quarta-feira, 4 de junho de 2014

A carne e os nossos tempos...



Estava eu ontem à noite procurando de canal em canal alguma coisa interessante pra assistir na TV, quando parei num reality show sobre crianças que comem mal. O que mais me chamou a atenção nem foi o contexto geral do programa, e sim a atitude do menino (que comia mal) de nove anos que decidiu, por sua conta e risco, ser vegetariano.
Fiquei pensando no que essa realidade pós-moderna tem trazido de filosofias para a nossa vida já desde cedo. Não tenho nada contra as pessoas que não comem carne. Aliás, mais uma vez fazendo referência a essa relatividade do nosso tempo, não se sabe exatamente o que é melhor, comer ou não. Alguns especialistas dizem que não há mal algum em abolir a carne do cardápio, que é até benéfico considerando os artifícios químicos usados para o desenvolvimento dos animais. Outros falam das propriedades da carne como principais fontes desse e daquele nutrientes que não são tão facilmente repostos com a substituição por outros alimentos. Enfim, comendo ou não, torça pra que tudo fique bem com a sua saúde.
Mas o teor desse texto, nem é o fator saúde. O que me impressionou na atitude do menino é que ele resolveu não comer carne porque, para isso, um ser vivo teria que ser morto. E o garoto tem bons argumentos pra defender sua posição. Claro, é um menino de inteligência bastante precoce pra ter um posicionamento tão adulto, mas daí eu pergunto: aonde foi parar o conceito de cadeia alimentar? Como excluir dela o ser humano de uma hora pra outra? Qual é a dificuldade em assimilar a morte como parte natural de uma vida que cumpre seus propósitos? Alguma coisa está fora de ordem nessa nova mentalidade. Não fosse a ordem natural das coisas, imagine o desequilíbrio do meio ambiente! É como tudo foi criado para ser, desde o Éden. E o homem mais uma vez se manifesta contra a autoria divina.
A mentalidade desse menino reflete a era de valores invertidos que vivemos. Enquanto os animais ganham um status que na verdade não têm (não podem ser comidos, não podem ser usados como cobaia de laboratório, ganham roupas e adereços que, em tese, podem prejudicar sua saúde, etc.), o homem vai perdendo, em muitos aspectos, a essência divina com a qual e para o quê foi criado.