segunda-feira, 18 de abril de 2016

Meu silêncio



Não sou uma pessoa muito falante, mas já fui muito mais introspectiva do que hoje. A maturidade traz muitas coisas boas. Com o passar do tempo aprendi a discutir, a me manifestar, até a me impor em alguns momentos e, incrivelmente, a falar em público. Digo “incrivelmente” porque os tímidos sabem o tamanho do desafio que é encarar uma plateia e se comunicar com ela com segurança e desenvoltura (ou quase, hehe!). Mas, ainda que eu já faça isso há alguns anos, nunca deixa de ser um exercício constante de coragem.

Mas apesar de certa inibição com a fala, sempre “escrevi pelos cotovelos”. As letras ocupavam páginas e páginas dos meus diários, as cartas aos amigos eram longas e as histórias que eu criava custavam a chegar ao fim. Já consegui trabalhar num escritório solitário, sem companhia para trocar um “oi”, durante mais de dois anos, mas jamais consegui deixar de escrever um recado que seja ao longo do dia. O fato de não haver publicações aqui no blog em determinados períodos não significa que estou em completa abstinência da escrita. Às vezes só não quero compartilhar.

Entretanto, com o tempo aprendi que o silêncio tem o seu valor, até na escrita. E que valor! E diante dessa descoberta deixei um pouco de me incomodar em não ser tão comunicativa quanto eu gostaria. Deixei de ver a comunicação como uma obrigação. Muitas vezes o entendimento que o silêncio proporciona é essencial para que a fala ou a escrita que o segue seja mais coesa, mais profunda, mais completa de transparência e significado. Apenas quando calamos é que conseguimos ouvir e aprender coisas que palavra alguma seria capaz de nos ensinar.

Como em outros momentos, tenho vivido mais um tempo de silêncio. Um tempo relegado a outros projetos. Um tempo que me parece longo demais para quem sempre viu na escrita o seu maior desejo, seu crescente entusiasmo, a maior de suas aspirações. Mas um silêncio da expressão, apenas, porque lá dentro sou bombardeada de questionamentos e de afirmações sobre um monte de coisas.

Fico ansiosa por saber a que descobertas esse tempo vai me levar, que me farão escrever páginas e páginas sem fim...! Mas enquanto isso não acontece, - vejam só! - até o meu silêncio é um motivo para continuar escrevendo...

2 comentários:

Lúcia Soares disse...

Muito bom, Célia.
O silêncio é mesmo de ouro e muito necessário. Eu também sou tímida, em público. Escrever é uma forma de me expressar, embora eu tenha escrito pouco e quando o faço, está inconsistente, porque todo mundo agora é crítico e já não tenho a naturalidade que quero para escrever.
Vc escreve bem, limpo, claro. Não pode parar. Volta e meia tiro o meu "Colcha de retalhos" da prateleira e releio um e outro conto.
Solte-se, nós ganharemos com isso, e você também.
Beijo!

Celia Rodrigues disse...

Lúcia! Obrigada pelo seu comentário! Aliás, por todos os que você deixa aqui, sempre tão amáveis e sinceros. Também tenho deixado de escrever "verdades nuas e cruas" em que acredito, por causa das reações das pessoas. Estou tentando não ver isso como fraqueza, mas como sensatez. Grande abraço!