quarta-feira, 8 de abril de 2015

Não há esperança


É verdade, eu tenho olhado o mundo com o olhar dos que não têm esperança. Não consigo enxergar luz alguma no fim do túnel. Apenas ouço, na escuridão dele, a confusão de vozes que hora murmuram, hora vociferam suas opiniões, convicções, reclamações, súplicas. Uma confusão não ouvida e não atendida. Apenas escutada e ignorada.

E a última discussão em pauta é: diminui-se ou não a maioridade penal? Tantos são os argumentos para o sim e para o não...

O meu conceito de punição é que ela, acima de tudo, exerça um papel educativo. Sou completamente favorável a dar umas palmadas no meu filho, ou privá-lo de um brinquedo, ou da liberdade de ir e vir (castigo) por um período, depois de ter dado a ele a chance e as condições de não cometer aquele erro. Isso é educar. Diferente de eu deixa-lo sem comida o dia todo e, à noite, dar-lhe uma surra ao descobrir que ele surrupiou um pedaço de carne na casa do vizinho.

Até ontem eu era totalmente favorável à redução da maioridade penal. Hoje, admito, já não sei. Não ouso dizer que sou uma pessoa justa, não mesmo, mas sempre tentei exercitar um pensamento de justiça. Logo, faz parte desse raciocínio o princípio da responsabilidade. Esse é um traço de caráter que vem sendo apagado da formação das nossas crianças dia após dia. Eu acredito piamente que quando deixo de punir meu filho por algo errado que ele tenha feito, eu deixo de ensiná-lo sobre responsabilidade. Ele precisa saber que tudo que fizer na vida terá uma consequência. Mas ele também precisa ser ensinado a querer o bem, ser conduzido a não querer seguir o caminho do erro. Para isso, eu, que sou sua tutora e desejo o seu bem, vou orienta-lo nas suas decisões e escolhas até que ele possa fazê-las por si só, e se responsabilizar por elas.

Não é isso que o Estado deveria fazer com seus filhos? Cuidar, educar, proteger e corrigir? Dar condições decentes para uma vida correta a fim de que o errado não seja tão atraente a ponto de engoli-la? E tratar com severidade sim, os erros conscientes e sem uma motivação que lhes justifique, pautado na tranquilidade de sempre ter proposto alternativas melhores?

“Só que não”. Isso lhe custa muito caro. Custa uma parcela grande demais do que a máquina pública coloca em seu próprio bolso. Custa clarear os becos onde as bocas ajudam a movimentar as engrenagens dessa máquina.

Ontem me bastava que o indivíduo fosse preso, com 12 ou com 18, mas que fosse. Hoje entendo que isso não fará diferença, e dependerá de alguma conveniência. Ontem eu considerava apenas a punição, hoje considero também a condição, e entendo que é interesse do Estado mantê-la como está, pois isso lhe é extremamente conveniente.


Não há esperança.