março de 2012

Eu e a cozinha



Como todo mundo do blog e do face já sabe, eu amo cozinhar. Claro que não é todo dia que rola ir pra cozinha, mas pelo menos quatro vezes por semana dou o ar da graça por lá. Acredito que essa ausência de rotina é motivadora e também me permite alguns cuidados e caprichos com os quais o dia a dia não colabora.

O charme dessa era gastronômica e também a filosofia do bem estar, tão em alta nos nossos dias, também contribuem para o meu exercício na cozinha e para as pequenas recepções que organizo em casa vez ou outra.

No entanto, já contei aqui que as coisas não foram sempre assim. Quando mais jovem, solteira, eu não comia direito. Na verdade, até então eu não tinha descoberto o prazer de comer bem. Minha mãe nunca gostou de cozinhar e por isso nunca foi uma boa cozinheira, mesmo no trivial. Com ela eu não tinha o que aprender e sua relação de desprazer com a cozinha me afetava bastante. Acabei, durante muito tempo, renegando essa atividade como a uma praga.

Nos primeiros anos de casada ainda sofri com os traumas da cozinha vividos na minha antiga casa, hehe! Mas necessidade, boa vontade e persistência são capazes de operar milagres! E não é que descobri as delícias da culinária? É sempre um prazer comer algo preparado por mim e ainda, é uma grande alegria oferecer comidinhas gostosas aos meus amigos e minha família como forma de carinho e atenção, e também ver o entusiasmo do marido diante de uma nova receita.

Cozinhar não é um mistério. Tenho amigas que não se acham capazes de preparar um frango assado. Bobagem! Só acho que capricho e dedicação são fundamentais. Fazem muita diferença. Além disso, aliados como a tecnologia dos equipamentos e também os milhares de blogs, sites e programas de TV voltados para esse tema não deixam ninguém na mão hoje em dia. Já aprendi muitas coisas através desses canais e, não apenas receitas mais elaboradas, mas também dicas preciosas para tornar mais atraente a comidinha simples do cotidiano.

E então, consegui contagiar? Vamos por a mão na massa? O fim de semana promete, nos próximos dias publico aqui o que andei aprontando...

quinta-feira, 29 de março de 2012

O meu silêncio



Não sou uma pessoa muito falante, mas já fui muito mais introspectiva do que hoje. A maturidade traz muitas coisas boas. Com o passar do tempo aprendi a discutir, a me manifestar, até a me impor em alguns momentos e, incrivelmente, a falar em público. Digo “incrivelmente” porque os tímidos sabem o tamanho do desafio que é encarar uma plateia e se comunicar com ela com segurança e desenvoltura (ou quase, hehe!). Mas, ainda que eu já faça isso há alguns anos, nunca deixa de ser um exercício constante de desafio e coragem.

Mas apesar de certa inibição com a fala, sempre “escrevi pelos cotovelos”. As letras ocupavam páginas e páginas dos meus diários, as cartas aos amigos eram longas, as histórias que eu criava custavam a chegar ao fim. Já consegui trabalhar num escritório solitário, sem companhia para trocar um “oi” durante mais de dois anos, mas jamais consegui deixar de escrever um recado que seja ao longo do dia. O fato de não haver publicações aqui no blog em determinados períodos não significa que estou em completa abstinência da escrita. Às vezes só não quero compartilhar.

Mas, com o tempo aprendi que o silêncio tem o seu valor, até na escrita. E que valor! E diante dessa descoberta deixei um pouco de me incomodar em não ser tão comunicativa quanto eu gostaria. Muitas vezes o entendimento que o silêncio proporciona é essencial para que a fala ou a escrita que o segue seja mais coesa, mais profunda, mas completa de transparência e significado. Apenas quando calamos é que conseguimos ouvir e aprender coisas que palavra alguma seria capaz de nos ensinar.

Como em outros momentos, tenho vivido mais um tempo de silêncio. Mas um silêncio externo, porque lá dentro sou bombardeada de questionamentos e de afirmações sobre um monte de coisas. Fico ansiosa por saber a que descobertas esse tempo vai me levar, que me farão escrever páginas e páginas sem fim...! Mas enquanto isso não acontece, - vejam só! - até o meu silêncio é um motivo para continuar escrevendo...

sábado, 24 de março de 2012

Fragmentos do meu livro


Apenas para aguçar a curiosidade de vocês, caros leitores, um trechinho de um dos contos do meu livro, Colcha d Retalhos, que está quase saindo do forno.

Ela ainda dorme, linda e terna como um anjo. Ele não conhecia anjos, era verdade. Mas a imagem dela, embalada por um sono tão inocente, inspirava nele o que sua imaginação figurava a respeito dos seres celestiais. Era quase como se ele a percebesse flutuando, tão leve e delicada ela lhe parecia.

A bela estampa simples e pálida daquele momento transcendia qualquer superprodução visual. Era apenas um cabelo negro lindamente desgrenhado e espalhado pelo travesseiro, servindo de moldura para aquele rosto branco e perfeitamente desenhado com traços finos e delicados. Uma verdadeira obra de arte de valor inestimável. O leve movimento dos cantos dos lábios indicava um sonho bom, o que tornava o momento ainda mais encantador. Ainda que inconscientemente, ela sorria para ele, deixando-o totalmente absorto, em pleno estado de contemplação.

Conto Êxtrase.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Prisma, 5 anos!


E eu ainda me encanto com as possibilidades da internet... Não fosse essa tecnologia maravilhosa, e especialmente a ferramenta “blog”, quase 30 mil pessoas não teriam lido os meus textos modestamente postados neste espaço durantes esses 5 anos. Com um público desse, acho que posso me considerar uma escritora, de fato!

Nunca expliquei o porquê de “Prisma”. Quando criei o blog, em março/2007, tinha que escolher um nome para ele e esse foi um dos primeiros que me vieram à mente. Gostei de cara. Um nome pequeno, sonoro e que expressava exatamente a minha intenção: escrever textos a partir do meu ponto de vista e conhecer o ponto de vista dos meus leitores através dos seus comentários. Assuntos diversos sob o prisma de cada um. Essa foi a ideia.

Ultimamente, porém, tenho me encantado com outro aspecto dessa palavra e acho que o meu blog tem caminhado nessa direção. Prisma é um sólido transparente que possui vários vértices. Pode ser um cristal ou mesmo uma peça de acrílico, sobre a qual, incidindo um único facho de luz branca por um dos lados, ela se propaga em várias direções e em muitas cores diferentes.

Estou feliz porque escrever aqui tem adquirido um significado tão especial. Desejo que por outros 5 anos o Prisma possa cumprir o propósito pelo qual ele se chama assim. Que ele não seja apenas um canal pelo qual vários pontos de vista se propaguem, mas que esses pontos de vista reflitam, de forma verdadeira, alegre, interessante e colorida, a luz maior que sempre o inspirou, seja qual for o teor da escrita: Jesus Cristo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional de quem?



Compartilho com vocês a crônica de Arnaldo Jabour para sua coluna da Rádio CBN, na data de hoje, "Mulher não é enigma". Acho sua linguagem um pouco agressiva e tipicamente carioca-cafajeste (hehe!), por assim dizer, mas gosto também do seu tom mais realista e menos nhe-nhe-nhen, em relação a essa data tão romantizada. A conclusão merecia ser melhorzinha.  Para “ouvir” o texto abaixo, clic aqui.

Amigos ouvinte, hoje é o Dia Internacional DA MULHER.


Mas eu nunca conheci A MULHER. Já amei e odiei MULHERES. Então, por que esse título gerérico? Por que não há o Dia do Homem? Os homens são mais docificáveis do que as mulheres. Não há nessa generalização um desejo de fazê-las compreensíveis por medo da sua diversidade?


Não existe A MULHER. Existe a mãe de família, a perua, a piranha, a modelo, a bondosa, a malvada, a Eva, a Virgem Maria, a pobre, a rica, a feia, a bela. A Mulher, com “M” maiúsculo, talvez tenha sido invenção dos machos. Sempre que chega esse dia internacional, nós escrevemos sobre elas, elogiando o lado abstrato das fêmeas, sua delicadeza, sua coragem, sua beleza, em suma, textos de uma hipocrisia paternalista, como se falássemos de pobres ou de crianças ou de vítimas de alguma coisa. Claro que na história da humanidade as mulheres foram oprimidas, humilhadas, estupradas na alma e no corpo.

No meu caso, eu sou, hoje, o que as mulheres fizeram comigo, ou melhor ainda, eu sou o que aprendi com elas, no amor e no sofrimento. A cada mulher eu descobri defeitos e qualidades que me formam hoje, como acidentes que foram me desfigurando. Eram como um quebra-cabeça; ao tentar armá-lo, eu descobri que não tenho forma nem lógica e que sempre faltará uma peça na charada.

É claro que é um preconceito também essa mania de dizermos que as mulheres são incompreensíveis. A mulher não é um enigma. Nós é que somos. Nós é que achamos que há clareza. Os homens são mais óbvios, fálicos. Homem acha que é ciência, mulher sabe que é arte. Por isso me espanto quando chega o Dia Internacional DA MULHER . Existe alguma coisa que as unifique em uma identidade só? Talvez tenham em comum apenas um certo descaso pela nossa ideia de progresso, pela nossa ideia de política. Elas sempre estão ocupadas em manter viva a natureza e a espécie.

O dia internacional devia estimular uma ação política das mulheres, não apenas para defender seus direitos, mas para condenar a civilização de machos boçais que destroem o nosso destino.

Obs.: Em menção ao questionamento do autor no início do texto, o Dia Internacional do Homem existe, é no dia 19/11, desde 1999. Fonte: Wikipédia.