quinta-feira, 10 de março de 2016

Retrocessos necessários






Outro dia eu estava assistindo ao filme O Último Samurai. Normalmente, não gosto de filmes de guerra, mas este é uma exceção. O Capitão Algren (Tom Cruize) é enviado ao Japão a fim de treinar o exército para combater a rebelião samurai, cujos princípios vão contra a ocidentalização do país. Algren, então, é capturado pelos samurais e tem a oportunidade de conhecer “a outra face da moeda”. É uma história que trata de cultura, progresso, manipulação de poder, valores, convergência, autoconhecimento. E, apesar de ser um filme sobre guerra, é lindo e delicado.

Mas um princípio que me chamou a atenção nesse filme foi a necessidade de retroceder para avançar. Acho que estamos vivendo uma época bem assim, em muitos aspectos.

A comida industrializada, que foi o boom dos anos 1990 e geraram conforto e otimização do tempo, hoje dá lugar às filosofias Slow food, ou confort food. Ou seja, conforto e bem estar hoje são associados à comidas como as que a avó ou a mãe faziam, o que requer muitas vezes trabalho artesanal e sem sofisticação. As mulheres influenciadas pelo movimento feminista, que um dia disseram não à maternidade, hoje entendem que filhos fazem parte do que é ser mulher, ainda que essa mulher não seja mais a mesma. A reutilização de objetos e materiais que perderam uma função específica, não é mais sinônimo de pobreza, mas de responsabilidade. As próprias moda e decoração têm buscado sua inspiração cada vez mais em outras épocas. É o estilo “retrô” ou “vintage”.

Parece que estamos vivendo um movimento coletivamente por acaso de resgate, da “volta no tempo”, da necessidade de se rever as coisas.

É muito bom saber que a vida, em muitos casos, tem volta. Que nem tudo tem que ser como parece mais adequado. Que, na verdade, a humanidade está sempre andando em círculo. Acho interessante pensar a vida na perspectiva desses ciclos. Parar o percurso, dar dois ou três passos atrás, reavaliar, resgatar valores caídos pelo caminho e prosseguir.

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