sexta-feira, 27 de julho de 2012

O que houve comigo?



Essa é uma pergunta que tenho feito a mim mesma com muita frequência nos últimos meses. Difícil me reconhecer em algumas atitudes, sensações ou sentimentos atípicos de minha pessoa. Estranha a dificuldade em levar adiante hábitos corriqueiros e estranhíssima essa indisposição sem fim. Mas há mais do que hormônios afetando esse meu momento especial.

Difícil olhar pra um passado recente e constatar que a rotina confortável daquele momento ficou para trás e jamais estará de volta. Difícil olhar ao redor e ver as tantas indefinições do presente roçando o meu nariz todos os dias e me dizendo repetidamente pra eu não poder esquecer: não depende de você! Não depende de você! Não depende de você! Difícil olhar adiante e perceber que o futuro nos reserva tantas mudanças e surpresas que melhor é não pensar a respeito.

Ao contrário do que possa parecer, esse texto nada tem de amargo. Sinto-me realmente feliz e cheia de expectativas. Apesar das afirmações “difícil” acima, considero este momento como muito especial em nossas vidas (minha e do Nilton) e aprendo o quanto dificuldades ou mudanças drásticas são necessárias para nos impulsionar e promover crescimento. Acho que, pela graça de Deus, temos percebido a importância de certas situações e como elas podem nos influenciar e contribuir para o bem, apesar de nunca serem desejadas. Essas percepções nos trazem um sossego no meio da tempestade, uma certeza de que, aconteça o que acontecer, tudo dará certo, ainda que algo dê “errado”.

E em meio a essas turbulências, o tempo se apresenta como o confuso colaborador dos nossos dramas, hora como aliado, hora como vilão. Com a lentidão de um conta-gotas a esvaziar sem pressa alguma o seu frasco, ou como grãos de areia que despencam preguiçosamente de uma extremidade a outra da ampulheta, o tempo tem o ritmo exato no comprimento de sua tarefa em nos moldar. Cruel, mas exato. Por outro lado, ele se manifesta com a velocidade de uma rajada de vento, ao levar consigo tantas vezes as nossas chances desperdiçadas, ou simplesmente momentos que poderiam ser melhor aproveitados. Ainda assim, ele não se abala na sua exatidão.

Considerando tudo que expus acima, outro dia reclamei da falta de tempo pra escrever e da dificuldade atual em coordenar e expor meus pensamentos. Bom, já consegui alinhavar e publicar esse texto, acho que é um bom sinal em resposta ao título dessa postagem...