quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Caraminholas de uma mãe


 
Sei que a natureza é sábia e que Deus é perfeito em arquitetar o ciclo da vida como ele é. Sei que o passar do tempo é extremamente preciso, apesar de nós acharmos que ele tem passado rápido demais. Sei que todas as coisas tem o seu tempo, nada acontece imprecisamente. Pois é, eu sei, mas...

Para a mãe que há em mim, todo esse conhecimento racional perde um pouco do sentido e a vida passa a ser um novo aprendizado. Aprendi, por exemplo, que minhas convicções antes tão defendidas não passam de boas teorias e que, na prática, o que importa mesmo é ver o Felipe sorrir. Aprendi que, apesar de meu intelecto afirmar que o mundo não para de girar, meu coração quer que meu bebê fique assim, sempre pequenininho, querendo o meu colo, pedindo um "beijo pra sarar" sempre que leva um escorregão, querendo que eu cante todas as noites pra ele dormir, falando "mamãe maluca" toda vez que eu mudo a voz pra fazer uma brincadeira com ele, deitando no sofá e pedindo "faz coquinha"...

Ah, eu não fazia ideia de que tinha um coração tão grande. Porque pra abrigar um amor deste tamanho eu tenho que ser, "no mínimo", toda coração. E pensar que tudo isso que me preenche vai aos poucos se esvaziar. O tempo vai passando e já está a levá-lo de mim. Já o tirou do meu peito, já o fez levantar do meu colo com as próprias pernas. E vai levá-lo pra muito mais longe, não apenas pela distância, mas pelas opiniões, pelas novas companhias, pelos novos desafios que estão reservados para ele.

Engraçado pensar que o ato de "dar à luz" um filho que começou a existir dentro da gente (mais proximidade impossível!), é afirmar, ainda que inconscientemente, que os filhos não são nossos. É "expulsá-los" das nossas entranhas, assim como do nosso controle. É entregar o que nos é mais precioso à uma história na qual, muitas vezes, nos tornaremos coadjuvantes.

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