segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Palavra torpe... Hã?!




Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.


(Antes de qualquer coisa gostaria de dizer que o que me leva a escrever esse texto são as minhas próprias dificuldades com o falar e o desconforto que isso me causa).

Acho que estamos acostumados a fazer uma aplicação incorreta deste texto. Talvez não exatamente incorreta, mas incompleta. Ou é novidade que todos nós pensamos única e exclusivamente em palavrões quando o lemos?

Nos últimos dias todo este capítulo de Efésios fez parte das leituras diárias do nosso ano bíblico (@ipbitaparica), e pude observar que o contexto em que essa recomendação paulina está inserida vai muito além de xingamentos em si, tem a ver com o trato dos cristãos uns com os outros de uma forma mais ampla.

Se formos ao dicionário português ele vai dizer que torpe é uma palavra que traduz indecência, imoralidade, indecoro, algo nojento, vil, que causa repulsa. Ok, um significado adequado em se tratando de palavrões. No entanto, essa palavra foi usada para traduzir um termo grego que em seu sentido mais amplo queria denotar algo corrompido, algo que está estragado e que, se usado, causará dano. O dicionário português também diz que uma derivação da palavra torpe é o termo entorpecer, que significa enfraquecer, debilitar, abater, desanimar, desfalecer, dentre outros.

Acredito que quando Paulo diz ao longo deste capítulo “sejam, dóceis, pacientes (...), esforcem-se para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (...), dispam-se do velho homem (...), quando ficarem irados, não pequem (...), livrem-se de toda indignação, ira, gritaria e calúnia(...)”, ele queira dizer bem mais do que simplesmente “não xinguem. E não estou defendendo com isso que podemos xingar livremente! Só gostaria que pensassem comigo que muitas vezes a palavra que “entorpece” (o outro), torna fraco, desanima, põe em descrédito, estraga o dia, causa dano, nem sempre é a de baixo calão. Muitas vezes ela é dita com o melhor da norma culta. Quantas vezes nossas palavras polidas dirigidas ao outro estão tão podres de significados e intenções quanto qualquer termo chulo e depravado berrado nas sarjetas. E detalhe, ditas “àquele por quem também Cristo morreu”, ou seja, a quem Ele ama tanto quanto a mim.

E o que endossa esse pensamento é o complemento do versículo, “mas apenas a (palavra) que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade”. Em vez de denegrir, valorize. Em vez de enfraquecer, fortaleça. Em vez de causar dano, restaure! Em vez de usar a tão aclamada liberdade de expressão para dizer tudo que te vier à mente, use-a para escolher o que dizer. Ou o que não dizer “...conforme a necessidade”. Escolher calar-se também é um ato de liberdade. E antes disso, de sabedoria.

Em suma, ame o outro como a si mesmo. Ou você diria barbaridades a seu próprio respeito?

2 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lygia Lyra disse...

Verdade! Muitas vezes não é o que falamos, mais como falamos. Valeu pela reflexão. Bjs Lygia