segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Conversas virtuais, desrespeitos reais


 
Outro dia eu estava assistindo ao programa Saia Justa e a apresentadora Astrid Fontenelle disse que, nesses tempos de redes sociais, ela acabou por "entrar no armário", em relação a não assumir algumas opiniões por causa da crueldade das pessoas. Claro que ela foi criticada pelas colegas de programa que defenderam a qualquer custo a exposição da opinião própria.

Eu concordo, em parte, com ambos os lados. O desrespeito amparado pela tela do computador é um comportamento tão na moda hoje em dia, que realmente dá um certo receio na gente em dizer o que pensa sobre alguma coisa, sob pena de levar um pedrada virtual na testa. Mas, por outro lado, há aquelas pessoas que expõem suas opiniões com ares de "esfregar na cara dos outros" a sua verdade como se ela fosse absoluta. Situações virtuais que causam inimizades reais, como se só pudessem ser amigos os que pensam da mesma maneira. Trocando em miúdos, é aquela velha história da incapacidade de relacionamento civilizado.

Para algumas pessoas pouco importa se posicionar sobre qualquer coisa por N motivos (N no singular, por favor, rsrs!), seja pra ser aceito por um grupo, pra não entrar em confusão, pra pousar de legal, por não ter opinião mesmo, etc.. Mas para alguém como eu, que foi criada para sorrir e concordar sempre, e que tem que lutar todos os dias contra isso, é um exercício diário de autoafirmação "não entrar no armário". É claro que se posicionar não significa ofender os outros ou fazer da minha opinião pessoal uma bandeira. Essa história de "comigo é assim, falo na lata!", não é sinceridade, e sim, falta de educação, desrespeito e egoísmo. Mas, paradoxalmente, muitas vezes o melhor posicionamento é, de fato, o silêncio. Não por negarmos nossa opinião, mas porque nem sempre as pessoas estão prontas pra ouvir o que temos a dizer. Isso se chama sabedoria.

O mais triste nisso tudo, é que vivemos blindados pelas nossas próprias convicções. Quando lemos ou ouvimos alguma coisa que diverge do que pensamos, nossa primeira reação é contrariar. E a segunda, terceira, quarta reações é continuar contrariando. Não somos capazes de parar e avaliar nossas posições. Nos negamos a oportunidade de aprender, de mudar pra melhor, de "consertar" nosso pensamento, simplesmente porque somos "os bons".

Infelizmente já se dizia há tempos que "o tolo sabe-tudo se priva da melhor parte da vida: aprender". E isso é muito mais antigo que as redes sociais...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Caraminholas de uma mãe


 
Sei que a natureza é sábia e que Deus é perfeito em arquitetar o ciclo da vida como ele é. Sei que o passar do tempo é extremamente preciso, apesar de nós acharmos que ele tem passado rápido demais. Sei que todas as coisas tem o seu tempo, nada acontece imprecisamente. Pois é, eu sei, mas...

Para a mãe que há em mim, todo esse conhecimento racional perde um pouco do sentido e a vida passa a ser um novo aprendizado. Aprendi, por exemplo, que minhas convicções antes tão defendidas não passam de boas teorias e que, na prática, o que importa mesmo é ver o Felipe sorrir. Aprendi que, apesar de meu intelecto afirmar que o mundo não para de girar, meu coração quer que meu bebê fique assim, sempre pequenininho, querendo o meu colo, pedindo um "beijo pra sarar" sempre que leva um escorregão, querendo que eu cante todas as noites pra ele dormir, falando "mamãe maluca" toda vez que eu mudo a voz pra fazer uma brincadeira com ele, deitando no sofá e pedindo "faz coquinha"...

Ah, eu não fazia ideia de que tinha um coração tão grande. Porque pra abrigar um amor deste tamanho eu tenho que ser, "no mínimo", toda coração. E pensar que tudo isso que me preenche vai aos poucos se esvaziar. O tempo vai passando e já está a levá-lo de mim. Já o tirou do meu peito, já o fez levantar do meu colo com as próprias pernas. E vai levá-lo pra muito mais longe, não apenas pela distância, mas pelas opiniões, pelas novas companhias, pelos novos desafios que estão reservados para ele.

Engraçado pensar que o ato de "dar à luz" um filho que começou a existir dentro da gente (mais proximidade impossível!), é afirmar, ainda que inconscientemente, que os filhos não são nossos. É "expulsá-los" das nossas entranhas, assim como do nosso controle. É entregar o que nos é mais precioso à uma história na qual, muitas vezes, nos tornaremos coadjuvantes.