terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sucesso...?


Há muito tempo um amigo me disse algo assim: "O segredo para se ter sucesso não é fazer uma coisa com 100% de perfeição (redundância, eu sei!), mas fazer 100 coisas 1% perfeitas".

Num primeiro momento eu discordei totalmente, mas depois de raciocinar um pouco tive que dar a mão à palmatória. Afinal, se essa frase não fosse verdadeira, não haveria tanta gente enriquecendo (ou mesmo sobrevivendo) com a venda de produtos/serviços de qualidade duvidosa. Realidade totalmente comprovada pelo crescimento exorbitante de alguns seguimentos.

Quem não conhece as famosas lojas de R$ 1,99 - ou loja de bazar, ou de preço único, como queira -, onde quase tudo que se encontra tem vida útil mínima e origem (fiscal) escusa? Ou quem já não teve a infeliz experiência - ou pelo menos conhece alguém que tenha tido - de quase ficar careca depois de um "tratamento capilar" num dos muitos "institutos de beleza" espalhados por todas as esquinas?  Ou ainda - e puxando a sardinha para o meu lado, hehe! -, quem já não se deparou, numa festa, com uma mesa de doces/bolo cuja confeiteira aparenta ter (pelo que se vê do seu trabalho) 6 anos de idade...?

De fato, o sucesso é relativo. Enquanto para muitos ele significa clientela cativa pelo preço e dinheirinho no bolso, para uma minoria ele significa sim, dedicação, capacitação, trabalho árduo e, muitas vezes, abrir mão da quantidade pela qualidade. Nada supera o reconhecimento e o retorno financeiro justo por um trabalho primoroso e satisfatório, não apenas para quem o adquiriu, mas especialmente para quem o executou.

Excelência e sucesso nem sempre andam juntos.Talvez por isso tanta gente tão boa no que faz jamais conquiste um lugar ao sol.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Conversas virtuais, desrespeitos reais


 
Outro dia eu estava assistindo ao programa Saia Justa e a apresentadora Astrid Fontenelle disse que, nesses tempos de redes sociais, ela acabou por "entrar no armário", em relação a não assumir algumas opiniões por causa da crueldade das pessoas. Claro que ela foi criticada pelas colegas de programa que defenderam a qualquer custo a exposição da opinião própria.

Eu concordo, em parte, com ambos os lados. O desrespeito amparado pela tela do computador é um comportamento tão na moda hoje em dia, que realmente dá um certo receio na gente em dizer o que pensa sobre alguma coisa, sob pena de levar um pedrada virtual na testa. Mas, por outro lado, há aquelas pessoas que expõem suas opiniões com ares de "esfregar na cara dos outros" a sua verdade como se ela fosse absoluta. Situações virtuais que causam inimizades reais, como se só pudessem ser amigos os que pensam da mesma maneira. Trocando em miúdos, é aquela velha história da incapacidade de relacionamento civilizado.

Para algumas pessoas pouco importa se posicionar sobre qualquer coisa por N motivos (N no singular, por favor, rsrs!), seja pra ser aceito por um grupo, pra não entrar em confusão, pra pousar de legal, por não ter opinião mesmo, etc.. Mas para alguém como eu, que foi criada para sorrir e concordar sempre, e que tem que lutar todos os dias contra isso, é um exercício diário de autoafirmação "não entrar no armário". É claro que se posicionar não significa ofender os outros ou fazer da minha opinião pessoal uma bandeira. Essa história de "comigo é assim, falo na lata!", não é sinceridade, e sim, falta de educação, desrespeito e egoísmo. Mas, paradoxalmente, muitas vezes o melhor posicionamento é, de fato, o silêncio. Não por negarmos nossa opinião, mas porque nem sempre as pessoas estão prontas pra ouvir o que temos a dizer. Isso se chama sabedoria.

O mais triste nisso tudo, é que vivemos blindados pelas nossas próprias convicções. Quando lemos ou ouvimos alguma coisa que diverge do que pensamos, nossa primeira reação é contrariar. E a segunda, terceira, quarta reações é continuar contrariando. Não somos capazes de parar e avaliar nossas posições. Nos negamos a oportunidade de aprender, de mudar pra melhor, de "consertar" nosso pensamento, simplesmente porque somos "os bons".

Infelizmente já se dizia há tempos que "o tolo sabe-tudo se priva da melhor parte da vida: aprender". E isso é muito mais antigo que as redes sociais...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Caraminholas de uma mãe


 
Sei que a natureza é sábia e que Deus é perfeito em arquitetar o ciclo da vida como ele é. Sei que o passar do tempo é extremamente preciso, apesar de nós acharmos que ele tem passado rápido demais. Sei que todas as coisas tem o seu tempo, nada acontece imprecisamente. Pois é, eu sei, mas...

Para a mãe que há em mim, todo esse conhecimento racional perde um pouco do sentido e a vida passa a ser um novo aprendizado. Aprendi, por exemplo, que minhas convicções antes tão defendidas não passam de boas teorias e que, na prática, o que importa mesmo é ver o Felipe sorrir. Aprendi que, apesar de meu intelecto afirmar que o mundo não para de girar, meu coração quer que meu bebê fique assim, sempre pequenininho, querendo o meu colo, pedindo um "beijo pra sarar" sempre que leva um escorregão, querendo que eu cante todas as noites pra ele dormir, falando "mamãe maluca" toda vez que eu mudo a voz pra fazer uma brincadeira com ele, deitando no sofá e pedindo "faz coquinha"...

Ah, eu não fazia ideia de que tinha um coração tão grande. Porque pra abrigar um amor deste tamanho eu tenho que ser, "no mínimo", toda coração. E pensar que tudo isso que me preenche vai aos poucos se esvaziar. O tempo vai passando e já está a levá-lo de mim. Já o tirou do meu peito, já o fez levantar do meu colo com as próprias pernas. E vai levá-lo pra muito mais longe, não apenas pela distância, mas pelas opiniões, pelas novas companhias, pelos novos desafios que estão reservados para ele.

Engraçado pensar que o ato de "dar à luz" um filho que começou a existir dentro da gente (mais proximidade impossível!), é afirmar, ainda que inconscientemente, que os filhos não são nossos. É "expulsá-los" das nossas entranhas, assim como do nosso controle. É entregar o que nos é mais precioso à uma história na qual, muitas vezes, nos tornaremos coadjuvantes.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A carne e os nossos tempos...



Estava eu ontem à noite procurando de canal em canal alguma coisa interessante pra assistir na TV, quando parei num reality show sobre crianças que comem mal. O que mais me chamou a atenção nem foi o contexto geral do programa, e sim a atitude do menino (que comia mal) de nove anos que decidiu, por sua conta e risco, ser vegetariano.
Fiquei pensando no que essa realidade pós-moderna tem trazido de filosofias para a nossa vida já desde cedo. Não tenho nada contra as pessoas que não comem carne. Aliás, mais uma vez fazendo referência a essa relatividade do nosso tempo, não se sabe exatamente o que é melhor, comer ou não. Alguns especialistas dizem que não há mal algum em abolir a carne do cardápio, que é até benéfico considerando os artifícios químicos usados para o desenvolvimento dos animais. Outros falam das propriedades da carne como principais fontes desse e daquele nutrientes que não são tão facilmente repostos com a substituição por outros alimentos. Enfim, comendo ou não, torça pra que tudo fique bem com a sua saúde.
Mas o teor desse texto, nem é o fator saúde. O que me impressionou na atitude do menino é que ele resolveu não comer carne porque, para isso, um ser vivo teria que ser morto. E o garoto tem bons argumentos pra defender sua posição. Claro, é um menino de inteligência bastante precoce pra ter um posicionamento tão adulto, mas daí eu pergunto: aonde foi parar o conceito de cadeia alimentar? Como excluir dela o ser humano de uma hora pra outra? Qual é a dificuldade em assimilar a morte como parte natural de uma vida que cumpre seus propósitos? Alguma coisa está fora de ordem nessa nova mentalidade. Não fosse a ordem natural das coisas, imagine o desequilíbrio do meio ambiente! É como tudo foi criado para ser, desde o Éden. E o homem mais uma vez se manifesta contra a autoria divina.
A mentalidade desse menino reflete a era de valores invertidos que vivemos. Enquanto os animais ganham um status que na verdade não têm (não podem ser comidos, não podem ser usados como cobaia de laboratório, ganham roupas e adereços que, em tese, podem prejudicar sua saúde, etc.), o homem vai perdendo, em muitos aspectos, a essência divina com a qual e para o quê foi criado.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Batata Palha


Temos que admitir, é gostosinha! Mas, dentro do possível, do aceitável e do acessível, tenho procurado substituir produtos industrializados por preparações caseiras. E opção e sugestões no mundo gastronômico para essas mudanças não faltam!
Hoje vou deixar aqui uma dica pra substituir a batata palha industrializada, rica em sódio, conservantes e outras substâncias nem tão saudáveis, pela caseira, super simples de preparar.

Ingredientes
1 Batata inglesa
Óleo para fritura
Sal a gosto
 
Modo de fazer
 
Descasque a batata e passe-a pelo ralador grosso. Prepare uma tigela de água e coloque a porção de batatas raladas de molho. Pegue um pano de prato seco e limpo e deixe-o aberto sobre a bancada. Em seguida, leve ao fogo uma panela com óleo e deixe esquentar, enquanto isso tire do molho a porção de batas que será frita e seque-a bem no pano aberto sobre a pia. Coloque para fritar e fique de olho para que não queime. Dê uma mexidinha de vez em quando para desgrudar os pedacinhos. Quando estiverem dourados retire com uma escumadeira e coloque sobre o papel absorvente.
 
Vá repetindo esse processo até fritar toda a batata. Ao final, polvilhe sal a gosto.
 
Claro que estamos falando de fritura, então essa receita não pode ser classificada como "comida saudável". Mas comparando com o produto industrial e considerando que não comemos batata palha todos os dias, dá pra substituir e comer ocasionalmente numa boa, né...
 
Sugestão
Acompanhamento perfeito para o strogonoff, o hot-dog ou mesmo para dar crocância a uma saladinha!
Sugeri batata inglesa porque é a tradicional, mas porque não inovar com a batata doce, Asterix ou baroa...?
 
Dicas
O óleo para a fritura deve ser suficiente para cobrir o ingrediente que está sendo frito.
O molho é simplesmente para que a batata não escureça enquanto aguarda o processo de fritura das porções.
Secar a batata é fundamental para o óleo quente não "explodir", e também para que ela fique crocante.
Não coloque batata em excesso no óleo da fritura, pois isso faz com que ele esfrie  interfere na crocância.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Tentando voltar...



Este ano, mais precisamente em março, este blog fez oito anos. Puxa, quanto tempo! E como já tive prazer em escrever aqui... Gostaria de ter tirado muito mais proveito desse espaço durante esse tempo, mas por vezes acabei deixando a rotina, os problemas e a falta de tempo interferirem no exercício da blogagem. E depois do Facebook então... Mais prático, com maior capacidade de interação... Mas com blogueiro não tem jeito mesmo. Pode até passar um tempo distante, mas sempre acaba voltando.

Uma vez li uma frase interessante, infelizmente não me lembro mais onde: "Blogar é um ócio trabalhoso". Claro que hoje em dia se bloga muito mais como profissão do que na época que li essa frase, mas em fim, não me atendo à definições, blogar de forma amadora, apenas no sentido de manter um canal de comunicação no ar, com conteúdo interessante e acima de tudo, promover sua leitura, realmente dá muito trabalho!  Mas é tão bom...

Então? Bora tentar mais uma vez?

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

3.8 chegando...



Lembro-me de alguns anos vividos em maré mansa, bonança, brisa suave. Campinas verdes, céu azul, borboletas ziguezagueando em meio às flores do meu caminho. Boa visibilidade, estrada sem curvas, um lindo tapete à minha frente a perder de vista. Foi quando resolvi curvar...

E ao fazer essa curva, aos poucos o tempo foi acinzentando, a relva deu uma secada, os ventos se tornaram impetuosos e o caminho que se apresentou diante de mim as vezes era tão íngreme e sinuoso que eu não conseguia enxergar nada além de um tantinho adiante do meu nariz. Escolhas...

Elas quase sempre fazem isso com a gente, e, por mais acertadas que sejam (ou não!), não se revelam logo de cara, dando-nos a oportunidade de experimentar o medo, a dúvida, a ansiedade, a insegurança, afinal somos humanos...

Uma humanidade que se torna quase um fardo nesses momentos. É quando nossas fraquezas, nossas debilidades, fragilidades, inseguranças, tudo se torna mais visível e insuportavelmente real diante do espelho de nossa alma. Ah, não fosse Deus...

Obrigada Deus, por viver esses momentos, porque especialmente neles percebo quem eu sou e quem o Senhor é! Obrigada por que nossas escolhas nos levam a lugares onde somente pela tua mão podemos ser guiados. Obrigada porque me amas tanto agora como quando eu ainda era um projeto na barriga da minha mãe, não importa o meu trajeto de lá até aqui! Obrigada por manter essa certeza viva em mim ainda que as circunstâncias gritem o contrário! Obrigada por cuidar tão bem de mim durante 38 anos!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Viramos bonzinhos?



Engraçado! Eu, noveleira assumida que sou, nunca estive tão por fora dos roteiros novelísticos como atualmente. Mas não preciso estar assistindo a uma novela pra dizer o que quero dizer hoje, assunto sobre o qual tenho ouvido bastante em relação à atual novela das nove.
Não é novidade nem pra quem não assiste que essa novela trás um dos núcleos do elenco envolvido com uma igreja evangélica, e pelo que dizem, em cenas muito reais (até teologicamente falando) em relação ao que acontece nos cultos “de verdade”. Novidade pra mim é que algumas pessoas estejam tão encantadas com essa “transformação” da Rede Globo em relação à religião evangélica. Não faz muito tempo, essa postura era bem diferente.
Tenho ainda fresca a memória das figuras crentes caricatas que apareciam no ar, gente tresloucada, falando num evangeliquês pateticamente exagerado, muitas vezes beirando à uma vilania que tinha como principal motivo suas convicções de fé. Lembro da minissérie Decadência, que fazia alusão à Igreja Universal e era praticamente uma denúncia da postura exploradora da mesma. Lembro da Creuza, personagem de Juliana Paes em América, que na verdade era uma devassa disfarçada na imagem ridícula de uma crente brega e boba. Lembro também da Edvânia, personagem da atriz Suzana Ribeiro em Duas Caras, que mais parecia uma doente mental, perseguindo pessoas e cometendo crimes, do que um membro de uma igreja. Em fim, não estou dizendo que gente assim não existe, quero apenas frisar o que a mídia objetivava deixar em evidência sobre evangélicos até então.
De uns tempos pra cá a coisa mudou, começaram a noticiar as boas ações sociais das igrejas evangélicas, cantores gospel viraram figurinhas fáceis nos programas de entrevista e entretenimento, crentes de novela passaram a ser gente boa... Até criaram o Festival Promessas! Vejam só!
 
A verdade é que essa repentina simpatia global é fruto da infame conveniência que move o mundo. Um engodo apenas pra alimentar a mentalidade pós-moderna da inexistência de certo e errado, da “verdade” individual e inabalável, da relativização de valores. Além, é claro, de o evangelho ter virado um produto muito lucrativo do qual todo mundo quer levar uma fatia. Ou você realmente acha que a música gospel de repente passou a um nível tão elevado de qualidade a ponto de ganhar credibilidade pra ser exibida num festival da maior TV do país? Se até funk e sertanejo universitário têm o seu lugar... 
 
Lamentável, eu sei, mas apesar disso tudo, vale lembrar que Deus escreve certo por linhas tortas. Ele é capaz de se fazer valer, independente das intenções humanas.